Nós fomos invadir sua praia

Data: 21/04/2010 (quarta)

Horário: a partir das 9h25min

Distância: 14,3 km (percurso completo)

Tempos: aproximadamente 1h12min (eu)

 

No dia em que fizemos o treino coletivo nas quebradas do amigo Michel, no final de março, o próximo grande acontecimento já tinha ficado combinado. Depois de tentarmos encaixar para um final de semana sem corridas, no calendário local que já começa a apertar, acabamos optando por esse feriado de um dia só, caindo numa quarta-feira e, apesar de ser em homenagem a Tiradentes, não permitindo enforcar outros dias. Não seria um treino comum, daqueles logo ali na esquina. Dessa vez, entre os participantes e o percurso havia uma estrada, a (meio esburacada) SP-99, Rodovia dos Tamoios. Quem nos convidou e organizou tudo foi a família Narezzi, na figura de nosso grande amigo e valoroso companheiro de esporte, o Gerson. A família 100 Juízo aceitou com muita honra e, nesse dia que já amanheceu fervendo, pegou o caminho do mar, para prestigiar o evento e aproveitar o feriado fazendo o que gosta.  

 

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O percurso e a altimetria (ou “baiximetria”?) do treino

 

Depois da prova de domingo em Caçapava, fiz um trotezinho regenerativo na segunda-feira à noite, 7 km bem leves, só mesmo para soltar a musculatura. E, por conta do treino de hoje, adiantei a musculação de quarta para terça. Acordamos bem cedo e pegamos a estrada com pouco movimento, mas bastante sol na cara, dando uma prévia o que nos aguardava. Fui com a Janete e com meu sogro (levando material de pesca, para passarem a manhã procurando Nemo), o Dudu dessa vez preferiu ficar com os avós. Não houve comboio. Mas acabamos chegando quase todos juntos, eu, Sílvio e família, Zebra e equipe. Fomos recebidos pelos anfitriões, com direito até a uma bela mesa de café da manhã, parecia até a Volta da FEG! Aos poucos foram aparecendo os demais amigos corredores, como o Toninho, que já estava desde a véspera em Caraguá, participando, junto com o Gerson, inclusive da corrida de 6,5 km comemorativa ao aniversário da cidade.

 

Com a chegada do Michel e do Luis Carlos, achei que o cast estava completo, mas ele disse que tinha mais gente a caminho, parados na estrada com problemas no carro. Quando conseguimos contato, fomos avisados de que eles iam demorar ainda uns quarenta minutos para os reparos. Aí não tivemos como esperar. Fomos para a praia Martim de Sá, local da “largada”, já com quase vinte minutos além do previsto. E com uma lua cheia de dar medo. Com a distribuição dos “números de peito” trazidos pelo Zebra (é, pensa que é brincadeira, treino nosso é coisa séria!) e sorteados entre os participantes (pô, Bras, que azar, hein, parceiro?), estávamos prontos para seguir, rumo à outra praia, a do Indaiá, passando pela orla e o centro da cidade. Eu fiquei com o número 2, como quase sempre acontece na Henock Reis Filho de Aparecida. Já o capitão sorteou um número alto, 17 ou 18, sei lá... Não teve dúvidas: foi lá e tirou da sacola o número 1. E eu lá sou besta de discutir com o homem?

 

A Martim de Sá

 

O movimento chamou atenção antes mesmo de o treino começar. Quem passava por ali perguntava o que estava acontecendo, quem estava promovendo a corrida e por aí vai... Quando o organizador terminou a contagem regressiva, nós, os dezessete participantes, começamos em ritmo suave a percorrer o trajeto previamente definido e informado. Menos dois de nós: Mayke e Rafael são guris, mas não sabem brincar. Logo dispararam na frente, abrindo grande distância já na reta ao lado da Prainha, único trecho sem visão do Atlântico em todo o caminho. O bloco intermediário, que se formou à frente, tinha Gerson, Jota Júnior, Zebra, Michel, Luis Carlos, Toninho e os irmãos Márcio e Moacir. Esse último deu uma breve parada e se juntou momentaneamente a mim e ao Sílvio, que corríamos juntos. Também estavam presentes o Edward, o Bras, o Bruno, o Lucélio e a Sueli.

