Simulado no novo percurso da General Salgado

Todo ano é assim: depois das festas, das férias e dos quase inevitáveis quilinhos a mais, o corredor começa a montar o seu calendário de provas. Uma das primeiras, se não a primeira do ano, para quem mora aqui na região do Vale do Paraíba paulista é a tradicional Prova Pedestre General Salgado, que já está na 24ª edição, três delas com a minha participação nos últimos anos. Em janeiro já começa o burburinho, todo mundo se perguntando, pessoalmente, por e-mail e nos fóruns de corredores quando vai ser. Normalmente, costumava acontecer na segunda quinzena de fevereiro, coincidindo inclusive às vezes com o Carnaval. Para este ano, tudo mudou. Avisados pelo presidente Chico da ASCORT, ficamos sabendo que a prova mudaria não só de data (passaria a ser realizada em março), como também de percurso. E passaria a ter também opções de prova participativa de 5 km e caminhada. Muitas novidades à vista. Também com base em informações fornecidas pelo Chico, primeiro eu, depois o amigo taubateano Fabio Matheus fizemos a medida do novo percurso de 10 km no site MapMyRun. Junto, surgiu também a ideia de fazer um test drive no trajeto, que prometia ser plano e bem mais rápido que o original, que dera à prova o epíteto de “São Silvestre do Vale”, pelas suas ladeiras e grau de dificuldade. Imaginamos que seria mais um treino em dupla, como fora aquele outro, 19 km debaixo de tempestade no ano passado, que iria em breve transformar o xará em um futuro meio-maratonista. Ganharíamos bastante companhia...

 

O novo percurso

 

Na viagem para Itu conversei com os amigos da equipe 100 Juízo e alguns gostaram da ideia do simulado no novo percurso. Apesar de nem todos serem fãs da prova (sobretudo pela falta da premiação por faixa etária), toparam nos acompanhar na empreitada. Aí pensei: por que não convidar então os outros amigos também? Abri o Outlook Express e comecei a disparar mensagens para todos os lados. Alguns já tinham outros planos para o domingo e descartaram de cara. Mas houve também quem topasse de imediato. A surpresa veio do Guilherme que, ao tomar conhecimento através do fórum Runner Brasil, confirmou que viria de São Paulo. Detalhe: mesmo sem estar inscrito para a corrida propriamente dita, já que, no mesmo dia, estava com viagem marcada para a Minimaratona de Paraty. Consideração exemplar pelos amigos. Chegamos a fazer uma lista que contemplou a presença de mais de vinte corredores. Não fosse a chuva, que caiu durante praticamente todo o dia de sábado e madrugada de domingo, talvez até chegássemos perto deste número.

 

Na véspera, para comemorarmos de forma antecipada o aniversário do Guilherme, reunimos alguns dos que estariam presentes no treino para uma confraternização no rodízio de petiscos. Costuma ser depois (reposição), mas antes (estocagem) também vai bem. O capitão Zebra se hidratou muito bem para fazer um treino redondo no dia seguinte. Cheguei em casa quase à meia-noite. Ainda bem que era o final do horário de verão e tínhamos uma hora a mais para descansar.

 

O domingo amanheceu com garoa fina, depois de ter chovido simplesmente a noite inteira. Já imaginei que haveria mesmo deserções. Chegando ao QG da equipe, confirmamos quem ia e quem não (só mesmo o Edward e o Manoel), fui buscar na Dutra o Alexandre, que também nos acompanharia. E liguei para o Michel, que já estava com a turma toda nos esperando na Avenida do Povo. E dizendo que já tinha inclusive retirado o chip, hehehe... Pé na estrada! Rapidinho estávamos em Taubaté. Éramos onze (além dos cinco vindos de São José, do Fabio Matheus, do Guilherme e do Michel já citados, também o Luis Carlos, o Narezzi e o Acacio). Se tivesse mais outros onze, dava até pra jogar uma pelada no estádio Joaquinzão, logo ali em frente.

