Turismo dentro da própria casa

Data: 01/03/2009 (domingo)

Horário: 9h08min

Distância: aproximadamente 12,4 km

 

É coisa ainda recente, mas já começa a virar uma agradável tradição: além das provas, reunir amigos que têm em comum o gosto pela corrida também para treinos memoráveis em conjunto. De níveis bastante diferentes, cada qual com sua velocidade e condicionamento físico, mas todos aptos e dispostos a enfrentar distâncias para somar mais quilômetros às suas planilhas de treinamento. Desta vez, o “pretexto”, se é que precisamos de um, para a reunião era o aniversário do nosso amigo Luis Carlos, atleta valoroso da equipe Vinac e figura das mais simpáticas e queridas do meio das corridas de rua. Fiquei incumbido, como já havia sido também no simulado no novo percurso da General Salgado, de convocar (virtualmente) a rapaziada para a brincadeira. Nem todos os que marcaram presença em Taubaté poderiam, por vários motivos, estar conosco mais uma vez, mas além da turma arroz de festa, teríamos algumas gratas surpresas. Durante a semana, com a fundamental ajuda do Michel, divulgamos o percurso e os detalhes para os interessados (ou não).

 

O percurso do treino

 

Na manhã deste domingo, no horário (8:30) e local (estacionamento do Parque da Cidade) combinados, fui encontrar o pessoal. Cheguei praticamente junto com o Vander/Mineiro. Já estavam por lá o Manoel, o Edward, o João Carlos e o Tonico, representante da equipe Monsanto. Pouco depois, chegariam o capitão Zebra, o Michel e o nosso aniversariante. A surpresa mencionada acima foi a presença dos nossos amigos Wilson Rocha, Rogério e Gérson. Doze participantes, um a mais que no treinão coletivo anterior. Que beleza! Que, nos próximos, o grupo continue crescendo, em tamanho e motivação.

 

Vendo que não ia mesmo aparecer mais ninguém, começamos a carreata. O Mineiro observou bem: tinha mais carro do que corredor. Com parte da Via Norte devidamente liberada, chegamos rapidinho ao Jardim Telespark, bairro da região norte de São José dos Campos, de onde sairíamos rumo à fábrica da Petybon. Logo de cara, deu pra ver que o ideal teria sido concentrar o pessoal mais cedo. O calor, poucos minutos depois das nove horas, quando saímos, já estava de rachar.

 

A Via Norte

 

Tendo morado durante quase a vida toda na região oposta da cidade (a zona sul), apesar de conhecer, seja a trabalho ou correndo pelas ruas, praticamente toda a cidade, ainda existem umas poucas áreas desconhecidas para mim. Este percurso era em uma delas. Quando o Michel me enviou por e-mail o trajeto feito no MapMyRun, me ocorreu que eu teria a oportunidade de conhecer algo novo dentro da minha própria cidade. Era, além do treino em si e da sempre bacana oportunidade de reunir a galera, um atrativo a mais. Ainda mais para mim, explorador por natureza, a quem não agrada nem um pouco a ideia de fazer dois treinos repetidos e que tem verdadeira ojeriza de girar em torno do próprio eixo.

 

O trotinho de aquecimento da casa do Luis Carlos até a descidinha na entrada da ponte sobre o Paraíba do Sul, mesmo curto, já serviu para dar uma boa despertada geral. O início do trajeto, seguindo ao lado do rio, era demarcado a cada cinquenta metros, bom para quem gosta de saber a quantas anda o ritmo. Boa parte do pessoal disparou na frente. Ficamos mais para trás, eu, o diretor Edward, o Tonico e o Mineiro, que vinha de outro treino há menos de doze horas e dizia pretender se poupar. A minha planilha para a Maratona de SP marcava treino de ritmo com pace médio de 5:08 km. Só faltou combinar isso com o Astro Rei...

 

O rio Paraíba do Sul

 

Era a primeira vez que eu corria seguindo o curso (ou, neste caso, ao contrário) do velho Paraíba. Passar por sobre ele nos percursos de treinos São José afora era coisa comum, seja ali mesmo na zona norte, no bairro Alto da Ponte; ou na oeste, no Urbanova. Observando o mapa do percurso, com boas curvas e mudanças de direção, inclusive, dava para perceber que estas duas regiões da cidade, embora aparentemente bastante afastadas (de carro, quase 14 km), praticamente se tocam. Um caminho direto em linha reta pelo Banhado, como o Michel inclusive dissera já ter feito, diminuiria consideravelmente a distância. Eu ali achando tudo geograficamente um grande barato.