 

Alguém gritou lá da frente que ali já era o primeiro quilômetro. Achei que tinha começado em ritmo tranquilo, mas não era tanto assim, pelo menos para os meus humildes padrões. Estávamos abaixo dos 5’20’’/km, marca fraca para uma corrida, mas meio forte para um treino recreativo, ainda mais sob aquela temperatura nada amena. Lembrou, guardadas as devidas proporções, a Corrida Energy Sport, onde todo mundo, inclusive eu, tinha dito que iria na boa, e mal dada a largada, dispararam como se estivessem disputando canecos.... Ou uma vaga na delegação olímpica! Ao invés de diminuir esse ritmo bem pouco recomendável, o que eu, Sílvio e Moacir fizemos foi aumentar ainda mais. Embalados pelo grupo da frente (não a dupla teen, que já estava quase chegando a São Sebastião), chegamos ao Camaroeiro, ponta da praia do Centro; e pegamos o calçadão da Av. Arthur Costa Filho rodando ainda mais rápido. Quando anunciaram o km 2, a parcial nela já era de 5’ cravados. Coisa de louco!

 

A Av. Arthur Costa Filho

 

O Sílvio deu uma diminuída e eu, junto com o Moacir, acelerei um pouco mais para ir buscar a galera da frente. Emparelhei com o Zebra, cena raríssima pra mim, possível só mesmo em treinos, e se ele estiver com uma boa dose de fair play. E com o resto da turma, embora também costumeiramente mais rápidos que eu, companhias mais comuns em treinos (e até algumas provas) por aí. Estar ao lado das feras parece que me animou, fez esquecer até por alguns momentos o calor forte e a típica umidade litorânea, combinação meio destrutiva. Seguíamos todos em ritmo cadenciado, mas forte, pelo retão da orla. Não seriam mais anunciadas parciais para verificar o ritmo; e nem eu estava usando o footpod para controle próprio de distância percorrida e pace. Mas, de qualquer maneira, era certo que esse treino de hoje estava substituindo, e até ali muito bem, o fartlek da semana na planilha.

 

Mesmo não sendo das mais procuradas pelos turistas, a Praia do Centro tem um visual bonito, com Ilhabela ao fundo. A reurbanização da orla deu uma bela melhorada geral no lugar. Para quem é ciclista, uma longa e plana ciclovia. Corredores e caminhantes usam o calçadão e desfrutam da vista e da brisa. Hoje, sem o movimento dos finais de semana, estava absolutamente tranquilo correr por ali, lembrou dias de provas feitas ali mesmo na avenida, como as do Colégio Tableau e do aniversário da cidade, com pista fechada para nós. O entusiasmo parecia tão grande que, quando vi, já estava à frente do grupo, correndo ao lado do Luis Carlos. Em uma corrida fictícia (e bota fictícia nisso), estaríamos em terceiro e quarto lugar. Dava até pódio geral!

 

A Praia do Centro

 

O nosso anfitrião caprichou tanto na produção do treino que estava no local desde segunda-feira. E o esmero ficou claro em cada detalhe, como o posto de hidratação, na altura do quarto quilômetro, pouco antes da ponte, onde estavam dois voluntários (entre eles o William, irmão do Michel, que ainda não corre com a gente, mas é o “rei da água”!). E a presença no percurso da Edilaine, esposa do Bruno e fotógrafa oficial do treino. O copinho foi uma verdadeira bênção! A cada minuto, o calor parecia ficar mais forte. Saiu muita fumacinha quando os corredores jogaram água nas cabeças.

