De norte a oeste (e vice-versa)

Data: 13/02/2011

Horário: 8h30min

Distâncias: de 8 a 20 km

 

E a fila continua andando... Lá se foram as seis primeiras semanas deste ciclo de preparação para o meu objetivo maior do primeiro semestre do ano. E se a evolução ainda não salta aos olhos, ela talvez se faça notar nos detalhes. No último treino coletivo, duas semanas atrás, por exemplo, eu invejei (no bom sentido da palavra) os valentes que encararam a maior distância prevista, não me sentindo ainda devidamente preparado para ela. Desta feita, estava entre eles e me senti em casa, no meu lugar. Mesmo não sendo titular absoluto, fazer parte do time dos malucos beleza é sempre motivo de grande satisfação pessoal.

 

O sucesso de público e crítica que o último obteve nos induziu a marcar, com um pequeno lapso de tempo, um novo treinão no estilo quem quiser pode chegar. Repetimos alguns dos itens que foram do agrado geral, como o percurso em bate-e-volta, com múltiplas opções de distâncias e a arrecadação de verba para a montagem de um posto volante de hidratação. Mas também fizemos algumas mudanças no planejamento, sendo as duas principais o local da concentração e o horário. Deixei dessa vez a confecção do itinerário por conta do grande parceiro Michel, que desta vez não seria tão bad boy quanto na outra, em que nos botou para escalar paredões verticais na sua quebrada. Mas também não lá muito caridoso... E aproveitamos um intervalo razoável no calendário de provas no Vale e adjacências (precisamos melhorar a distribuição das nossas corridas durante o ano!) para buscar algo muito importante: a especificidade. Não adianta muita coisa treinar à noite, com temperatura amena e brisa suave no rosto, pra depois ir para um caldeirão enfrentar corrida. Treinar é simular. Inclusive o sofrimento.

O percurso do treino

 

Pena que nem todos que confirmaram durante a semana puderam aparecer (Edward, Paulo Gallo, Rodrigo Aleixo, Narezzi, por onde andaram vocês nessa manhã de domingo?), mas, em contrapartida, tivemos gente que pintou de surpresa também. Todos, novatos ou veteranos, são sempre muito bem-vindos. A “foto oficial” mostra um grupo menos numeroso que o do treino anterior, mas igualmente animado.

 

Galera reunida antes do treino

 

Teríamos hoje um desfalque importante. Presença certa em praticamente todos os grandes treinos que já fizemos, nosso amigo Luis Carlos foi acometido de uma fasceíte plantar e, sabiamente, optou por se poupar e seguir bem com a sua recuperação. Tem também a mesma maratona na alça de mira e sabe que ela é prioridade. Mas isso não significou ausência, muito pelo contrário. Solidário, ele apareceu por lá e, conforme combinado durante a semana, se ofereceu como voluntário para o posto de água. Convocados, a Juliana, namorada do nosso companheiro de 100 Juízo Ronnie e o William, irmão do Michel (trazendo um amigo), também nos ajudariam nessa missão. Seriam nossos anjos da guarda em mais um dia de fritar ovo no asfalto...

 

O Poliesportivo, local da concentração

 

Bem que a gente tentou adiantar o lado, mas não teve jeito. Os detalhes logísticos nos levaram mais uma vez a um belo atraso na largada, dessa vez de exatos 30 minutos. Complicou um pouco, porque às 6h45, quando acordei, já tinha passarinho se abanando com a asa... Mas não impediu que o grupo partisse alegremente quando finalmente foi liberado. O trajeto começou em frente ao Centro Poliesportivo do bairro Altos de Santana e seguiu ao longo do rio Paraíba até a rampa de acesso à ponte por sobre ele. Mesmo caminho, só que em sentido contrário, de outro treino realizado ali nas redondezas, dois anos antes.

 

Já vínhamos há algum tempo cogitando o aproveitamento da Via Norte, obra viária importante para a região (e bastante “duradoura”) como parte de um dos nossos treinos. A abertura, pelo menos para pedestres e ciclistas, do trecho que liga a nova avenida ao centro da cidade deixou a escolha bem mais adequada. No trecho com ciclovia e pista de caminhada, bastante utilizado por praticantes das modalidades de atividade física, mas hoje com pouco movimento deles, já deu pra sentir que o sol tinha vindo pra fazer estrago, apesar de umas esperançosas nuvenzinhas, aqui e ali. Quando a minha viatura pilotada pelo L.C. apareceu, teve gente que pensou que já era o primeiro posto de água! Nada, só pausa para umas fotos mesmo...

