O maior treino de todos os tempos (da última semana)

Data: 27/01/2011

Horário: 19h25min (40’ de atraso!)

Distâncias: de 7 a 19 km

 

E segue o baile! A preparação para minha terceira participação na Maratona de São Paulo, a segunda nos 42 km, continua em curso, juntamente com a “retransformação” deste incorrigível panga que vos escreve de volta em um corredor que não termine suas provas tal qual um avestruz, querendo enfiar a cabeça num buraco. Encerra-se nesta semana o primeiro ciclo de treinos, que eu apelidei quase carinhosamente de “pré-base”. E até que não fui mal nele. Estou, aos poucos, voltando a ser capaz de rodar distâncias razoáveis (se bem que ainda ínfimas, perto do que tenho pela frente). E em ritmos se não ainda promissores, que trazem ao menos certo alento. As coisas vão se encaminhando...

 

Para fechar bem esse primeiro mês da planilha de treinos, nada melhor que combinar com os amigos mais um coletivo. No final do ano passado, inspirado por uma propaganda de um grupo de corredores porto-alegrenses vista na internet, eu havia esboçado com o Michel e o Gerson Narezzi a ideia de um treino que tivesse múltiplas opções de distâncias, permitindo a participação de corredores de diferentes aspirações. Bastava para isso escolher um trajeto em ida e volta, onde o que variava era o ponto de retorno. Não consegui encontrar nas redondezas um melhor que o caminho do bairro Urbanova, manjado à beça de tantos e tantos treinos já executados por ali, mas sempre boa pedida por suas virtudes (predominantemente plano, com pouco fluxo de veículos e o longo trecho da ciclovia e pista de caminhada). Faltava definir o ponto de partida e chegada, mas não foi preciso pensar muito também. As avenidas gêmeas siamesas Anchieta e Borba Gato eram o lugar mais adequado, até por questões geográficas. Disparou-se a mala direta (inclusive usando agora o novo blog da Equipe 100 Juízo) e ficou tudo mais ou menos justo e acertado para o final da tarde e começo da noite desta bonita (e abafada!) quinta-feira.

 

O percurso do treino

 

Em treino não se cobra ingresso. É o famoso bloco do vai quem quer. Mas achamos por bem seguir o exemplo de outros grupos de corredores por aí. Para que pudéssemos prover os participantes de uma estrutura mínima de hidratação, tão necessária em treinos, sobretudo os mais longos e ainda mais com essas condições climáticas senegalesas dos últimos dias, sugerimos que cada um contribuísse com uma determinada quantia (R$ 2). Enquanto não conseguimos um patrocinador que banque a festa, o negócio é o cooperativismo. Contando com a habitual disposição do companheiro de equipe Wagner, que adiantou a compra de todo o material, providenciamos O QUE. Faltava QUEM. Aí tivemos que contar com a boa vontade das patroas. Janete e Tania tiveram que suportar pernilongos e dúzias de engraçadinhos que passaram de carro, a pé ou de bicicleta bancando os casanovas. Mas aguentaram firme. Somos todos muito agradecidos a elas. Haja cartão de crédito... :-(

 

A altimetria do treino

 

O que surpreendeu bastante foi o número de inscritos. Pedimos para que todos confirmassem a presença, até para podermos ter uma melhor ideia de quanta água disponibilizar, mas sempre tem aqueles que são da época dos sinais de fumaça. Mandem e-mail, gente!!! Independente disso, eram todos muito bem-vindos. Galera 100 Juízo, amigos de sempre de outras equipes e também gente nova, que apareceu pela primeira vez para treinar conosco. Ficou bonito aquele grande e animado grupo de amigos, certamente quase todos me xingando porque demorou à beça pra coisa começar, até levarmos as voluntárias ao ponto de hidratação, 3,5 km à frente; e voltarmos. A foto oficial mostra uma parte deles. Faltou o próprio fotógrafo profissa, claro; e uma meia dúzia de três ou quatro que chegou depois. Recorde de presença? Sei lá, era meio difícil de contar e, na boa, a gente nem se preocupa tanto assim com isso. Como brincou o Michel na hora: nem precisou de pernil assado dessa vez!