 

A partir dali, ficou claro que eu teria que fazer uma escolha. Ou readequar o ritmo, ou correr metade do trajeto e pedir carona pra voltar. Abri passagem para o Luis e falei para ele seguir em frente, porque eu ia diminuir. Ele até foi, mas, pensando melhor, resolveu também dar uma maneirada. O grupo voltou a se juntar, por bem pouco tempo. Acabamos ficando, para o trecho restante até o Quiosque do Gauchinho, ponto previsto para o retorno, eu, Toninho e Gerson. Conversando sobre as aventuras e desventuras de se preparar para uma maratona. E tentando convencer o nosso anfitrião, cujo negócio são as curtinhas, de preferência as de 5 km, a (pensar em um dia) encarar uma encrenca dessas com a gente. Deu pra ver que ele ficou mexido...

 

Parecia que chegava até o quiosque do uruguaio, mas não o tal do Gauchinho. Mas ele finalmente apareceu, anunciado pelo Gerson como sendo ao lado da árvore na calçada. Eu quase sprintei pra chegar lá. Sei que, ao contrário de mim, a maior parte dos meus amigos corredores é a favor de corrida contínua, sem interrupções. Mas não foi o caso ali. Todo mundo parou, tomou uma água torneiral, sentou um minutinho pra dar uma acalmada (menos o Luis, que fez um pit stop ligeiro e logo retomou a corrida). Até porque tínhamos um problema sério. Tal qual um Forrest Gump, nosso garoto-prodígio Mayke tinha passado direto pelo retorno e não dava pra vê-lo nem de binóculo. O Márcio tentou ir atrás correndo, mas nada feito. A solução foi emprestar uma bicicleta do pessoal do quiosque, que o Rafael pilotou para ir buscar o amigo. Assim que eles voltaram, o grupo pegou de volta a pista, no sentido contrário ao da ida. Mas, como eu havia comentado com o Lucélio, era hora de reestabelecer a verdade. A primeira metade, de cerca de 7150 metros percorridos em 37’06’’ (ritmo médio de 5’11’’) tinha sido doideira demais para um dia tão quente (mas muito bom como treino de ritmo). Agora era hora de pagar a conta, sob a forma de um trote bem tranquilo para voltar.

 

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O local do posto de hidratação / O quiosque do Gauchinho

 

Aí, com o pace caindo para, digamos, casa de 5’50’’ (talvez um pouco menos), quem passou a me acompanhar pelo Indaiá foi o parceiro de sempre, o grande amigo Toninho Corredor. E também, pelo menos até chegarmos de novo ao posto de água, o Rafael. Um pouco antes disso, encontraríamos novamente o Mayke, dessa vez andando, acusando uma bolha estourada no calcanhar. A dificuldade, mesmo em velocidade bem menor, era notória. O suor escorria pela testa e impedia até de abrir os olhos. O cooler, quando apareceu, foi um oásis e, embora no mesmo lugar da ida, pareceu duas vezes mais distante. Por ali, fazendo nova rápida pausa, o grupo do Cap. Zebra. Mas nada do resto da turma, que não tinha chegado até o quiosque. Já deviam estar bem à frente, talvez quase chegando de volta à Martim de Sá. Que inveja deles!

 

A Praia do Indaiá

 

Depois de tomar meu segundo copo (a conta tinha sido certa ou o consumo, exagerado, só restavam no recipiente mais dois, para Rafael e Mayke), criei coragem para tentar encarar os 4 km finais, ao lado do Toninho. O treino, além de físico, estava sendo bastante válido do ponto de vista psicológico. Apesar do prazer de estar ali, correndo em um lugar diferente e de belo cenário, ao lado de tantos bons amigos, a sensação era de pura tortura, uma vontade indescritível de terminar o quanto antes. O jeito mais fácil (ou menos difícil) de fazer isso era correndo e, portanto, assim seguíamos.   

 

