Só falta(va) reunir a Zona Norte à Zona Sul

Data: 28/02/2010 (domingo)

Horário: a partir das 7h13min

Distância: 27,92 km (eu), entre 10,7 km e 29 km (galera)

Tempos: aproximadamente 2h46min (eu)

 

Todo mundo já percebeu. Somos pessoas diferentes, corredores de níveis e objetivos muito distintos, fazemos parte de equipes variadas que defendemos nas competições, mas temos todos algo em comum: o gosto pela corrida e também pelo ambiente todo que a envolve. Vamos criando, através dela, uma rede cada vez mais ampla e sólida de amizades, que vem nos proporcionando grandes momentos, em treinos históricos, com cada vez mais gente participando; e também em grandes e animadas confraternizações. Aos poucos, estando formando uma verdadeira família da corrida. Da qual tenho muito orgulho de fazer parte e ajudar, na medida do possível, a manter as tradições.

 

Mas não carrego sozinho essa bandeira. Tenho ao meu lado, felizmente, grandes companheiros, pessoas que, como eu, compreendem que, por detrás da individualidade e da competitividade do esporte, está algo maior. Gente solidária, amiga dos amigos, que sabe dar devido valor a coisas que o mundo de hoje tem parecido esquecer. Um exemplo claro disso é o nosso anfitrião do treino de hoje, o Michel. Um dos grandes amigos que a corrida me trouxe. Apesar da pouca idade, cabeça feita e tremendo caráter. Sempre disposto a ajudar, não foram raras as vezes em que o fez comigo. Bom de papo, de ideias e de organização. Não podia ser nada menos que um sucesso essa brincadeira toda planejada por ele. Topei assim que recebi o convite e ajudei a espalhar a notícia pela internet.

 

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Antes do treino começar

 

Pra variar, eu tinha na agenda um compromisso mais extenso que os demais amigos, o que me obrigaria a complementar a rodagem. Mas, dias antes do treino, recebi a ótima notícia do retorno de um grande parceiro. Depois de uma longa temporada praieira, eis que recebemos de volta por aqui nosso amigo Toninho Corredor, empolgadíssimo e com os treinamentos em dia para sua estreia nos 42 km, marcada para o começo de maio em SP. Aos 20 km do maior trajeto esboçado pelo Michel, somaríamos 8 km saindo da minha casa, no Jardim Satélite, região sul da cidade, até o Parque da Cidade, porta de entrada da Zona Norte. Na véspera, quem também acabaria confirmando presença era o Fabio Matheus. Outro que segue muito bem na preparação para a primeira “marvada”, a mesma do Toninho, aliás. E que se interessou pela ideia de um “longuinho” com quase três horas de duração. Combinamos às 7h. Acordei com sol na janela, ameaçando abrir. Ficaria só mesmo na ameaça, que alívio! Depois de um papo rápido e um intervalo para diluir em água as pastilhas de Suum (repositor de eletrólitos, veja AQUI minha análise), amostra enviada pelos distribuidores do produto, pegamos o começo do caminho, saindo da Cidade Jardim e pegando a descida da Av. João Paulo I rumo à Av. Mario Covas, interligação entre a Zona Sul e o restante da cidade.

 

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O percurso da primeira parte do treino

 

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A altimetria da primeira parte do treino

 

Depois da descida forte, vinha uma longa e plana reta. O ritmo era tranquilo, não convinha começar muito forte para quem tinha tanta distância pela frente. O pouco trânsito, contrastando bastante com a realidade do local nos dias úteis, nos dava tranquilidade, mas ainda assim optei por correr no sentido contrário ao do tráfego. Fiquei tentando ouvir o bipe que marcaria o primeiro quilômetro e não consegui. Foi quando me dei conta de que tinha desabilitado no relógio a conexão com o footpod, por causa do treino de sexta à noite na esteira. A primeira parte seria sem medição automática, monitorando apenas os batimentos cardíacos. Que estavam até meio acelerados, por sinal. Meus longões by myself vinham sendo feitos em velocidade um pouco menor. Normal. Treino conjunto acaba sendo assim mesmo, um puxando o outro e induzindo a velocidades naturalmente um pouco mais altas. Nada que prejudique o objetivo principal.