 

A Avenida do Povo, local da largada

 

Batemos um papo rápido, o xará fez uma breve palestra sobre os trechos que demandavam mais atenção. Com pouco mais de vinte minutos depois do previsto (ih, vai perder pontos na avaliação!), começamos a rodagem. No começo, tudo igualzinho, largada na parte coberta da avenida, bem em frente à tribuna de imprensa. Viramos à direita no final dela, já na parte descoberta. Só que, em vez de fazermos o retorno na frente do estádio e irmos pela Avenida Presidente Kennedy no sentido Independência, seguimos em frente. Uma subidinha bem leve logo de cara, encarada com gosto, com a temperatura bastante agradável desta manhã. No primeiro cruzamento com algum trânsito, os motoristas pareceram meio surpresos com aquele grupo multicolorido de corredores invadindo a avenida, mas respeitaram e diminuíram a velocidade para nossa passagem.

 

Já havia sido dito que o novo trajeto passaria por trechos conhecidos da cidade de Taubaté. Um deles, logo no início, era a célebre Praça da CTI, um grande círculo com entradas e saídas em sete diferentes direções. Em uma delas, para nossa surpresa, havia um número 1 pintado no chão, indicando onde, no dia da corrida, deverá estar a placa do primeiro quilômetro. Foi um tal de gente apertando o botão de lap, um verdadeiro pi-pi-pi-pi. No meu relógio, pace de 5:21. Bom, para o começo em subida leve, mas constante e o ritmo inicial sem aquecimento prévio. Talvez até meio forte.

 

A praça da CTI

 

Dali seguimos pela Avenida 9 de Julho. Uma longa reta, passando pela rodoviária velha, pelas esquinas com as ruas do centro, como a Dona Chiquinha de Mattos e a Jacques Félix, mais ou menos entre as quais estava a marca do km 2. Ritmo ainda mais forte, de 5:17 minutos nesta parcial. Estava começando a ficar meio preocupado em não conseguir acompanhar, mas ainda brincando com o fato de, pela primeira vez, estar correndo na frente do Zebra. O xará, que era quem conhecia bem o caminho, estava bem, acompanhando de perto o Manoel que, acostumado a estar sempre na frente, puxava a fila.

 

Na altura da praça Monsenhor Silva Barros, o retorno, pra logo depois pegar outra longa reta, a da Rua Duque de Caxias, estreita e cheia de estabelecimentos comerciais, felizmente àquela hora fechados. O km 3 deveria estar um pouquinho antes do começo dela, a galera falou que viu o número pintado no chão, eu não. Marquei, com algum atraso, 5:14 de pace nele. Os petiscos da noite anterior estavam começando a pesar um pouco ... Mas ainda conseguia acompanhar o fluxo por enquanto. Alguns, trotando; eu, já meio fora da zona de conforto. O Edward, que até então nos acompanhava bem, ficou um pouco pra trás.

 

A igreja de Santa Terezinha

 

No final da longa reta, a passagem por um calçadão, com a única variação de piso de todo o percurso: ao invés de asfalto, bloquetes de concreto. Não vi mais uma vez a marca no chão e resolvi deixar pra lá as parciais. Atravessamos no meio dos carros, contornamos a praça Santa Terezinha com sua bela igreja e caímos na Rua Dr. Emílio Winther. No final dela, a esquina com a Avenida do Povo, passando pertinho da largada; e a chegada à metade do percurso. A partir dali, fim da molezinha. No acesso à Avenida Bandeirantes, uma rampinha leve, mas que me fez ficar pra trás. Quando o pessoal virou a esquina, aproveitei pra dar aquela caminhada básica.