 

O Banhado

 

Depois de pouco mais de dois quilômetros e meio, deixamos a parte urbanizada do trajeto e entramos na estrada do Jaguari. Era errar o caminho e ir parar na represa em Igaratá! A essa altura, o grupo já tinha se desfeito. O Mineiro, que não sabe brincar, mesmo cansado, sumiu na frente. O Tonico ainda dava pra acompanhar meio de perto, mas já começava também a abrir distância. O Edward também tinha sumido, pra só reaparecer de novo na volta, mais uma vez derrubado por bolhas nos calcanhares (cuida disso aí, diretoria !!!). Restamos eu e o Michel. Ele tinha começado mais forte, mas também estava sentindo bastante o calor e os resquícios de uma gripe de carnaval e tinha diminuído bastante o ritmo. Cheguei a passar por ele, mas quando me caiu a ficha de que hoje, com esse calorão jogo duro não era dia pra correr (pelo menos não pra mim), vi que o negócio era acompanhar o camarada mesmo. Primeiro porque ele é do tipo que sempre incentiva os amigos (vendo que eu estava a ponto de desistir, falou que a gente ia só até a próxima ponte, pouco mais à frente, e já voltava). Segundo, pelo tratamento VIP: era o irmão caçula dele, nos acompanhando de bike, o responsável pela hidratação, carregando na cestinha providenciais garrafinha e garrafão.

 

A ponte, sobre o rio Jaguari, afluente do Paraíba, custou à beça a chegar, mas chegou. Confabulamos rapidamente, eu e o Michel, e resolvemos seguir um pouco mais adiante, até um ponto de onde fosse possível ver o pessoal correndo mais lá na frente. O entusiasmo durou pouco. Admiro muito quem consegue correr decentemente em uma temperatura acima dos 30 graus, como era a da manhã de hoje. Não é o meu caso (foi só na Frei Galvão do ano passado, mas eu me preparei bastante pra isso). Se eu seguisse adiante, possivelmente chegaria até a Petybon. E por lá mesmo ficaria, comendo macarrão e biscoitos o resto do dia, até conseguir uma carona de volta. Resolvi deixar para uma outra vez, em condições menos desumanas. Depois de pouco mais de quatro e meio escaldantes quilômetros, pegamos o rumo de volta. Sem nenhuma frustração, a propósito. Já tinha feito 43 km de treinos na semana, 25 deles em um só, o longão de quinta à noite.

 

Mesmo sabendo que já era volta, ainda assim não estava nada fácil. Muito de vez em quando aparecia uma sombrinha e por ela a gente seguia. Mas a sensação de secura na garganta era de enlouquecer. O Michelzinho tinha se mandado lá pra frente pra alcançar os ponteiros, como tinha que ser, e água a gente não veria mais, a não ser que caísse no rio. O Michel sugeriu um pit stop na casa dele, que ficava no meio do caminho, no Jardim Altos de Santana. Depois de reencontrarmos o Edward, que estranhou nos ver no lugar da elite, fizemos essa saída estratégica do trajeto. Cara, como desceram bem, tanto a água quanto o refri. Nem sou fã disso, mas dessa vez foi um verdadeiro néctar dos deuses. Quase secamos a caixa d’água do pai do Michel (bastante simpático e atencioso, por sinal). Quando voltamos para a pista, éramos outros homens. Pesados, barriga chacoalhando e tudo mais. Mas com disposição renovada. Aí faltava pouco mais de um quilômetro pra chegar e foi tranqüilo. Na reta final, o Rogério, voltando do percurso completo de pouco mais de 12,4 km, foi o primeiro a nos alcançar (o Manoel já tinha completado e esperava sentado na sombra). Não teria a petulância de querer acompanhar o cara, mas, reidratado, me senti tão bem nesse final (comentei com o Michel e o Edward que o problema não era nem cansaço, só mesmo o calor), que arrisquei até um sprint, no melhor estilo final de prova. Missão cumprida. 54 minutos e 46 segundos correndo no total, com a agradável obrigação de voltar um outro dia, de preferência mais cedo e com dez graus a menos, para completar (e conhecer, turisticamente falando) o percurso inteiro.

 

Foram chegando os demais amigos, todos elogiando bastante as variações (muitas subidas e descidas, mas nenhuma forte demais) do trajeto, contando que tinha rolado até lanchinho na faixa fornecido pelo pessoal da fábrica. Alguns, como o comandante Zebra, até perguntando o porquê de não existirem corridas de rua o utilizando. Fica aí a sugestão de uma nova alternativa aos organizadores de eventos esportivos.

 

Pôr do sol no Altos de Santana

 

Depois do treino, como não poderia deixar de ser, viria a confraternização. A parte realmente boa da coisa, como diriam alguns. Pena que não pude ficar muito tempo dessa vez, devido a um compromisso familiar, mas o pouco que fiquei já foi muito divertido. Deu pra beliscar a primeira rodada do churrasco (pô, Michel, eu devia ter aceitado a marmitinha!), tomar uma geladinha, bater um bom papo com essa turma que é fora de série e, é claro, fazer planos para novos treinos e corridas. Semana que vem já tem outra dessas, a Meia de SP, com a presença de parte dessa turma pra lá de animada que esteve reunida hoje. Bons amigos que a corrida me trouxe e que eu quero levar por toda a vida. Em lugares já conhecidos ou conhecendo novos.

 

O aniversariante

 

Álbum de Fotos

Veja meu livro de visitas | Assine meu livro de visitas | Contato

 

Topo da Página Volta | Página Principal Volta | Treino Anterior Volta | Próximo Treino Volta

PUBLICIDADE