Urbi et Orbi

Data: 24/01/2010 (domingo)

Horário: 8h53min

Distância: aproximadamente 16 km (18,2 km no total)

Tempos: entre 1h20min e 1h35min (1h47min no total)

 

E as preparações seguem a todo vapor... Tanto a minha para a Maratona de Porto Alegre, quanto as de amigos corredores para as suas estreias nos 42,195 km. E bem como a de outros parceiros, que têm a “cabeça no lugar” e preferem enfrentar distâncias menores, para suas temporadas 2010 de provas. Todos atrás de seus objetivos, distintos entre si, mas comuns no que diz respeito ao verbo a ser conjugado: CORRER. Cada qual em seu ritmo e seguindo suas diretrizes. Mas compartilhando ao menos parte de seus treinos. O que é, além de prazeroso, benéfico a todos.

 

Depois do sucesso de público e crítica que foi o treino do domingo anterior, ficou em vários dos participantes um certo gosto de quero mais. Havia cogitado com o Michel de fazer uma prévia do megalongão na zona norte de São José dos Campos, mas ele se lembrou de que tinha um compromisso e tivemos que adiar. Na sexta à noite, na já (começando a ficar) tradicional reunião da Equipe 100 Juízo no Vicentina Aranha, combinamos de última hora um novo treino coletivo para o domingo. Cruéis, Capitão e Diretor queriam nos levar para as ultraonduladas vias da região leste da cidade. Safo, sugeri o lado oposto. Por que não as planícies da zona oeste? Venci pelo cansaço.

 

Montei o itinerário, o mais simples possível, em ida e volta para evitar quaisquer problemas com quem fosse novato nele. E até disparei mensagens para os demais amigos que não estavam presentes na reunião que deu origem ao projeto. Mas já era tarde, pleno sabadão, dia já meio off-line, difícil de convocar a galera. Não seria uma superprodução como a escalada do Aprovado, mas certamente mais um treino interessante e bem proveitoso.

 

O percurso do treino

 

Com minha planilha agora marcando tempos e não distâncias de treinos (segundo a teoria, o corpo não entende quantos quilômetros você corre, mas sim quantos minutos), procurei bolar um trajeto que permitisse a todos participarem sem esforço desproporcional. Deu pouco mais de 16 km. Complementaria com voltas de aquecimento e desaquecimento na pista do Vicentina, local marcado para a concentração, prevendo com isso chegar à meta de 1h45min de treino. Sugeri o horário das 8h30min, dando aos corredores uns valiosos minutinhos a mais de sono. Mas o mais rápido dos nossos atletas da equipe, o Manoel, achou melhor marcar mais cedo, às oito. Fui voto vencido dessa vez. Eu cheguei quinze minutos antes disso e dei a minha volta de aquecimento bem lenta, num gostoso ritmo próximo aos 6’ por quilômetro. Às 8h combinadas, já estavam quase todos presentes. Quem acabou chegando mais tarde, quase naquele horário que eu tinha sugerido inicialmente, adivinhem... Foi o próprio Manoel. Tá me devendo essa, hein, flecha de ouro...

 

A altimetria do treino

 

Dessa vez, éramos doze os corredores presentes: além desse que vos escreve e dos já citados Zebra, Edward (bom te ver de volta aos treinos, Diretor!) e Manoel, também Rafael, Seneval, Wagner, Tania, César, Brazilino e Leo. E, como nosso convidado, vindo de Caçapava especialmente para o treino, o Moacir. Expliquei mais ou menos qual era o percurso (no dia anterior, havia enviado por e-mail o link para o MapMyRun e as imagens com o mapa e a altimetria para alguns). E pontualmente às 8:34 saímos rumo à São João, primeira das muitas avenidas a serem percorridas. O tempo, felizmente, mais uma vez ajudava. Choveu praticamente durante toda a tarde e parte da noite de sábado, deixando a manhã de domingo nublada, com temperatura agradável, mas sem chuva para atrapalhar. Apenas algumas “lembranças”, sob a forma de poças d’água e lama pelo caminho. Temperatura na casa dos 20ºC. Melhor, impossível.

 

A foto “oficial” do treino

 

O grupo começou homogêneo nos primeiros metros, mas isso durou pouco, como era de se esperar. À frente, começaram logo a desgarrar o Manoel e o Rafael. Sugeri ao Moacir que os acompanhasse. No segundo pelotão, ficaram Zebra e Seneval. No terceiro, eu e o César. Pouco depois, o grupo mais numeroso, com Brazilino, Leo, Edward e o casal Wagner e Tania. Ele, sabiamente, ainda não totalmente recuperado das dores que o andaram incomodando, optou por seguir em um ritmo mais lento. Atravessamos a pista e fomos para o lado direito da avenida. Houve quem achasse que era para entrar na Barão do Rio Branco. A gritaria foi geral lá do fundão: “reto, reto!!!”.

