De dia eu rondo a cidade

Data: 15/08/2009 (sábado)

Horário: 7h26min

Distância: aproximadamente 27,35 km

Tempo: 2h41min

 

E o ciclo que começou em junho segue o seu curso e entra agora na reta final. Faltam menos de trinta dias para a minha terceira maratona. Uma que eu não planejei com muita antecedência, que resolvi fazer meio na base da teimosia, um pouco frustrado pelo mau resultado obtido na segunda, no mês de maio em São Paulo. Vem aí a Maratona das Praias e eu aproveitei bastante estas últimas semanas sem participar de provas para colocar os treinos para ela em dia. Treinei bastante, quebrei meu recorde de quilometragem semanal (83 km) e devo até fechar este mês de agosto com uma nova marca mensal, coisa que não imaginei que conseguiria repetir (foram 310 km no mês que antecedeu minha estreia nos 42 km no Rio). Ficar afastado das corridas, de que tanto gosto, foi chato, mas serviu para oxigenar bastante coisa. Só não os cabelos, volto domingo em Sapucaí Mirim com eles da mesma cor, hehehe...

 

Outro claro benefício destes finais de semana sem botar medalha no peito foi poder treinar no horário das provas. Fazendo longões durante a semana, quase sempre nas sextas-feiras à noite, eu estava, a bem da verdade, praticando outro esporte. É muito diferente correr com a temperatura agradável do final do dia, infinitamente mais confortável que sob o sol. Mas o Brasil não tem (pelo menos não ainda) maratonas noturnas. Eu estava começando a ficar preocupado em fazer toda a preparação para a prova em temperaturas baixas e chegar no dia 13 de setembro para enfrentar uma lua cheia de 30 graus ou mais em Bertioga. Ainda não veio o calor de verdade, mas pelo menos pude enfrentar termômetros acima dos vinte e poucos graus, coisa que ainda não tinha acontecido nos primeiros longos da planilha.

 

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O percurso do treino – parte 1

 

 

Para este quarto e último treino acima dos 24 km durante as “férias” das corridas, aproveitei o convite que recebi do amigo e diretor Edward, da equipe 100 Juízo, para um tour de 12 km na fazenda (sim, literalmente falando) e somei a estes os quase 16 km que separam o meu bairro, Jardim Satélite, zona sul de São José dos Campos; e o Jardim das Flores, extremo leste, vizinho ao distrito de Eugênio de Melo. Perfeito! Estavam praticamente fechados os 28 km previstos na planilha. Teria a sempre agradável companhia dos amigos de equipe na parte final da minha missão. Chamei bastante gente via e-mail, mas não houve muita repercussão. Os companheiros habituais de treinos estavam todos em outras atividades nesta manhã de sábado. Fica para as próximas.

 

Mesmo tendo voltado para casa bem tarde, após sermos recebidos em um agradabilíssimo jantar na casa do amigo Jorge; e dormido bem pouco na noite de sexta, acordei disposto para enfrentar o longo caminho cruzando a cidade. Saí antes das 7h30min, já com um sol forte, mas ainda com o friozinho gostoso da manhã dominando. Já iniciei o trote assim que abri o portão, bem lento, buscando o aquecimento. Que demoraria um pouco a vir, já que o início do trajeto quase sempre é em descida. Peguei a Avenida João Paulo I e, antes de passar pelo Viaduto Frei Galvão, atravessei a pista para pegar a Avenida Mário Covas no contrafluxo. Mesmo com pouco movimento nas ruas, com a bruxa à solta como anda, todo cuidado é pouco. Viaduto Talim em fase final de construção, mas, o mais importante, o meu trecho habitual de treinos, principalmente os regenerativos em terreno totalmente plano, sendo finalmente iluminado. As rodagens noturnas ficarão bem mais tranquilas, para mim e para quem me espera de volta em casa.

 

A Avenida Mario Covas e a arte do Viaduto Talim

 

Mesmo longa, a parte plana pareceu ter durado bem pouco. Logo veio o trecho bem mais antigo da avenida, que tive que atravessar para pegar o acesso a ela, parte principal e mais extensa do caminho: a Rodovia Presidente Eurico Gaspar Dutra, mais conhecida pelo seu último nome ou pela sigla BR-116. Sim, a estrada que liga Rio a SP, a mais movimentada e uma das mais perigosas do país. No trecho que passa pela minha cidade, ela é em boa parte ladeada por marginais, pistas auxiliares com um pouco menos de tráfego e menor velocidade. E, em menor escala, por calçadas estreitas, mas onde é possível correr com um pouquinho de segurança. Não é algo que eu recomende pra ninguém, mas é um lugar onde eu corro de vez em quando, tomando o máximo de cuidado para ver e ser visto.