 

Na Via Norte

 

Seriam bastante variadas as companhias de treino durante o trajeto. Tinha começado a correr com o Amazonas, depois segui por algum tempo com o Michel, com o Ronnie, com o nosso churrasqueiro Elizeu, entre outros amigos. Os ritmos, como sempre acontece nesse tipo de treino, eram bastante distintos. Cada um no seu próprio, sem prejuízos e nem qualquer tipo de cobrança. Em alguns momentos, também correria sozinho. Mas quase todo o tempo, tinha alguém para trocar algumas palavras e desfrutar da companhia agradável. Até o nosso capitão Zebra, habitualmente inalcançável nas corridas, hoje seguia em ritmo bem mais confortável, dando apoio aos participantes (como também faria o Natanael) e correndo até de costas em alguns trechos (vai fazer graça, vai!).

 

Conforme tinha alertado o Wagner em conversa por e-mail durante a semana, o mapa do percurso tinha que vir em uma embalagem com o alerta “CONTÉM PIRAMBEIRAS”. A primeira delas surgiu com o requinte de crueldade de ser dividida em duas partes. Uma logo depois de passarmos por sob o viaduto da linha ferroviária e outra já no acesso ao centro da cidade, a velha e conhecida rampa da Av. São José, recém-recapeada (segundo o Michel, mediante ordem dele). Um belo desnível de mais de trinta metros diluído ao longo do quarto quilômetro, derrubando lá pra baixo o ritmo, que tinha começado bem tranquilo no primeiro, mas se tornado promissor entre o segundo e o terceiro, ficando na casa dos 5’30’’.

 

altpolioeste.jpg

A altimetria do treino

 

No topo do morro, passamos pela rodoviária velha e chegamos ao ponto, ao lado dos mastros das bandeiras, na orla do Banhado, onde estava montado o posto de hidratação. Com o Luis e a Juliana socorrendo os que já começavam a tostar. Eu passei batido por esse. Estabilizei num ritmo não tão bom quanto o da parte baixa, mas constante o suficiente para ser repetido nos dois quilômetros seguintes, o quinto e o sexto. Alguns companheiros de treino perguntavam que número indicava o apitinho do GPS, querendo saber se já chegara seu ponto de retorno. Quem quisesse rodar 8 km, deveria voltar ao chegar no topo da ladeira. Para 10 km, a referência era o início da curva do “S”, onde a Av. São José (ou Madre Tereza, ninguém sabe bem onde uma termina e outra começa) deixa de ser reta. O retorno dos 12 km é que ficou meio confuso. No mapa, parecia ser no comecinho da Av. Anchieta, local de onde tínhamos partido no treino coletivo anterior. Mas o bipe só foi dizer “volte!” bem à frente. Fui chamado de mineiro, daqueles que dizem que tudo “é logo ali”... Sô mesmo, uai!!!

 

Visual do Banhado

 

O trecho em declive dos quilômetros seguintes, bem conhecido de quem fez provas como a Unimed Run e a Oscar Running Night, deu um belo gás para os quilômetros seguintes. Animado, alarguei a passada, abri alguma distância do grupo que vinha comigo e cravei a melhor parcial (modestos, mas dignos 5’28’’) de todo o treino no km 8, depois de pegar minha garrafinha (que seria filha única) na “segunda edição” do posto de hidratação e topar ali nas redondezas com nosso amigo Vander Mineiro fazendo um treino solo de 25 km. Consegui, milagrosamente, atravessar sem parar e nem quebrar o ritmo o complexo e movimentado cruzamento com a Av. Eduardo Cury. Ganhando uma nova avenida, também bem manjada de tantos outros treinos por ali, mas sempre agradável de percorrer. Já não era mais zona norte e nem região central. Era a Via Oeste.

 

E também passaria a contar com uma nova companhia de treino para esse trecho. Depois de encontrar com o Renny parado no posto de água, seria alcançado por ele na pista de caminhada ao longo do muro do condomínio. Sempre muito bom estar ao lado de alguém com tanta experiência, anos e anos de janela, várias maratonas e até uma Bertioga/Maresias solo. As feras voltavam em duplas (Manoel/Wilson e Wagner/Seneval), parecia até vôlei de praia. No retorno, quando a avenida encontrava o trevo de acesso ao Jardim das Indústrias, o Lucelio disse que a marca exata era na placa verde no topo do morrinho. Por sorte, meu relógio avisou antes e deu pra escapar dessa...

