O show tem que continuar

Datas: 09 e 12/01/2011

Distâncias: 12,58 e 10,14 km

 

Chega de leseira! Você me viu (ou me leu) participando de nada menos que vinte e uma provas depois da Maratona do Rio de Janeiro, em julho de 2010. Mas certamente não me ouviu dizer que tenha treinado sério para nenhuma delas. Não sou, todos sabem, e nunca vou ser corredor de destaque. Faço o que faço na base da teimosia mesmo... Mas quando quero e vou atrás, de forma objetiva, sou capaz de coisas bem melhores do que andei fazendo ultimamente. E é o que pretendo voltar a fazer nessa nova temporada de corridas que está para iniciar.

 

Nada acontece da noite para o dia. Resgatar o corredor razoável escondido por detrás dessa figura opaca que fui durante o segundo semestre do ano que passou dá trabalho, requer uma combinação de muito suor derramado na pista e uma boa dose de disciplina para manter devidamente fechada a célebre boca nervosa deste que vos escreve. Não fui lá muito bom menino nas festas de final de ano. No Natal até que peguei leve (se comparado aos anos anteriores), mas fui derrotado pela grande variedade de pratos e sobremesas no réveillon. Pé na jaca total! Mas, ainda assim, talvez premiado por uma conduta um pouquinho mais espartana durante os demais dias do período (não me rendi dessa vez à temporada do chocotone!), vi um número até que favorável na balança ao final da primeira semana de 2011 (três quilos abaixo do registrado no mesmo dia em 2010). Fiz por merecer, diga-se de passagem. Já comecei o ano treinando bastante. Ou corri, ou malhei ou pedalei horas na ergométrica.

 

Começando um novo ciclo de preparação para o primeiro grande objetivo do ano, a Maratona de São Paulo (prevista para o dia 19 de junho), optei por repetir o mesmo planejamento que só não deu certo em Porto Alegre por conta da recidiva da lesão na virilha. Mas que me garantiu uma prova bastante satisfatória no Rio de Janeiro, na continuidade e aproveitamento do que havia sido feito até então. De todas as planilhas de treino para maratonas que usei até hoje, a de Benji Durden foi a que melhor casou comigo. Posso e devo utilizar outras futuramente, para conhecer e experimentar. Mas preferi, por enquanto, não mexer em time que está ganhando. Tendo dessa vez um prazo maior até a data da prova-alvo (PoA/2010 foi no final de maio), ganhei quase um mês extra para me dedicar ao período de base. E optei por criar para ele um neologismo próprio, a pré-base. Não sou profissional de educação física, não tenho formação e nem conhecimentos mais profundos do ramo. Mas sou um sujeito empírico, autodidata em um bocado de coisas e que acredita, sobretudo, no poder do bom senso. Seguirei, portanto, por conta e risco, buscando meu próprio caminho, embasado naquilo que creio funcionar melhor para mim.

 

Fechando essa primeira semana cheia do ano, recebi e aceitei com gosto o convite de meu amigo Jorge Monteiro para acompanhá-lo no início de sua preparação para a Meia de Paris (u-la-lá!). Estendi o convite ao agora ribeirão-pretano tuiteiro @SilvioAmerico, de passagem pela cidade no final de semana; e nos encontramos, na manhã do domingo, dia 09/01, para um agradável passeio do Shopping Colinas até o Urbanova, percurso já bastante conhecido nosso, mas novidade para o amigo visitante. Debaixo de um sol forte, que apareceu sob encomenda (de quem?) só para o treino, em meio a essa chuvarada que não para mais, rodamos algo em torno de 12,5 km, em ritmo bastante tranquilo. Ao ponto até de me garantir uma média de 129 batimentos por minuto na frequência cardíaca.