 

Se eu estava procurando aquecimento no começo do treino, nesta parte a busca já era pelo inverso. O calor já tinha aumentado bastante, parte pelo horário, parte pela atividade em si. Tendo combinado às 9h com o pessoal na casa do capitão Zebra, tinha uma margem de manobra bem pequena. Qualquer parada para reabastecimento, além de difícil pela falta de opções à beira da estrada, iria provocar atrasos e prejudicar o treino da rapaziada. Mesmo na base do trotinho, segui em frente, sem interrupções. Pelo menos até começarem as subidas. A primeira delas era a que começa no viaduto entre os bairros Jardim Paulista e Jardim da Granja e vai até a passarela da Vila Industrial, em frente ao acesso à refinaria. Não muito íngreme, mas longa à beça. Subi na boa, pelo gramado, fugindo dos buracos e irregularidades do terreno, ainda ressabiado com a queda sofrida na entrada do Urbanova pelo Toninho Corredor, num treino comigo no final de semana anterior. Passando o viaduto entre a Vila Industrial e a Vista Verde, mais um breve trecho plano e depois, outras subidas. Na que fica em frente à ADC GM, não teve jeito, dei uma breve caminhada. Bem curta, só o suficiente para criar "vergonha na cara" (hehehe!). Compensaria nas descidas.

 

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Trecho da Dutra em São José

 

Já tinham ficado para trás dez dos quase dezesseis quilômetros; e quase uma hora. Segui passando pelas quatro portarias da montadora de automóveis, cheguei à passarela do bairro Jardim Santa Inês e à ponte por sobre o ribeirão Pararangaba (que quando caiu, anos atrás, causou um transtorno danado). Faltava só um pouquinho para finalmente deixar a marginal da rodovia e pegar a chamada estrada velha (Rod. Pref. Edmir Vianna de Moura), trecho final do caminho até o Jardim das Flores. Mas, antes, esse trechinho final da avenida era osso duro, mais uma subida das boas. Nessa eu nem insisti muito, parei logo no começo. Sol batendo forte na testa e pouquíssima vontade de encarar ladeira na preparação para uma maratona totalmente plana... Andei metade, trotei a outra e virei à esquerda quando cheguei a mais um viaduto em construção. Reta final da primeira parte. Trecho curto, pouco mais de 1700 metros, mas com direito a mais uma bela subida (e mais uma pequena pausa para caminhada). E finalmente a portaria do condomínio do capitão! Cheguei a tempo, com um atraso de menos de dois minutos. Fui recebido com um isotônico geladinho. Nem liguei que era aquele de sabor água de coco, que normalmente eu peço pra trocarem no final das corridas. Desceu que foi uma beleza! Turma reunida: além do capitão e do Edward, também o Natanael e dois garotos trazidos por ele, nova geração da 100 Juízo. Que, pelo que mostrariam logo em seguida na pista, ainda vão dar muito o que falar... O papo é sempre dos bons, mas era hora de pegar a estrada, porque o sol, a cada minuto, subia e esquentava mais. Disparamos os cronômetros na placa de trânsito em frente à portaria e seguimos no sentido contrário ao da minha chegada ao bairro. Rumo à estrada da Fazenda Ronda.

 

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O Jardim das Flores e a Estrada da Fazenda Ronda

 

Como já disse em outro relato de treino, é muito interessante conhecer novos lugares dentro da sua própria cidade. Era um lugar do qual eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha botado o pé. Desta vez, literalmente. Os corredores mais velozes se mandaram à frente e eu fiquei, no trote e no papo com o Diretor. Perguntando, principalmente, a respeito dos dados altimétricos do caminho. Ele procurou me tranquilizar, disse que não tinha nada muito forte pela frente. Mas não tardou a aparecer a primeira ladeira. Eu até tinha gás para encará-la, mas, já que o Edward convidou para andar, resolvi não fazer desfeita com o amigo...