 

Via Oeste

 

Cena rara, se não inédita, foi encontrar um Zebra ainda indo, sendo que eu já voltava... Só mesmo em treino, e olhe lá! Mas a alegria de pobre, como sempre, durou pouco. O capita fez o balão e já começou a colocar os pingos nos is. Passou e logo abriu distância. Não que eu estivesse mal. Manteria uma passada quase constante em todo o trecho da via, tanto na ida, quanto na volta, chegando até a dar uma breve reacelerada no último pedaço, retornando ao cruzamento. Estava satisfeito só de conseguir fazer isso já com 12 km rodados e um clima bastante abafado. Teria que usar isso ou qualquer outra coisa como motivação, porque as coisas a partir dali, eu sabia bem, iriam complicar.

 

A primeira rampinha, da esquina até a rotatória, era curta e foi tranquila. O trecho dali até a padaria, onde ainda estava o Luis Carlos, mas não mais a água, um pouco menos. Receber a notícia de que teria que prosseguir a seco foi meio complicado... Mas ainda assim continuei animado, até porque o Zebra foi acompanhar um grupo de corredores(as) da Equilíbrio, também realizando um treino por ali e, com isso, voltei a alcançá-lo. O Renny tinha ficado antes do fim da Via Oeste, dizendo que tinha que tratar de uma bolha que arrumara. A companhia do velho mestre para o trecho mais difícil era muito bem-vinda.

 

Mas, ainda assim, a queda da cadência foi brusca, diria até meio preocupante. Não tinha nem chegado perto dos 6’/km até então. E passei deles nos dois quilômetros seguintes. Por bastante, inclusive. Optei, como tinha feito com o Michel duas semanas atrás, por subir pela Av. Anchieta mesmo, curta e bastante inclinada. Talvez menos desgastante, àquela altura, entretanto, que a suave, mas interminável Av. Borba Gato. Na volta ao trecho plano, deu pra recuperar um pouco o tempo perdido, mas as coisas já começavam a ficar meio hardcore. A volta do sol forte era indício maior disso. Não via a hora de chegar ao posto e pegar minha segunda e tão aguardada garrafinha...

 

Apoio amplo, total e irrestrito

 

Ali tinha até mais gente do que eu esperava. Não só o Luis e a Juliana, mas também o Ronnie e o Natanael. Mas o que eu recebi foi uma das garrafas de suco, também adquiridas para o treino, mas a princípio reservadas para o final dele. Quase parei. Não no bebedouro da rodoviária, que seria uma alternativa, mas de vez... Bateu um desânimo danado. O suquinho de abacaxi até que desceu redondo, mas tem hora que é só água mesmo o que você quer. Quem corre, sabe... Ainda bem que era descida, e descida das boas! Deixei o corpo ir embora, no piloto automático. Rampa abaixo é covardia, mas por um mísero segundo não repeti de novo a melhor marca parcial do treino.

 

Mas sem ilusões... O cansaço começava a bater, a sede idem. O rendimento voltou a cair e isso repercutiu no sumiço do Zebra no horizonte, junto com o Renny que, devidamente recuperado, voltou a rodar como de costume, fechando esses quilômetros finais com o turbo ligado. Foi providencial contar nesse trecho com o incentivo do Natanael. Não dava pra pedir pra ele puxar um ritmo mais forte, mas só de não deixá-lo despencar ainda mais, ele já me ajudou bastante. A temperatura tinha subido muito e o conforto, desaparecido totalmente. A contagem era regressiva no relógio. A alegria de ver de volta a rampinha da ponte foi indescritível. Deu até a ilusão de ótica de vê-la fechada, nada mais que um dispositivo para impedir (ou dificultar) a passagem de motos. Agora era só chegar.

 

Fui recebido por praticamente todo o grupo, já com seus treinos devidamente encerrados. Parei um pouco antes, tão logo o GPS indicou os 20 km completos. Nem me preocupei em checar o ritmo, já que o objetivo principal deste treino, além de confraternizar com os amigos, era simplesmente voltar a conseguir correr essa boa distância de forma contínua, sem interrupções. Constatar, mais tarde, que isso aconteceu em menos de duas horas (1h57min, ritmo médio de 5'52''/km) foi reconfortante. Sabendo que ainda dá pra (e que tenho que) melhorar bastante e que há todo um longo caminho pela frente para isso, dei por cumprida a missão do dia. Custei um pouco a me recuperar (e reidratar), mas estava bastante feliz. Assim como era também a aparência das pessoas todas por ali. Quero agradecer, mais uma vez, pela presença e participação de todos (e pela colaboração dos que ajudaram a tornar possível mais esse treino!), me desculpar por eventuais falhas. E deixar feito desde já o convite para que estejam novamente conosco nas próximas oportunidades.

 

Valeu, galera!

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 


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