 

Percurso do treino

 

A altimetria peculiar segue sendo o grande barato deste trajeto, juntamente com as ruas tranquilas, com pouco, quase nenhum, fluxo de veículos no dia e horário. Além do trecho praticamente plano de dois quilômetros de ciclovia e pista de caminhada, que começa na frente do parque aquático e vai até pouco antes da rotatória da entrada do Urbanova, na ponte sobre o rio Paraíba do Sul, onde já aconteceu até a primeira “corrida” de 2010 na cidade, temos também o do próprio bairro, esse sim com subidas e descidas a gosto do freguês. Por ali tem até a famosa rampa onde malucos beleza descem corajosamente de skate ou carrinhos de rolimã. Nós costumamos ir pelo trivial, pegando a direita na rotatória e passando pela pista de baixo da Av. Possidônio, encarando “apenas” três lombas de inclinação e distância variáveis. A pior delas, a última, para chegar à portaria de um dos condomínios bacanas da região. Depois, passando em frente à igreja e a universidade, só alegria piramba abaixo... Poderíamos até ter esticado um pouquinho a brincadeira, se antes da rampa virássemos à direita para pegar mais quase 2 km até a portaria de outro dos condomínios, mas ficou para uma outra oportunidade.

 

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Altimetria do treino

 

E não só de coletivos foi essa primeira semana útil de 2011. Procurando também poupar o joelho, que chiou depois do tanto que foi exigido na temporada anterior, fiz outros três treinos em superfícies macias. Não são muitas as opções para quem vive na civilização, mas deu para revisitar o Parque Vicentina Aranha, a Área Verde do Bosque e o Centro Poliesportivo João do Pulo, cenários de tantos dos meus ensaios anteriores, mas que andaram meio abandonados por mim nos últimos tempos. Bacana constatar que, apesar de serem apenas rodagens livres, sem ritmo predefinido e nem maiores exigências de velocidade, essas sessões mostraram que eu não estava totalmente enferrujado pela paradeira de final de ano. Não dá pra considerar casa de 5’20’’ ritmo forte, nem mesmo para esse velho pangaré (que chega aos 4.0 em março!). Mas a expectativa era de estar bem longe disso, pelo menos nesse recomeço. Boa e agradável surpresa, mais uma, aliás.

 

Como agradável foi também voltar a encontrar os amigos, alguns que não via há tempos, como o Renny, outros que até já tinha encontrado neste ano, como o Seneval e o Vander Mineiro. A maior parte, entretanto, “sumida” mesmo desde o final de 2010. Nem todos atenderam ao chamado, há os que estão se recuperando de contusão, como o Bruno Narezzi (melhoras!), os que ainda estão em férias e nem deram sinal de vida e outros em atividades distintas, como o Ronnie, fazendo hora extra no serviço (esse é trabalhador!) ou o Michel, preparando-se para ser o novo Mister Universo. Ainda assim, conseguimos reunir no estacionamento do Parque Santos Dumont, no final da tarde desta quarta-feira, dia 12/01, um animado grupo de doze corredores, onze na foto abaixo e mais a autora do instantâneo, que preferiu não aparecer conosco (mas correu muito bem!).

 

Galera reunida antes do treino

 

Mineiro e Manoel pediram desculpas e, seguindo recomendações do treinador, foram fazer um trajeto distinto do nosso, maior e, evidentemente, em velocidade bem mais alta. Os dez demais seguiram o percurso previamente bolado por mim, passando por algumas das principais avenidas da região central e, de caso pensado, evitando rampas mais inclinadas (pelo menos para cima!). O tráfego meio pesado do horário atrapalhou um pouco, mas não impediu um treino bastante proveitoso. Com vinte minutos de tolerância, esperando aqueles que sempre chegam de última hora (mas dessa vez não chegaram), partimos pela Adhemar de Barros, sentido centro da cidade, assustando motoristas e transeuntes das redondezas com o movimento.

 

Percurso do treino

 

Com o mapa acima devidamente impresso, fiz uma rápida explanação antes do treino, mas ainda assim tive que começar puxando a fila. Ao meu lado, ninguém menos que o Wagner, que mostrou na câmera dele imagens e vídeos do treinamento para tropa de elite que está fazendo. Se o cara já não é fraco normalmente, imagina com isso! Como se quisesse transformar a rodagem livre em treino de ritmo, acelerei no trecho plano dos primeiros quilômetros, passando pelas avenidas 9 de Julho e Madre Paula e depois descendo forte a São João. Cheguei a fazer parcial a 5’05’’. Não é coisa para o momento. Pretendo voltar a ser capaz de rodar abaixo dos 4’30’’, como já fui num passado não muito distante, mas isso a médio prazo. Por enquanto, tenho que me recolher à humildade das condições atuais. Buscando, é claro, empurrar o VO2máx para cima novamente, o que só se consegue saindo da zona de conforto. Tudo a seu devido tempo...