 

São João ladeira abaixo

 

E que beleza é descer essa tal de São João! Rampa curta, pouco mais de quatrocentos metros, no trecho que começa em frente ao posto de combustível e vai até a esquina com a Av. Eduardo Cury, mas o suficiente para alegrar qualquer corredor (pelo menos os “normais”). O Brazilino pulou para o grupo de frente e nos acompanhou morro abaixo. Viramos todos à direita e pegamos o trecho reto e totalmente plano da próxima avenida, seguindo a lateral do shopping e passando por escolas e vários prédios, alguns em construção. Lembrou, por alguns instantes, o percurso da prova que passa por lá, a Unimed Run. Com bem menos velocidade que na dita cuja, claro.

 

O retão da Eduardo Cury

 

A dispersão ia ficando cada vez mais nítida. O Manoel já atravessava a pequena ponte por sobre o córrego e ganhava a Av. Lineu de Moura, com o Moacir no encalço. O Rafael tinha voltado um trecho e agora corria com o Zebra e o Seneval. Os demais pelotões seguiam inalterados. A cada quilômetro o relógio apitava e o César comigo constatava, satisfeito, que estávamos mantendo o ritmo e ganhando inclusive alguma aceleração. Rodávamos, segundo o footpod, entre 5’20’’ e pouco acima de 5’30’’. Bem mais rápido, inclusive, que o meu pace planejado, na casa dos 5’40’’ a 5’50’’. Pagando pra ver até onde isso ia levar. Não fomos flagrados pela lombada eletrônica, que ali marca velocidade máxima de 50 km/h.

 

No comecinho da avenida seguinte, a primeira subida, meio disfarçada, a partir da entrada do parque aquático. A construção da pista de caminhada e da ciclovia, conforme citado em outros relatos de treinos por ali, com os amigos Jorge e Toninho, tornou as coisas bem mais seguras. Por ela seguimos por toda a reta, até a entrada do clube de campo. Os motoristas, até então, tinham sido camaradas, parando ou diminuindo para nós corredores passarmos. Mas surgiu o primeiro marrentinho de plantão. Mesmo parando o carro poucos metros à frente, no estacionamento do clube, ele fez questão de acelerar, como se quisesse mostrar quem mandava ali. Infelizmente, há desses também...

 

Depois da curva, a pista e a ciclovia ficavam bem mais estreitas, mas ainda boas para correr. Na chegada à primeira rotatória, quem voltou foi o Moacir, pois não conhecia o caminho. Acabaria se juntando ao grupo do Capitão Zebra, formando um forte quarteto, ainda em nosso campo de visão, mas abrindo gradativamente distância. Chegamos à segunda e maior rotatória, a da entrada do bairro. E seguimos à direita, entrando na Av. Possidônio José de Freitas. Começava o contorno do Urbanova, velho conhecido de tantos outros treinos, solo, em dupla, trio ou grupo. A calçadinha de pedras, que já tinha tirado o Toninho de um treino meses atrás, estava bem escorregadia e era melhor evitá-la. Felizmente, o trâsito estava tranquilo e nos permitia correr pela beira da pista sem maiores preocupações. Por mais que se passe ali, o visual sempre chama a atenção. De um lado, as casas muito bonitas dos condomínios de alto padrão. Do outro, os morros (de nível 2, segundo o multiesportista César), muito verde. A combinação de ambos, natureza e construções, traz cenários bem bacanas, skylines de inegável beleza. Bastante comuns por ali, para onde quer que se olhe.

 

Cidade vista do Urbanova

 

Sempre que passo por ali, é pela pista de baixo, plana. A de cima, um pequeno tobogã, havia sido escolhida pelo grupo à nossa frente. E nessa toada seguíamos. Só fomos enfrentar subidas na chegada à sede do GACC, local da minha primeira prova joseense, no já distante ano de 2005, quase no final da avenida. Mas morros de responsa. O primeiro, nem tanto, mais uma ondulação na pista, íngreme mas bem curto. O segundo, em compensação, de doer, quebrou bastante o meu ritmo. Só não me fez andar porque já o conhecia bem, de outros carnavais e soube dosar o fôlego para enfrentá-lo pela enésima vez. O pace tinha caído, evidentemente, nesse trecho misto, e já alcançava a casa dos 5’40’’. Veio a primeira descida, para ajudar a recuperar o tempo perdido, mas ela acabava logo, na chegada à paróquia do bairro. Mais uma pequena reta e, finalmente, a recompensa: a descida principal, a da lateral da universidade. Não ela toda, mas só o trecho percorrido já deu o gosto de soltar os braços e deixar o corpo ir. Já chegávamos quase aos dez quilômetros de treino.

