Minha fé me leva até você (e minhas pernas também!)

Data: 07/05/2011

Horário: marcado às 7:50 para começar às 8:10, começou mesmo às 8:35

Distância: +/- 34 km (eu), 37 km (percurso completo)

Tempo: +/- 3h30min (líquido)

 

'Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade'

 

Raul Seixas, “Prelúdio”.

 

Um longo caminho

 

Algumas coisas, umas mais difíceis, outras nem tanto, mas notórias pelo desafio que trazem embutido nelas, estão em uma espécie de inconsciente coletivo. Nem todas estão ao nosso alcance, meros mortais que somos. Escalar o Monte Everest ou fazer o Caminho de Santiago, por exemplo, podem ser os sonhos de muitos, mas nem todos poderão realizá-los na prática. Mas e aqueles que podem se tornar palpáveis, por que se privar deles? Há muito tempo, bem antes de me tornar um corredor, eu já tinha a intenção de fazer um dia uma peregrinação. Não uma de caráter religioso formal. Não sou frequentador assíduo de igrejas e nem intento ser. Mas na busca de autoconhecimento, como reza o clichê, da jornada para dentro de si. Um desafio autoimposto de grandes proporções é uma forma magnífica de se descobrir mais sobre quem realmente é.

 

Nossa região, o Vale do Paraíba, é rica em tradição religiosa. Sedia o maior templo católico do Brasil e um dos maiores do mundo, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com 23 mil metros quadrados de área construída e que recebe anualmente mais de oito milhões de visitantes, os chamados romeiros. A cidade de Aparecida (que não é do norte!) e sua economia gravitam em torno da Basílica. Entre os que até lá se deslocam todos os dias, em maior intensidade aos finais de semana e feriados, muitos vão a pé. Vindos de todas as partes, alguns até de lugares muito distantes, os peregrinos não medem esforços para demonstrar a sua fé. Às vezes até com sacrifícios extremos. Mesmo meio afastado dos rituais no dia-a-dia, nunca deixei de frequentar a cidade. A energia do local sempre me atraiu e cativou, desde que me entendo por gente. Sinto-me, de certa maneira, em casa quando estou lá, aconchegado e confortado. Quando meu filho nasceu, depois de uma gravidez difícil e de alto risco, que teve momentos de muita tensão e obrigou minha esposa a oito meses de repouso absoluto, ela me garantiu que o êxito tinha o dedinho da padroeira. Quem sou eu para duvidar?

 

Então não poderia haver melhor fórmula. Juntar o desejo de colocar o pé na estrada com a necessidade de fazê-lo, numa preparação que vem sendo talvez a mais difícil de todas as minhas maratonas. Bolei o percurso num brainstorming individual daqueles que tenho de vez em quando, ligando a cidade de Taubaté até o destino final, o que convenientemente dava uma distância próxima daquela praticada no auge da planilha para uma marvada, com apenas alguns quilômetros de lambuja. Mas era assim como quem não queria nada. O traçado, feito pela rodovia mais movimentada do país e que liga seus maiores centros urbanos, certamente amedrontaria, imaginara eu, até mesmo os mais destemidos colegas de esporte. Quando coloquei na mesa a proposta, imaginei que só ouviria gracejos e palavrões. Mas fiquei agradavelmente surpreso ao constatar que o meu sonho era também o de muita gente. Não houve unanimidade, é bem verdade. Alguns roeriam a corda ao saber por onde pretendíamos seguir. Mas outros tantos compraram a minha ideia com grande entusiasmo, o que só fez aumentar ainda mais o meu.

 

Mas alto lá! A coisa não era simples assim... Botar uma cambada de gente correndo por longos 37 km na beira da Dutra exigia planejamento e cuidados. A data tinha sido escolhida com bastante antecedência, propositalmente em um final de semana sem corridas na região (muito provavelmente devido ao dia das mães, a quem também homenageamos com este treino), mas só deixamos para acertar os detalhes na semana que antecedeu o “evento”. Aí, foi uma correria só... Ainda bem que pude contar com a valiosa ajuda de dois bons companheiros de muitos momentos e batalhas na “organização”. Eu, Michel e Fabio Matheus passamos os últimos dias trocando dúzias de mensagens eletrônicas. Discutindo estratégias de segurança, cooptando voluntários para o imprescindível trabalho de apoio aos corredores durante o percurso, burilando a ideia. Tudo para tentar garantir que a experiência fosse a mais segura e agradável possível para todos que haviam decidido nos acompanhar na empreitada. Não dá pra dizer que foi esforço, porque aquilo que se faz com prazer nem parece que é. Mas queimamos bem a mufa de segunda pra cá...