 

O calçadão e a catedral

Pouco tempo depois, já nesta avenida que vai seguindo ao lado da Dutra, só vi o Zebra e o Manoel voltando no gás, preocupados com o Edward, que tinha sumido de vez sem deixar vestígios. Quando encontrei o pessoal todo andando, quase parados, esperando notícias, minhas e do colega de equipe 100 Juízo, fiquei até de consciência pesada. Tinha atrapalhado o treino dos caras. O Michel falou que o ritmo estava tão bom que, se continuasse assim, seria o novo R.M.P. dele nos 10 km. Olha que vacilo o meu! Tínhamos logo à frente a subida mais forte do novo percurso, a única com inclinação considerável, mas bem curtinha. Alguém falou um “vamos subir correndo?” e todo mundo, ansioso pelo fim do intervalo forçado, subiu no pique. De volta ao plano, viramos à direita, saímos e voltamos para mais um trecho da mesma avenida, em direção à rotatória de acesso às avenidas Assis Chateaubriand e Independência. Parte já quase final do trajeto. Depois deste trecho meio sinuoso, praticamente só a reta de chegada, rumo ao 5º BPM/I. 

 

 

O 5º BPM/I, local da chegada

 

A essa altura, eu já tinha voltado a perder contato com o grupo. Não tinha como esconder, estava cansado dos treinos da semana, com longão de 19,2 km e tudo. E pagando o preço por ter começado meio forte pro meu gosto. Cheguei a acelerar um pouco e a ficar perto de alcançar pelo menos o xará e o Guilherme, quando o resto da patota simplesmente disparou na frente. Mas achei melhor não forçar. Quando eles viraram à esquerda para a supresinha, que é a breve saída da reta de chegada para fazer um triângulo de pouco mais de cem metros pela Avenida Kennedy e ruas Estados Unidos e Nicarágua, resolvi terminar andando. Prometo não fazer o mesmo no dia 15 de março!

 

Apesar da temperatura amena, faltou uma aguinha, que espero que até sobre no dia da prova propriamente dita. Cheguei com a garganta bem seca, doido pra voltar pro carro e mandar ver nas garrafinhas de água e isotônico (pra rachar com a galera). Ainda bem que tinha a torneira na entrada do batalhão, que já quebrou bem o galho. Nos despedimos, primeiro do Guilherme que veio de longe, depois do Acacio, praticamente vizinho do local da corrida. E seguimos morro abaixo já fazendo o laudo técnico do novo percurso. Teve quem gostasse, pela possibilidade de melhorar significativamente o tempo, mas teve também quem achasse que a prova perdeu totalmente o glamour. Faço parte do primeiro grupo, mas não deixo de dar razão a quem integra o segundo.

 

No final das contas, desconsiderando o trecho final em caminhada com o cronômetro parado, fiz 9,33 km em 51 minutos e 5 segundos, ritmo médio de 5:29 min/km, mas distorcido pela "parada técnica" na beira da Dutra. Não foi de todo mau, mas preocupa um pouco. Estou com outro foco no momento, é claro, mas tenho que melhorar bastante e petiscar menos se não quiser chegar no final da prova aborrecido daqui a um mês.

 

Com o mistério do sumiço do nosso diretor Edward devidamente solucionado (novamente com bolhas nos calcanhares, ele parou nos boxes na metade do trajeto), agradecemos e nos despedimos do nosso anfitrião e guia Fabio Matheus; e pegamos o caminho de volta. Não sem antes fazer um pit stop na casa do comandante, pra quem ainda não conhecia, ver in loco a sua "modesta" coleção de troféus, comemorar o belo e proveitoso treino com um bom cálice de vinho e uns belisquetes. Pode até não significar muita coisa, mas saímos na frente dos nossos adversários que só vão conhecer o novo percurso no dia D. Obrigado a todos os amigos que prestigiaram o nosso evento (pedindo desculpas por ter, involuntariamente, prejudicado o ritmo de quem ia à frente) e, desde já, fica o convite para os próximos. Quem sabe até uma General Salgado Retrô, para quem não conheceu... ou quer matar saudades do percurso clássico.

 

O time titular do treino

 

Comentários no Fórum Runner Brasil:
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=88968&grupo=217825&topico=3002308&nrpag=1

Veja também:
O relato do Guilherme

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