Cruzamos todo o calçadão de volta, dessa vez passando bem mais lentos pela praia do Centro. Toninho, cuca fresca, nem viu a placa que dizia 1,7 km para a Martim de Sá, já no final da avenida. Eu preferi fingir que não vi também. Mesmo uma distância curta como essa, pouco mais de uma milha, parecia gigantesca com esse sol escaldante, que não tinha uma nuvem sequer para esconder, por instante que fosse. Eu já tinha pensado em parar e andar mil e uma vezes. Mas seguia, meio que por inércia. E até incentivei o Bruno e o Márcio, que reencontramos no Camaroeiro e retomaram também o trote dali para frente. Mas isso durou pouco. Na reta da Prainha, achei que tinha ouvido o Toninho dizer que para ele já estava bom. Não foi isso o que ele disse, mas bastou ouvir errado para me convencer. Mesmo faltando pouco, uns oitocentos metros apenas, dei por encerrada minha participação. O Toninho seguiu, indo, com a bravura de sempre, até o fim. Eu segui na caminhada com o Bruno e o Márcio, só voltando a correr para uma foto fake de chegada. Mas absolutamente sem nenhuma frustração, muito pelo contrário. Ter sido capaz de enfrentar mais de treze quilômetros, mesmo planinhos, em condições climáticas extremas como essas de hoje, mostra que a minha casca vem, aos poucos, engrossando. Nada mais útil, para quem se dispõe a enfrentar as pedreiras que eu escolho pra mim.

 

Calçadão e ciclovia no Camaroeiro

 

A estrutura montada pelos Narezzis foi simplesmente impecável. O pós-prova, então, deu baile em muita corrida por aí. Na tenda, água à vontade, sucos, frutas (maçãs, bananas, melancias). A Margarida, esposa do Gerson, a quem demos um trabalho danado hoje (e agradecemos pela paciência!), anotava os tempos de cada corredor, fazendo uma lista de classificação (!). Eu, parecendo uma esponja, absorvi tudo o que estava ao meu alcance, promovendo rápida e eficiente recuperação. E era bom mesmo, porque a segunda parte do treino, que estava por vir, também ia exigir bastante resistência da gente...

 

E aí ela veio. E foi a melhor parte do dia. Depois desse esforço considerável, com sensação generalizada de missão cumprida, fomos recebidos com muita hospitalidade por Gerson e família. A exemplo do que já tinha acontecido em outras das nossas confraternizações, um papo muito animado,  descontraído, reunindo amigos fraternos e verdadeiros, que têm na corrida seu interesse comum. Cenas divertidíssimas, que só quem esteve lá pode descrever. Assistir ao Capitão Zebra, no auge dos seus 6.2, quase 3, dando salto mortal para cair na piscina, só mesmo vendo pra crer. Vai estar em cartaz no YouTube em breve, porque essa simplesmente não dava pra não filmar.

 

A galera do treino

 

A tal da galinhada, no bom sentido, é claro, de que eu já tinha ouvido falar, mas nunca havia experimentado, que delícia, hein? Não é comidinha leve não, até mesmo porque aqui ninguém está fazendo dieta, felizmente. Corredor sofre, logo, corredor merece. Mas é muito boa, ficam os nossos cumprimentos aos autores(as) da obra-prima. Acompanhada de sobremesas variadas e do carboidrato líquido que não pode faltar, então, melhor ainda. No final do papo, surgiu até uma ideia, sobre a qual não vamos entrar em detalhes ainda (depois de conhecer esse percurso misterioso da Unimed Run eu ando meio enigmático mesmo, não reparem!), mas tem tudo para trazer grandes benefícios a todos nós, que amamos e praticamos a corrida, nosso esporte. É esperar (e trabalhar) para ver.

 

A galinhada

 

Então, é isso. Agradeço, em meu nome, nos dos meus familiares e nos de todos os companheiros que estiveram em mais essa festa, ao amigo Gerson e a toda a família. Por todo o carinho e amizade, por nos receberem maravilhosamente bem, pelo capricho em toda a estrutura do treino, pela refeição deliciosa, enfim, por tudo. E exaltar a figura desse grande cara que ele é, que não só vem se tornando cada vez mais um grande atleta, mas também trazendo consigo muitas outras pessoas. Apoiando, incentivando e comandando a equipe que leva seu sobrenome, da qual eu e meus colegas de 100 Juízo temos muito orgulho de ser amigos. Valeu, grande Gerson! Muito obrigado.

 

Olha o cara aí! Ele não é 100 Juízo, mas é quase...

 


Álbum de Fotos do Treino

Vídeo:

 

Abraços,

 

Fábio Namiuti

Veja também:
O relato do Sílvio

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