 

Galera reunida para a jornada

 

E que bonito foi ver, no horário combinado em frente ao Horto Municipal, aquela galera vibrante, ávida pelo início do desafio. Quanta gente, das mais diferentes procedências, irmanada no mesmo objetivo. Ali tinha companheiro de equipe, porque 100 Juízo é sem juízo (e vice-versa!), mas tinha também parceiros de outras equipes locais, de equipe nenhuma e até visitas ilustres venuti da molto lontano, como os Baleias Elis Matos e Claudio Dundes, além do nosso maluco do asfalto paulistano, figura assídua das nossas aventuras de corrida, Guilherme Maio. Além de dezesseis corredores(as), contávamos também com cinco veículos de apoio, conduzidos por Luis Carlos (ainda afastado da pista, mas que em breve estará conosco novamente nela), Mateus (que começou esses dias, mas já está correndo muito!), Sylvio (além de profissional exemplar da área, grande amigo nosso), Analydia (no carro que levaria aqueles que iriam rodar a distância um pouco menor, mas também desafiadora de 25 km) e Rodrigo Aleixo (equipado com motocicleta, câmera, tripé e muito pique). Completando o staff, nossas sempre presentes e bem-amadas apoiadoras, Janete, Ana e Tania. Os vinte tradicionais minutos de tolerância, dessa vez, não foram usados para esperar retardatários, mas para dar tempo pra todo mundo fazer seus rituais de preparação, o xixizinho, guardar os trecos, dar as últimas orientações e estacionar os carros em lugar que não deixasse tíquetes depois no para-brisa. Seria necessário quase o dobro do tempo previsto até começarmos o trotezinho de aquecimento rumo à pista SP -> RJ da rodovia (correr no fluxo fora a decisão mais difícil, mas necessária para não tornar inviável o trabalho dos nossos carros de apoio). E mais uns cinco minutos até finalmente iniciarmos, na maior empolgação possível, a jornada. Desejei bom treino e pedi proteção a todos. Estávamos, enfim, a caminho de Aparecida.  

 

O destino

 

Era mais que óbvio e se confirmou. Como bem lembrou o Wilson, a compactação do bloco multicolorido (o uso de cores bem vivas tinha sido propositalmente sugerido; vermos e sermos vistos seria nosso lema) mal duraria cem metros. Só deu tempo de tirar algumas fotos com todo mundo junto no comecinho. Logo, o próprio futuro ultramaratonista disparou na frente, mostrando porque faz jus ao apelido de cabrito montês. Natanael fez o mesmo. Um trio se formou logo depois, contando com o Capitão Zebra (eu jurei que ele ia junto com a galera dos 25 km mais tarde, mas o cara é casca grossa), Fabio Matheus e Guilherme. Ficamos em quinteto, eu, Toninho, Michel, Tonico e o novo 100 Juízo Wagner Marques, também partindo pela primeira vez para uma distância desse porte. E, fechando o pelotão, as valentes corredoras Odila e Elis. Claudião tinha vindo disposto a encarar todo o trajeto na base da caminhada, mas foi dissuadido por mim e pelo xará. Entrou em um dos carros de apoio e foi procurar o seu ponto personalizado de largada.

 

O quinteto inicial

 

O atraso para o início dos trabalhos tinha deixado a temperatura um pouco mais alta que o previsto (durante a semana, algumas manhãs frias chegaram a dar boas esperanças). Mas umas nuvenzinhas baixas, pelo menos no começo do trajeto, deram conta de segurar o ímpeto do astro. O clima ainda estava ameno e agradável e induziu a um começo em ritmo tranquilo, mas não totalmente tartaruguístico. Faríamos os três primeiros quilômetros com paces muito parecidos entre si, pouca coisa abaixo ou acima dos seis minutos. No quarto, em leve declive, daria para melhorar a passada em coisa de dez segundos. Estava, e comentei com o parceiro de ritmo Michel, bem satisfeito com a regularidade e com boas expectativas para o porvir.