 

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A Avenida Mario Covas e o Viaduto Frei Galvão

 

Tendo saído quase quinze minutos depois do planejado; e com horário marcado para encontrar o pessoal para o restante do treino, acabei mudando de última hora parte do trajeto. Ao invés de subirmos para a Marginal da Dutra e pegarmos a passarela por sobre ela rumo ao centro da cidade, acabamos seguindo pelo Anel Viário. Pra enfrentarmos, na altura de três quilômetros rodados, a primeira subida forte do caminho. Curta, mas bastante íngreme, já tinha me feito andar algumas vezes no começo da “carreira esportiva”. Ainda cheios de gás, subimos tranquilamente. Logo estávamos deixando o complexo viário, pegando a primeira saída à direita, subindo mais uma pequena rampa e chegando à Av. Heitor Villa-Lobos, acesso à Av. Francisco José Longo. Um novo longo trecho reto e praticamente plano, com uma pequena, mas enjoada, inclinação já no final dela. Eu já tinha aberto a minha garrafinha e dado uns goles no Suum. O gosto de lima-limão era agradável, similar ao das bebidas isotônicas de mesmo sabor. O ritmo inicial, mais fraco, claramente já era outro, bem mais acelerado. Mas ainda confortável.

 

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A Avenida Francisco José Longo

 

Já estávamos chegando perto do centro, passando agora pelas palmeiras centenárias da Av. João Guilhermino. Confabulamos rapidamente sobre qual caminho seguir, com apenas quinze minutos restando para o horário marcado para a baldeação. E optamos pela reta da Av. Nelson D’Ávila, passando pela Praça Afonso Pena, que o xará não via há muitos anos; e chegando à Rua XV de Novembro. Contornamos a Praça da Matriz e descemos a Tenente Névio Baracho. Agora faltava muito pouco. Passaram por nós o Seneval e o Mineiro, também chegando, mas de carro. Até ofereceram carona, mas pra quê? Corredor que é corredor chega correndo, hehehe... (brincadeira, os caras são feras!). Olhei no relógio e senti o prazer da missão cumprida. Ele marcava 8h01min quando avistamos um grupo já bastante grande nos esperando no estacionamento do Parque da Cidade. Cumprimentamos os amigos, alguns não acreditando naquilo que estávamos fazendo...

 

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O portal de entrada do Parque da Cidade

 

A preocupação do Fabio Matheus era que esse intervalo, entre a nossa chegada e a saída do comboio motorizado rumo ao local do início da segunda parte do percurso (a concentração havia sido marcada para o Parque porque nem todos conheciam o Poliesportivo do Altos de Santana). Chegamos a cogitar, inclusive, a possibilidade de seguirmos correndo até lá, o que aumentaria em cerca de 3,5 km a nossa rodagem. Não queríamos atrasar o resto da galera. Mas não teve jeito. Tinha gente desde as 7 da manhã lá, como o Silvio (bom ter você de volta aos treinos e corridas, camarada!) e o Tonico. Mas sempre tem os atrasildos também. Aí esfriou tudo... Peguei carona com o Wagner e a Tania e chegamos rapidinho até a casa do Michel, onde ficariam estacionados os carros. Mas, com tudo isso, explicações inclusive sobre as três opções de percurso (10, 15 ou 20 km), só fomos sair mesmo já bem perto das 9h. Quase uma hora depois de terminarmos a primeira parte. Sem problema! Estávamos ali pra enfrentar o que viesse. Da casa do Michel, fomos trotando, sem acionar os relógios ainda, até o Poliesportivo. Começava a parte dois...

 

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O Poliesportivo do Altos de Santana

 

Essa parte do percurso era praticamente a mesma de um dos primeiros treinos coletivos que havíamos feito, em março de 2009, para comemorarmos o aniversário do Luis Carlos (por motivos profissionais, ausente hoje). Com exceção do local de saída, naquela ocasião a ponte sobre o Rio Paraíba, o trajeto era o mesmo: seguindo pela Av. Alto do Rio Doce e pegando a estrada até a Petybon. Para mim, seria novidade. Na primeira vez, com temperatura bastante alta, eu tinha optado por não fazer o percurso completo, seguindo com o próprio Michel até uma parte, logo após outra ponte, sobre o Rio Jaguari. Desta vez, estava decidido: iria até o final! Até porque o clima, dessa vez, era só ajuda. Temperatura baixa, na casa dos vinte graus, parecendo que ia pintar até uma garoa a qualquer momento. Que viria...