 

Altimetria do treino

 

Na reta da Av. Eduardo Cury já comecei a ver os mais ligeiros sumirem na frente. Acompanhar o Capitão Zebra, e conversando, ainda por cima, é tarefa árdua demais. Mesmo que ele esteja declaradamente em ritmo de férias. Deixei então que ele seguisse na própria toada. A partir dali, acabava a brincadeira. Embora seja numa inclinação bem mais leve que as demais vias de acesso da região oeste para a central, a Anchieta é também uma subida. O percurso das provas Unimed Run e Oscar Running Night foi revisitado em alguns pontos, mas, na hora de escalar, eu prefiro quase sempre seguir pela Borba Gato, bem menos cruel. Por ali, reencontrei o Luis Carlos, que também costuma ser da turma da frente, mas hoje estava se recuperando de treinos fortes de outras modalidades e preferiu pegar leve. Quando resolvi dar uma caminhada marota para voltar os batimentos a níveis toleráveis, ele me chamou pra seguir junto, mas eu só fui alcançá-lo de novo já no final da rampa, pegando depois do cotovelo o trecho do começo da Av. São João.

 

O ritmo exagerado do começo, tal qual em algumas corridas, cobrou a conta na segunda metade. O pace bonito, perto dos 5’, subiu e até ultrapassou os 6’, se estabilizando em torno disso mesmo quando dava para seguir novamente mais forte, no trecho praticamente todo plano a partir do sexto quilômetro. Solidariamente, o Luis Carlos, mesmo sobrando, preferiu me acompanhar. Amigo leal e de longa data. Salvou, literalmente, o meu final de treino, porque a vontade mesmo era de assobiar e cortar caminho. A Madre Paula, caminho de ida, também virou o da volta, no sentido contrário. Atravessamos a 9 de Julho e a própria Adhemar de Barros, para onde regressaríamos, mas fomos fazer um tour pela Francisco José Longo, um pequeno apêndice só mesmo para fazer o percurso superar os dez quilômetros. No traçado original, feito no site MapMyRun, ele teria cerca de 10,5 km, mas, na prática, com tangentes mais justas e aferição por GPS, ficaria com 10,14 km no total. O ritmo médio fecharia em 5’49’’, prejudicado pela falta de regularidade. Não tinha problema. Ela tem ocorrido na prática nos treinos do dia-a-dia, quando realmente importa. Esse de hoje era só mais para festejar o reencontro mesmo. E valeu! Acho que todos os presentes curtiram bastante essa primeira das muitas “reuniões” que pretendemos fazer durante toda essa nova temporada. Cada qual com seus objetivos, mas todos sabendo que treinar com amigos é unir o útil ao agradável. Que venham os próximos treinos! Sintam-se todos oficialmente convidados para eles.

 

Depois do treino, a indispensável hidratação

 

E a coisa segue mais ou menos por aí... Na pegada dos treinos, correndo atrás do tempo perdido (e do peso achado!), aumentando aos poucos a distância e a cadência. Ainda nesse mês de janeiro, nos dias 23 e 30, já começam a pintar as primeiras provas de 2011. E não começam fracas não! Logo de cara, uma bela pedreira de 15 km, nos paralelepípedos, subidas e estradas rurais do sul de Minas, em Paraisópolis. Depois, pra compensar, uma mais leve um pouco, os 10 km do Circuito de Corridas do Carteiro, em Osasco, provavelmente com uma grande caravana 100 Juízo presente. Em fevereiro, já tem FlexPé em Mogi e também a Meia Maratona de São Paulo na agenda. Vem muita coisa bacana por aí, como sempre. Com muitas boas histórias, espero, pra contar aqui.

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 

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