 

O combinado inicialmente tinha sido que os carros fizessem paradas a cada cinco quilômetros, em média (levando mais em conta a adequação do local e a segurança que o odômetro propriamente dito), para a distribuição da hidratação. Havia sido pedido que cada participante trouxesse aquilo que iria consumir durante o percurso, mas, claro, todos tiveram a preocupação de levar algo a mais, de forma que ninguém ficasse mal servido. Fiquei contente, entretanto, ao ver a viatura onde estavam Luis Carlos e Janete já posicionada pouco depois da terceira parcial. Peguei a primeira garrafinha, que foi devidamente compartilhada com os amigos que vinham comigo.

 

Entre o quarto e o quinto quilômetro, transpusemos a ponte sobre o Rio Una e adentramos o território da segunda cidade, das quatro (sem contar o distrito de Moreira César) pelas quais passaríamos no dia. Pindamonhangaba é uma das poucas, talvez a única da região, em que a Dutra passa sem cortar. A aglomeração urbana fica bem afastada da rodovia. Bem observara o Fabio Matheus, que pega o trecho todos os dias para trabalhar: ali na fronteira tinha um belo de um tobogã. E, pra complicar, a subida ainda transformava o acostamento em terceira pista. Tivemos que cair para a grama, meio alta e escondendo as irregularidades do terreno. Eu até arrisquei correr pelo cantinho do asfalto, deixando inclusive os companheiros momentaneamente para trás. Mas a ventania de uma carreta que passou mais perto logo me fez mudar de ideia e voltar para o tapete verde.

 

Subida gramada

 

Perdemos bastante tempo na rampa, mas logo voltamos a estabilizar na casa dos 6 por 1 no novo trecho plano que surgiu. O apoio já tinha feito a segunda parada, igualmente bem-vinda. Além de água, tínhamos à nossa disposição também isotônicos, sucos e refrigerantes. A Janete tinha feito uma daquelas famosas tortas salgadas, que ajudaria até a dispensar a útil, mas intragável pastilha de eletrólitos. Durante todo o trajeto, mais mimos como frutas, biscoitos, barras de cereais. O Michel até brincou: “não vou fazer mais treino durante a semana, só longão na beira da Dutra!”. Belas imagens eram registradas pelos(as) fotógrafos(as) estrategicamente postados(as) ao longo da rodovia, inclusive o fantástico vídeo (abaixo) que o Rodrigo produziria. Dava gosto de ver a estrutura planejada funcionando que nem um reloginho e, mais ainda, a boa vontade dos nossos voluntários, que nos incentivavam, transmitindo muita energia, a cada passagem.

 

O letreiro com o grande nome da cidade, que trava a língua da criançada (e de alguns adultos também!) surgiu. Um pouquinho adiante, o cacique Narezzi, que certamente não via a hora de começar a sua participação, anunciou a primeira hora completada. A marca de 10 km indicava que o ritmo continuava bom e estável. As placas de quilometragem da estrada, usando a referência do início pouco antes do km 107, davam uma ideia mesmo para quem não estivesse usando relógio com GPS. O ligeiro Wagner, que começara conosco, já tinha deixado o grupo, transformado então num quarteto. Que ficava o tempo todo alternando posições, ora liderado por mim, ora pelo veterano, pelo Michel ou pelo Tonicão. Vai ver era pra quebrar o vento... Que nem contra era! Cada caminhão maior que passava, parecia jogar uma brisa a favor, o que até ajudava. Só não precisava soltar fumaça também...

 

Os Fab Four tomando vento de caminhão

 

Reconheci o cruzamento com a estrada dos 31 km do Desafio Ecológico (quem aí topa esse ano de novo?), mas dei graças por não ter que encarar nenhuma daquelas subidas insanas dele hoje. Seguimos pelo trecho com algumas costeletas, mas sem maior grau de dificuldade e voltamos a avistar sinais de civilização na chegada a Moreira César, distrito de Pinda, onde eu também já correra em 2008, numa prova da qual não ouvi mais falar de novas edições depois. Estávamos todos aparentemente inteiros e cravamos, em pleno km 16, a melhor parcial de todo o treino, com 5’44’’. Mas, numa das breves separações, o grupo iria se desfazer de vez, para só ser retomado bem à frente. Restamos eu e o Toninho, que juntos chegaríamos aos vinte quilômetros com exatas duas horas (e apenas alguns segundos) e, quinhentos metros à frente, passaríamos pela praça de pedágio, felizmente usando o sem parar. Até ali, um treino simplesmente perfeito, irreparável.