 

O grupo era grande, o Wilson chegou a contar vinte e nove participantes (na foto oficial antes do treino, apareceram vinte e seis). Mas durou pouco. Sumiram na frente os mais ligeiros (alguns bem mais, como o Jota Júnior, pela primeira vez nos fazendo companhia, o Manoel e o Natanael) e lá na gloriosa rabeira ficamos nós, os que já tinham 8 km rodados. Ao nosso pequeno pelotão se juntou o Tião, outro também estreando nos treinos conosco. Reduzi um pouco a passada para me juntar ao Fabio Matheus e, com isso, perdi um pouco o contato com o Toninho. Mas as subidas e descidas, não muito fortes, mas em grande número, do trajeto se encarregaram em voltar a nos reunir. Pouco à frente, estavam o Bruno Narezzi e o Edward. Agora o footpod estava reabilitado e marcava as parciais a cada quilômetro rodado. Fazíamos, àquela altura, paces na casa de 5:35 a 5:44/km. Mesmo um pouco preocupado em estar meio forte para quem ainda tinha muito o que rodar pela frente, não amarelei. Segui firme, mantendo a passada e acompanhando os amigos.

 

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O percurso da segunda parte do treino

 

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A altimetria da segunda parte do treino

 

Começavam a aparecer os detalhes do esmero com que o Michel e sua família nos recebiam. Em um ponto do percurso, estava parado o carro dele, com o pai, o irmão e dois outros garotos nos distribuindo água. Apesar da temperatura amena, ajudaria bastante. Já começavam a voltar os ponteiros. Além dos já mencionados Jota, Manoel e Nata, outras feras como Mineiro, Wilson, João Carlos, Mayke, Rafael, Zebra, Seneval, Wagner, César e Narezzi. Cumprimentos e trocas de incentivos na passagem. Um pouco mais perto do retorno, mas também correndo forte e bem, Tonico, Silvio e Brazilino. Quando chegamos até a fábrica da Petybon, foi em bando. Além do quarteto inicial, estavam conosco também o Edward e o Bruno. Teve até quem desse um migué ali, ganhando alguns metros antes do ponto do bate-e-volta. Ainda bem que não tinha tapete de cronometragem... Encontramos de passagem com as meninas, Tania e Isolete, que também faziam o trecho dos 10,7 km.

 

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Trecho da estrada da Petybon

 

O ritmo estava sendo mantido, pelo menos era o que dizia o relógio, mas a dificuldade começava a ser maior. O grupo seguia mais ou menos coeso, embora ora um, ora outro desgarrasse e parecesse abrir distância. Procurava nem olhar muito para o valor dos batimentos cardíacos (ver números acima de 160 bpm ali não seria muito agradável), a me guiar mais pela Escala de Borg, dosando um pouco quando a percepção de esforço parecia ficar exagerada. Lá pelos 7 km desse pedaço do treino, juntou-se a nós também o Michel, mais preocupado com a logística da coisa toda que com o próprio ritmo. Quando o Toninho perguntou se alguém já tinha me visto tão quieto, eu respondi que estava carregando o editor de textos e começando a escrever o relato do treino...

 

Faltava pouco para concluir esse trecho. Na esquina da volta para a avenida que contorna o rio, passamos por mais um “posto de hidratação”. Deu um bom embalo para seguir de volta até o Poliesportivo. O Toninho até arriscou um sprint, para o qual não recebeu companhia (e nem apoio!). A calçada nem era tão estreita, mas tinha uma árvore meio inclinada, o que quase causou um acidente. Meti o ombro nela e quase fiquei. Fechamos nossa parte pouco abaixo de 1h e decidimos, novamente em consenso, fazer uma pequena pausa. Para jogar uma água no rosto, mas, principalmente para retomar o fôlego. Ali ficava a maior parte da galera do treino, já concluindo suas participações apenas com essa fração. Alguns seguiriam adiante para a próxima etapa, inclusive nosso grupo, novamente restrito aos quatro corredores que tinham começado a anterior, com a valorosa companhia extra do organizador do treino.