 

A foto oficial do treino

 

Finalmente liberada, a massa tomou a pista da Borba Gato. Eu ia até sugerir que começássemos pela Anchieta para curtimos o visual bem mais bonito da pista de cima, mas a comunicação ali não estava lá muito fácil. Ô, baruêra! Iniciei ao lado do Fernando, marido da minha prima Ana Paula, agora cidadão joseense e participando pela primeira vez conosco de um treino (seja muito bem-vindo!). Animado e embalado pela descida, acelerei um pouco e fui alcançando alguns dos demais amigos à frente. No final da primeira reta, estava correndo ao lado do Juarez e do Rodrigo Aleixo. Na segunda, na companhia do diretor Edward. O ritmo inicial era bom e confortável, mas, opa, de quanto era ele mesmo? Não dava pra saber... O mocorongo aqui tinha feito um treino na esteira na véspera, desabilitado o GPS e esquecido de reabilitar. Resultado: com o aparelhinho ligado depois, o primeiro quilômetro passou com bizarros 8’38’’. Dãããããã...

 

Av. Borba Gato vista da Av. Anchieta

 

Depois de passarmos pelas avenidas iniciais e tomarmos buzinada de motoristas mais afoitos (devem ser aqueles mesmos da Oscar Running Night, vai saber!) perto da praça do Maconhão, enfim chegamos ao oásis da pista da Av. Lineu de Moura. No final da rampinha, coisa leve, quase nem dá pra perceber que se está subindo, estavam nossas water girls (com a surpresa de encontrar por lá também um water boy, o nosso companheiro 100 Juízo Cezinha). Eu passei reto, sabia que precisaria bem mais da garrafinha na volta, mas houve quem já garantisse a sua ali mesmo na ida. E também quem já usasse o posto, em frente à entrada do clube de campo, como ponto de retorno para cumprir a menor das distâncias programadas, os 7 km. O Adriano, por exemplo, já pegava embalado a descida de volta.

 

Chegando ao posto de hidratação

 

A partir dali, a pista estreitava um pouco, mas continuava com espaço para pedaleiros, caminhantes e corredores (desde que não todos ao mesmo tempo). O próximo marco definido como opção de retorno era a rotatória de entrada do bairro, logo depois da ponte sobre o rio Paraíba. Quem voltasse dali, iria rodar algo em torno de 9 km. Para inteirar logo dez, era só passar um pouco, indo até um trecho da Av. Possidônio. Faltou ali o Toninho, nosso aniversariante do dia (que, como de hábito, está curtindo sua temporada de verão), que não tem lá muito boas lembranças daquele trecho (levou um belo capote uma vez na descida!), mas certamente gostaria muito de estar comemorando conosco seus muito bem vividos sessenta e quatro anos. Parabéns, garoto!!!

 

Rotatória de entrada do Urbanova

 

Uma nova reta com duas opções: a pista de baixo, para quem não é lá muito fã das subidas. E a de cima, especial para quem acha um tédio correr no plano. Adivinhem em qual delas eu fui? E ainda arrastei mais gente comigo, sugerindo a via menos dolorosa... Hora de começar a desejar bom retorno aos amigos. Primeiro o Brazilino, que bateu e voltou ao chegar ao laguinho, o ponto com menor precisão entre os sugeridos (o dos 12 km), até porque ficava difícil de reconhecer exatamente onde estava a referência no mapa (perto da margem de um deles). Depois o Paulo Gallo, mais fininho do que nunca e voando baixo, que escolheu a sede do GACC e seus 14 km. Wagner, Milton, Zebra, Narezzi e Seneval, entre outros grandes corredores, já tinham feito o bate-e-volta na placa que indicava a entrada para o condomínio Paratehy, ponto-limite dos 16 km. Onde eu também pretendia fazer o meu. Tinha 1h45min anotados como meta do dia na planilha e não estava com esse pique todo para seguir os mais valentes e encarar o trecho até a portaria do condomínio, que iria totalizar 19 km.