 

Correr longas distâncias é aprender a administrar. O ritmo, as mudanças de temperatura (os dias costumam começar agradáveis, mas vão ficando meio infernais aos poucos), as respostas do organismo ao considerável esforço. E, claro, também as dores. Ah, as dores! Devida e intensivamente tratada, a na lateral esquerda do quadril, que vem me aborrecendo há quase duas semanas, tinha parecido sumir de vez. Mas voltaria a dar incômodos sinais de vida. Nada que não pudesse suportar, entretanto. Fosse algo mais sério, eu interromperia imediatamente o treino, entraria num dos carros de apoio e terminaria a história como passageiro, sem nenhum problema. Pra completar, além também do já inevitável cansaço àquela altura, mais uma pequena, mas dolorosa inimiga: uma bolha no mindinho do pé direito. Que belo pacote! Mas, mesmo com ele, eu estava disposto a não entregar os pontos. Segui na cola do velho companheiro, sem deixar a peteca, a motivação e nem o ritmo caírem.

 

Uma dupla que funciona bem desde 2005

 

O maior espaçamento entre os grupos de corredores obrigara os carros de apoio a esperarem por mais tempo a passagem dos mesmos, aumentando o intervalo inicialmente pra lá de generoso para o suporte. Agora não tinha mais aguinha gelada a cada 3 km, não... E, já depois das dez e meia da manhã, o sol bonzinho do começo havia se transformado na bolona amarela, cruel e temível de quase sempre. A tênue linha que separa o correr agradável do correr sacrificante já havia sido transposta. O desafio, enfim, tinha virado coisa pra gente grande. Do jeito que uns detestam e outros adoram. Inclusive quando eu conto.

 

O passo foi diminuindo aos pouquinhos, quase nem dava para perceber (e muito menos me preocupar, não estava sequer acompanhando em tempo real o tempo todo). Mas o fato é que já estávamos dez segundos mais lentos por quilômetro. Até por volta do km 24, ainda deu para achar que estava tudo sob controle, mas a parcial seguinte já seria de queda vertiginosa, com 6’25’’ de ritmo. A pequena Roseira surgiu, última cidade antes do destino final e as placas na Dutra mostravam que menos de dez quilômetros nos restavam na pista. O Toninho, um pouco mais inteiro, também já seguia mais lento, mas tentava motivar. Mantivemos essa mesma toada nos dois quilômetros seguintes, mas, quase no final do km 27, eu pedi pra sair. Uma pontada mais forte no quadril e a ameaça de cãibra nas panturrilhas foram os motivos. Parei, sentei, tirei tênis e meias, alonguei um pouco, vi que ainda dava e continuei. Esquecendo-me de parar o relógio, registrei uma parcial de 7’13’’. Voltando a rodar normalmente depois do breve pit stop, iria me recuperar no apito seguinte do relógio, registrando 6’11’’ no km 28. Com direito a mais uma sessão de apoio personalizado da Janete e ao encontro com o amigo Guilherme, que optara por rodar em ritmo forte (mesmo!) 21 dos 37 km previstos.

 

Um rápido close do casal

 

Tava bom, mas tava ruim também... Doía, não dava pra negar. E a tal dor limitava os movimentos. Não conseguia mais manter a passada normal, já meio curta, e tinha que a encurtar ainda mais. Completei os quilômetros 29 e 30 na casa dos 6’20’’, alternando-os com pequenas doses de caminhada. Pra piorar de vez, o relógio já tinha começado a reclamar de falta de bateria. Tinha carregado os 100% e, como brincara com os amigos, colocado um pouco mais de tempo pra ver se apareciam 110% ou 120% no display. Mas não teve mesmo jeito. Pouco depois da metade do trigésimo primeiro quilômetro, o danado apagou de vez, me deixando na mão. Sem saber de tempo e dependendo de posteriores medidas para averiguar a distância, eu já abortara treinos antes. Mas esse não era qualquer treino. Um pouco ali atrás eu havia feito uma pequena prece, com alguns pedidos pessoais, entre os quais, o de forças para terminar esse desafio. Por alguns minutos, andei olhando para trás, tentando avistar um carro de apoio e pedir uma carona. Mas o que vi foi outra coisa. Uma imagem salvadora, aliás.