 

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O percurso da terceira parte do treino

 

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A altimetria da terceira parte do treino

 

Agora o trajeto era uma volta pelo bairro. Só que não qualquer volta. Uma que, depois diria o Michel, nos levaria ao ponto mais alto do perímetro urbano de São José dos Campos. Eu já havia visto o gráfico da altimetria e tinha uma leve ideia do que iria enfrentar, mas a prática seria bem pior que a teoria. Não é à toa que o bairro se chama ALTOS DE SANTANA e que suas ruas todas se chamam Pico de alguma coisa, Monte sei lá das quantas ou Serra não sei de quê. Cruel. Já na pré-subida eu acusei o baque, avisando pro Fabio Matheus que estava sentindo um pouco as panturrilhas. Quando saímos da avenida principal, ganhamos a companhia do pessoal saindo da missa e começamos a enfrentar a ladeira propriamente dita, eu até tentei, mas deixei pra lá. Fui vendo o pessoal só desaparecendo morro acima, quase chegando nas antenas de comunicação e, resignado, optei por ir até um certo ponto andando, depois virar à esquerda e, supostamente, encerrar ali a minha participação no treino. Mas a coisa não ficaria por isso mesmo, não...

 

Desci, também andando, mas ao entrar em uma das ruas do bairro, à procura do caminho de volta, reencontrei o Michel e o Manoel. Com eles voltei a correr e fomos à procura do restante do pessoal, mais uma vez na avenida do Poliesportivo. Fomos avistá-los ao longe, pegando de volta o caminho da estrada da Petybon. Por erro? De jeito nenhum! De propósito mesmo. Eu tinha arregado pra subida monstruosa, mas, quem a tinha enfrentado uma vez, também não queria repetir a dose. O Michel voltou para ver como estava o restante da galera e eu dei um pique pra alcançar a turma que seguiria pra mais alguns quilômetros estrada afora. O final do treino estava salvo... O Michel depois viria até pedir desculpas, dizendo que havia prejudicado o meu planejamento. Nada disso, meu amigo! Você proporcionou sim, não só a mim, mas a todos que estiveram aí hoje, um belíssimo treino, agradável, bem planejado e executado e, sobretudo, pra lá de produtivo. Com capricho, generosidade e dedicação, mostrados em cada pequeno detalhe. Somos todos muito gratos, esteja certo disso.

 

Aí foi só dosar o ritmo pra não quebrar, mantendo paces mais altos, próximos a 6’, mais condizentes com a distância já percorrida. Achamos que dava pra ir até a ponte do Jaguari e voltar, mas foi pouco. Pra completar o tempo que desse mais ou menos o previsto, esticamos o trajeto até o ponto de ônibus na entrada da Estrada da Jaguariúna. Esperamos um pouquinho, secamos o resto da garrafa de Suum do Toninho, a última que ainda restava. Reunimos novamente o grupo e pegamos o caminho de volta. Agora a garoa fina já tinha se transformado em chuva forte, ensopando roupas e tênis e fazendo água escorrer pelo rosto. O cansaço era grande, mas a determinação de todos em chegar, certamente maior. O Tião ficou um pouco pra trás, o quarteto virou trio quando mais uma vez, a última, pegamos a avenida tantas vezes percorrida no dia. O William, irmão do Michel, apareceu com um squeeze salvador, que deu uma força e tanto para a reta final. O Poliesportivo parecia que não aparecia mais, mas finalmente veio. Só não tinha mais ninguém lá. O Mineiro e o Wilson passaram de carro pra avisar que todos já nos esperavam na casa do Michel. O Fabio Matheus, sobrando, seguiu correndo. Eu e o Toninho ficamos. A missão estava cumprida. Parabéns a todos, principalmente a essa dupla de guerreiros que rodou, e muito bem, qualquer coisa em torno de 29 km.

 

A coisa realmente estava no capricho. Nos esperavam não só os amigos, mas uma mesa com frutas, refrigerantes e sucos. O que me dessem pra beber eu estava topando, podia ser até Aqua Velva, como diz o capitão... Após uma breve pausa para a recuperação, pegamos carona com o Wagner (que foi muito legal e quebrou um galhão pra gente) e voltamos ao ponto de partida. Fui trocar de roupa, buscar a Janete e o Dudu e dali seguimos de volta para a melhor parte desse dia. Fomos recebidos em um belo almoço, no capricho, com direito a pernil assado e tudo mais. Comidinha light, sabe como é corredor, né? Acompanhando, aquela cervejinha gelada a que todos fizemos jus. Papo animado, gargalhadas a granel. Um domingo agradabilíssimo, enfim, ao lado desse fantástico grupo de amigos que a corrida reuniu. Vem muito mais por aí. Que bom!

 

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A foto oficial do treino

 

Abraços,

 

Fábio Namiuti


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