 

O ritmo era ótimo e, embora tenha sido afetado pelo sobe-e-desce, seguia relativamente confortável. Mas o apoio, presente e importantíssimo no treino em Taubaté no domingo anterior, dessa vez fazia muita falta. O dia nem era quente, mas a sensação de sede existia e me preocupava. Sabendo que tinha ainda seis quilômetros pela frente, tomei uma decisão difícil, mas que achei necessária: teria que fazer uma parada para hidratação. Foi no lugar de sempre, a Adega Urbanova. Sempre bom bater um papo, mesmo rápido, com o nosso bom e velho fornecedor e amigo, o proprietário de lá. Mandei três tulipas (água mesmo, nada com colarinho) pra dentro e renasci. Só que perdi tempo e esfriei. O César tinha continuado e sumido de vista, quem reaparecia agora era a turma do fundão. Todos bem e inteiros, rodando também em bom ritmo. Foi excelente ganhar a companhia deles naquele momento. Sozinho, provavelmente eu seguiria bem mais devagar. Pegamos a reta da Shishima Hifumi e por ela rumamos de volta à rotatória e à ponte por sobre o rio Paraíba. A partir ali, era retorno e todo mundo já sabia o caminho.

 

Cada hora era um que puxava o grupo de seis corredores. Mas o bloco seguia compacto, sem que ninguém fugisse muito à frente e nem ficasse para trás. O espaço era pouco para todos e tínhamos que ocupar parte da faixa dos ciclistas. Dando preferência para eles sempre que aparecia um em sentido contrário. Na volta ao trecho mais largo da Lineu de Moura, com mais largura disponível, ficou novamente tranquilo, com espaço (e oxigênio) à vontade para todos. A subidinha da ida agora era uma gostosa descida, pena que acabava logo. As parciais de distância mostradas no relógio davam a entender que havia certa discrepância, com alguns metros a mais do que a medida real. Mas isso de pouco importava. Antes de chegarmos ao desafio final, a maior subida de todo o percurso, o negócio era ganhar tempo no trecho plano.

 

A ciclovia e a pista de caminhada

 

E ela, novamente a São João, finalmente chegou. Começamos todos na base do trotinho, ganhando metros à frente e acima com passos curtos e rápidos. Menos inteiro que os amigos, encarei dois terços dela e, evitando sofrimento desnecessário, subi andando o terço final. O Wagner, que tinha subido turbinado, voltou e sugeriu me acompanhar, mas eu pedi que ele fizesse isso com o Edward, que sentia a panturrilha e tinha ficado um pouco para trás. Quando tudo ficou de novo plano, estávamos todos correndo. Mas na esquina em que os ponteiros quase tinham entrado por engano, no começo do treino, o Diretor optou por não forçar. Fez bem. Tentei recuperar o tempo perdido e usar como coelhos os parceiros que já estavam bem à frente. Leo e Brazilino eram os “alvos”. O Wagner alcançou, eu não. Já de volta à rua lateral do Vicentina, a Prudente Meireles de Moraes, encostei no Brazilino, mas, sem valer troféu por categoria ou premiação em $$$, poupei o sprint. Missão cumprida? Quase...

 

Fôlego recobrado, água tomada, bananas devoradas (não foi o suntuoso kit pós-treino de Taubaté, mas chegou perto, pelo menos frutas à vontade tinham também), papo em dia, me lembrei de que ainda não tinha cumprido a distância, ou, melhor dizendo, o tempo previsto. Faltavam ainda quatro minutos para completar 1h45min. Achei que ia sozinho e perguntei meio por perguntar, mas praticamente todos toparam a volta olímpica. Sensacional! As pernas estavam pesadíssimas, não só as minhas, mas as de todos. A pausa de quase dez minutos era responsável por isso. O Moacir lembrou bem: “se coloca no lugar do seu corpo, olha o que você está fazendo com ele”. Tem toda razão. Mas ali todos estavam só mesmo de brincadeira, sem forçar nada, simplesmente pelo gosto de correr. A volta de 1050 metros foi concluída em 5’46’’ e fechou a meta do dia, com sobras.

 

Depois do treino (e da Volta Olímpica)

 

Enfim, mais um belo treino realizado. Agradeço a todos que me fizeram companhia no dia de hoje. Completei, no total, pouco mais de 18 km, coisa que não fazia desde outubro de 2009, antes da Meia Maratona Frei Galvão. Fechei a semana de treinos com volume acima dos 50 km, dentro da meta de progressão semanal de 10%. E com ganho de velocidade em relação à semana anterior. Tudo segue conforme o planejado. Até o peso, meu calcanhar de Aquiles, vai diminuindo devagarzinho. Nada disso por si só vai me garantir sucesso na próxima maratona. Mas quem sabe, tudo isso junto? É o que eu vou tentar fazer acontecer. Que venham os próximos treinos, sozinho ou na companhia desses e de outros bons amigos corredores.

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 


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