 

É, minha gente, a coisa não estava nada fácil, nem mesmo para os mais valentes. O Toninho, que não é disso, também tinha se visto obrigado a fazer uma parada. Ao lado do carro pilotado pelo Mateus e com a Ana como navegadora, ele se reidratava e repunha as energias com uma tangerina, que dividiu comigo. Analisei a situação, mas quando ele disse que seguiria trotando, nem pensei duas vezes: fui com ele. Sem cronômetro e quase sem pernas, mas com muita vontade de chegar. O desaquecimento causado pela pausa só fez aumentar o travamento, mas eu ainda conseguia fazer algo parecido com corrida. E nisso puxava comigo o companheiro. A Janete passou e deixou uma garrafa de isotônico. E quem ressurgiu do nada, um pouco depois, foi o Michel. Visivelmente esgotado também, mas com uma força de vontade ferrenha, ele diria que a nossa imagem, minha e do Toninho, vista lá de trás o havia impedido de desistir. Não que a gente quisesse, mas o final do treino havia ganhado alguns contornos épicos.

 

Mas mais uma subidinha, mesmo que leve, antes da grande e maldosa rampa final, foi o suficiente para minar de vez o restinho do meu entusiasmo. Não resisti à visão do carro vermelho e nele me enfiei, escondendo do sol forte e dando descanso para minha musculatura fatigada. Esperamos pelo Tonico, que veio caminhando pelo retão e tivemos o susto de ver de longe o Toninho, que seguiu com o Michel, dar uma tropicada e desabar no chão. Felizmente, nada mais sério. Por dois quilômetros, mais ou menos, "cortei caminho". Sem constrangimento. Levado ao alto do viaduto, agradeci pelo apoio do Mateus, da Ana e do Sylvio (que já estava quase chegando de volta em casa, mas teve que retornar porque tinha esquecido a mochila do Zebra no seu carro). E esperei até a chegada dos dois bravos companheiros que seguiram a pé até lá.

 

Reunido o quarteto no alto da colina, da qual se avistava a bela e imponente igreja dedicada à mãe de Jesus Cristo, iniciamos o trecho final do caminho. A passagem por sob o portal de entrada da cidade já tirou de meus pulmões um grito de APARECIDA, ESTAMOS AQUI, PÔ! A entrada no pátio da Basílica me desmontou de vez. Caí de joelhos, tomado por forte emoção e chorei feito criança. Mesmo “roubando” dois quilômetros e andando no mínimo mais um, eu tinha conseguido chegar ao meu objetivo final. Exausto, com dores fortes e uma bolha de dois centímetros no dedinho, mas feliz à beça. Tanto faz se eu já tivesse conseguido correr por distâncias maiores antes. A gloriosa sensação da missão cumprida talvez nunca tivesse sido mais intensa. Abracei forte um também emocionado Michel e os dois guerreiros Antônios. E, logo depois, também a minha amada esposa Janete, tão importante durante esse e tantos outros caminhos que tenho percorrido. Não há palavras para descrever a alegria de ter estado ali naquele momento.

 

É, chegamos todos lá...

 

Com a chegada das meninas superpoderosas Elis e Odila, o grupo ficou todo reunido novamente. Ficam aqui os meus parabéns para elas e para todos: os meus três parceiros de quase todo o trajeto, os que fizeram excelentes marcas, como o Wilson, o Nata e o Fabio Matheus. Os que enfrentaram e venceram pela primeira vez, como o Zebra e o Wagner Marques, uma grande distância como essa. Os que correram menos, mas fizeram bonito assim mesmo, como o Guilherme, o Wagner, o Narezzi e o Kleber. E também a essa figuraça chamada Claudio Dundes, que mudou de ideia mil vezes, planejou uma coisa e fez outra (correu cerca de 11 km partindo de um posto em Roseira), mas se divertiu do mesmo jeito, nos deixando especialmente felizes com sua visita. Foi inclusive quem nos fez companhia, já que ficamos, eu e a Janete, sem carona pra voltar a Taubaté. Até quase quatro horas da tarde, deu pra colocar bem o papo em dia, comer pastel, dar uma volta pela feirinha... Difícil mesmo foi descer a escada da rodoviária!

 

Obrigado a todos pela presença, companhia e amizade, pelo fundamental apoio no trajeto ou simplesmente pela torcida e pensamento positivo. Obrigado a Deus pela vida e por me dar saúde e disposição para encarar boas encrencas como essa. Obrigado à Nossa Senhora Aparecida pela proteção durante o caminho e pela força para concluí-lo. Obrigado também aos que sonham junto comigo e ajudam a tornar esses meus sonhos realidade. Que venham os próximos!

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 

Vídeos:

Veja também:
O relato da Elis
O relato do Claudio Dundes
O relato do Guilherme
O relato do Michel

 


Álbum de Fotos do Treino

 


 


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