 

Portaria do Paratehy, onde chegaram os mais corajosos

 

Depois de um longo caminho solitário (com exceção de um breve trecho, alcançado pelo Renny, que parou para “calibrar” o gadget marcador de velocidade e distância), na base da subida fui reencontrar o Michel. O ritmo forte do começo já tinha sido substituído por algo um pouco mais adequado para um treino longo e em temperatura alta como aquele. Rodamos juntos apenas um pequeno pedaço, ele comentou sobre alguma coisa no pé e parou. Já voltando dos 19 km, vinha com todo o gás o Manoel. Esse não é humano... Tive até uma fugaz vontade de seguir adiante, mas preferi continuar comendo pelas beiradas, aumentando de pouco em pouco minha rodagem e deixando a distância completa para uma outra oportunidade. Conformado, comecei o caminho de volta encontrando o Ronnie, que achei que estivesse no grupo da frente. Se soubesse que não, teria incentivado a seguir comigo desde o começo.

 

Cidade vista do Paratehy

 

Agora já tinha escurecido de vez e nem todo o trecho era bem iluminado. Alguns postes sem lâmpada (vandalismo?) me obrigavam a redobrar a atenção para ver direito onde estava pisando e evitar tombos ou torções. A calçada tinha sido reformada recentemente e estava em bom estado, mas nem sempre dava para correr por ela. Em alguns pontos, mato e árvores do outro lado da grade invadiam e obrigavam a volta ao asfalto. Mas estava bem gostoso de correr. A temperatura, finalmente um pouco mais amena, inspirou uma breve volta aos paces parecidos com o do começo do treino, na casa dos 5’30’’. Até chegar de volta ao posto de hidratação, o pique até que foi razoável. Mas dessa vez não só peguei minha garrafinha, como dei uma parada para respirar. O Michel passou zunindo e eu tratei de ir atrás. Uma companhia para esses últimos 3,5 km era muito bem-vinda.

 

Cai a noite no posto de água.

 

Dali pra frente, embora o percurso fosse mais árido, até que as coisas foram tranquilas. Batendo papo, parece que o tempo passa mais rápido. Rodamos bem mais leve do que estamos acostumados, sempre acima dos 6’ e beirando até os 7’ nos trechos de subida, mas o importante era chegar bem. Quando o Michel chamou para escalar a Anchieta ao invés da Borba Gato, eu titubeei. Pessoalmente, prefiro diluir a subida em um trecho mais comprido ao invés de encarar um paredão de uma vez só. Mas fui na onda do amigo. Até que foi boa ideia. Pelo menos acabou mais rápido. Encontrar o Wagner voltando e avisando que estava indo resgatar as meninas e o meu carro foi uma boa. O cara pensa em tudo! Aí foi só chegar e cumprimentar, um por um, todos os bravos guerreiros e guerreiras que venceram mais essa parada. E que fizeram por merecer a homenagem que bolou o nosso amigo Rodrigo (valeu mesmo, cara!). Sacada genial essa de entregar certificados de conclusão do treino. De fora, ou pra quem não corre, pode até parecer meio esquisito, mas, quem recebeu, acho que gostou bastante. Fomos recebidos com mais água, sucos e frutas que o Wagner providenciou; e barras de cereais gentilmente trazidas pelo Renny. Caíram muito bem!

 

O certificado do treino

 

Muito bacana acompanhar as chegadas triunfais daqueles que optaram pelo maior dos percursos. Tonico, Luis Carlos, Renny, Luis e Ronnie estão de parabéns, bem como todos nós, que corremos quaisquer distâncias. Destaque também para a nossa querida amiga Cristiane, que ficou parada um bom tempo por contusão, mas voltou firme e forte, pronta para todos os desafios que 2011 certamente irá trazer. Era visível no semblante de todos a sensação de missão cumprida, a alegria do objetivo pessoal alcançado. Coisas de corredor! Quem não foi, perdeu... Mas certamente teremos outros treinos, tão bacanas quanto, ou até mais do que esse. Até eles!

 

Alguns dos concluintes exibindo com orgulho seus certificados

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 


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