 

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O Capitão correndo, eu e o Diretor ao fundo fazendo caminhada

 

Meu chão de terra é o Vicentina Aranha. É só ali, por quase total falta de alternativa, que eu tenho feito os treinos em superfície semelhante à que vou enfrentar em Bertioga. A areia dura das praias de lá lembra mais terra batida. Neste treino, tive a oportunidade de variar o cenário em piso similar. E tome poeira! No que passou o caminhão de lixo, subiu tanta que eu engoli e aspirei uns três tijolos, pelo menos. E que cenário! Parte do Banhado, várzea do rio Paraíba, oposta ao outro lado, que eu conhecia bem de outros treinos e carnavais. E um visual fantástico da cidade, bem ao longe. O Zebra, voltando pela primeira de muitas vezes durante o percurso, fez o papel de guia turístico, falando do local, das pessoas e até do que era plantado por ali. Era quase um documentário. Não fosse o cansaço começando a bater e o calor danado, dava até pra esquecer que a gente estava correndo. Segundo ele, o longo caminho entre as plantações que a gente via lá em baixo era a “nova pista da 100 Juízo”, onde a gente poderia dar uns tiros sempre que quisesse. Gostei da pista, mas não da ideia. Deixei os tiros para quem estava começando a correr e me recolhi ao trotinho de quem já tinha feito uma hora e meia de atividade anterior.

 

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A nova pista da 100 Juízo

 

O ritmo era bem mais forte do que eu costumo imprimir nos longões, mas confortável. Um dos garotos perguntou, com 25 minutos de treino, se já tínhamos chegado ao km 5. O Edward comentou que, na impossibilidade de medir a distância exata, estimava que no último poste do retão, estava a marca do km 6. Fiquei um pouco pra trás, conversando com o Zebra e vi de longe os outros disparando, chegando lá e nos esperando. Só que o capitão ainda quis seguir adiante, aumentando ainda mais o trajeto. A princípio até topei, mas logo em seguida dei meia-volta. Ali não tinha ônibus e nem táxi. Comecei com o Edward o caminho de volta. A reta parecia ainda mais longa agora. Antes de chegarmos no final dela, o Zebra passou falando “diiia!” (apesar de não ser mineiro) e, mais uma vez, voou na frente. A descida gostosa da ida tinha virado subida chata na volta e eu acho que foi a primeira que eu encarei inteira sem andar no dia. Mas, no final dela, num “grampo” de terra, deixei todo mundo ir embora e caminhei pela enésima vez. Somando tudo à cronometragem, em nome da honestidade. 

 

 

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O grampo de terra (ainda na ida)

 

Acontece que eu era o turista ali e tinha me esquecido disso. Chegou logo na frente uma bifurcação; e eu tive que parar na marra. Uma casinha aqui, outra ali, mas ninguém pra dar informação (e nem oferecer um providencial copo d’água!). Minutos, que pareceram muitos, depois, reapareceu o Edward pelo lado esquerdo. Era o que eu pensava ser o certo, mas, confesso, sem muita convicção. Podia ter ido parar em Timbuktu ou na Patagônia...

 

Agora faltava pouco. Voltei batendo papo com um dos novatos, falando sobre os planos para a prova em que ele vai representar a equipe pela primeira vez, no aniversário de Eugênio de Melo. Depois de uma última subida, chegamos de volta ao começo da estrada e, em seguida, à civilização, pra terminar numa (ufa!) deliciosa descida rumo ao ponto de partida. Como diz o amigo, parceiro de equipe (que não esteve nesse treino conosco porque está se recuperando de contusão) e grande corredor João Carlos, quando você treina na terra, voa no asfalto. Não como ele, é claro, mas alcancei minha velocidade máxima do dia nessa pirambeira abaixo. Missão duplamente cumprida... Aí era só posar pra foto e fazer um pit stop na casa do capitão, pra tomar uns cinco copos de suco e traçar uns salaminhos de aperitivo. Belo treino, que eu vou querer fazer de novo só com a segunda parte, para ter condições de acompanhar (sem binóculo) os parceiros. Andei um bocadinho a mais do que gostaria (e deveria), mas faz parte. Não é algo que tenho feito sempre. E é algo que vou tentar evitar no dia do vamos ver.

 

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Nova e velha geração reunidas

 

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A melhor parte do treino

 

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