A Conquista do Oeste

Data: 06/06/2009 (sábado)

Horário: 8h06min

Distância: 15,6 km

Tempo: 1:54:59

 

Primeiramente, quero aproveitar a oportunidade para agradecer, de coração, a todos(as) que acompanharam a minha participação na Maratona de SP. Que me incentivaram, desde o começo dos treinamentos ou só na última semana antes da prova. Que estiveram comigo, durante parte do percurso, ou mandando energia positiva direto do sofá. Que deixaram comentários na página do relato, recados no livro de visitas, mensagens de e-mail ou só leram, mas tiveram preguiça de escrever. Ou ainda estão lendo, vai saber, o texto é longo... A vocês, o meu sincero muito obrigado. Todos fazem parte de mais essa (pequena) conquista na minha trajetória como corredor.

 

A corrida, como tudo que fazemos, vai criando hábitos que, por repetição, aos poucos vão se tornando tradições. Pela segunda vez, em dois anos seguidos, o meu retorno aos treinos depois de uma maratona teve a companhia de um grande amigo, que vem evoluindo muito, crescendo bastante a cada nova corrida, melhorando significativamente os seus tempos nas provas. Que tem uma bonita história no esporte, não de grandes resultados, pódios ou prêmios. Mas de disciplina, perseverança, força de vontade. De reconquistas: de saúde, de qualidade de vida e de tantas outras coisas que podemos reencontrar quando passamos a nos dedicar a uma atividade esportiva. Esse é o meu amigo Jorge Monteiro, camarada que deu uma senhora volta por cima, a quem eu respeito e admiro profundamente. Só não treinamos mais juntos porque o cara é madrugador, sai de casa pra correr às 5:30 da matina, faça chuva, sol (sol?) ou fog londrino. Brrrrrrrrrr...

 

O percurso do treino

 

E este treino marcou não só o meu retorno depois da marvada (©Nadais), mas também o reencontro com outro grande companheiro de corridas: Toninho Corredor, que andou achando uns carros pelo caminho nas perigosas ruas joseenses, mas que é duro na queda e, mesmo com o pulso ainda juntando as oito partes fragmentadas, não ficou muito tempo no cavalete. Já estava dando suas pernadas na rua desde o sábado passado, e foi quem nos convidou a fazer seu novo percurso predileto, passando pela recém-inaugurada Via Oeste, avenida que liga os bairros Jardim das Colinas e Vale dos Pinheiros ao Jardim das Indústrias, Limoeiro e demais bairros da região oeste da cidade. Um belo lugar para se correr. Trecho plano (pelo menos na avenida propriamente dita), amplo, com ainda pouco movimento de carros, uma ótima sombra matinal ao lado do muro do condomínio. Voltar a correr depois de quase uma semana parado, em um lugar novo, ainda não pisado por mim; e ainda ao lado desses dois amigos bons de papo e de passada, convite irresistível. Oito e pouquinho da manhã estávamos saindo da praça, iniciando a passos lentos um trotezinho suave, fazendo um ziguezague pelas ruas do Jardim Aquarius.

 

 

A Praça Ulysses Guimarães

 

Logo no começo do trajeto, demos de cara com uma cena inusitada: usando camisetas pretas (escrito “maratona de revezamento”) e números de peito, várias pessoas davam voltas em torno da Praça Ulysses Guimarães (saudade de treinar por lá, fazia tempo que eu não dava as caras). Peraí, como assim? Corrida em São José dos Campos sem que eu ficasse sabendo? Mistério logo esclarecido. Tratava-se de uma corrida interna, voltada para alunos e convidados de uma conhecida academia da cidade. Ainda assim, não resistimos e demos pelo menos uma volta com o pessoal, no sentido contrário ao fluxo dos atletas, encontrando os amigos Rogério e Marcos no evento. Aumentamos um pouco o nosso trajeto, mas participamos (como pipocas) de uma pequena parte da corrida, hehehe...

 

A corrida que nós "perdemos"

 

Entusiasmo, seu nome é Toninho! Mesmo tendo parado na marra quase três semanas depois do atropelamento, ele não só seguia no ritmo de sempre, como tinha escolhido um trajeto farto em ladeiras, subindo todas como se estivesse em superfície plana. O Jorge, se preparando para a Meia do Rio no final do mês, tinha na planilha para hoje um treino de “14 km com subidas”. Eu, ainda com trauma da parte inofensiva da Rua do Matão, subi feito um caminhão carregado. E o Toninho, com requintes de crueldade, tinha até a opção de nos levar até a parte plana pela descida da Avenida Cassiano Ricardo. Mas fez questão de ir serpenteando, ora descendo, ora subindo, trazendo um belo aquecimento para este início de treino. Quando chegamos ao Vidoca (Avenida Jorge Zarur, onde vamos correr dentro de mais alguns dias a Unimed Run), senti um alívio por saber que não veria novas rampas tão cedo.

 

A altimetria do treino

 

Passamos pelo colégio, pelo posto, pelo restaurante italiano, pela faculdade, pela ponte, pelos prédios, pelo hipermercado, pelo shopping. Tudo planinho, gostoso, matando a vontade de correr depois do merecido descanso de seis dias. Saindo da Avenida Eduardo Cury, também trecho do percurso vindouro de 21/06, viramos à esquerda e entramos na Via Oeste, asfalto novinho, beleza de retão para corredores fazerem seus treinos. Toninho, nosso guia oficial do trajeto, dava as informações sobre ele. O Jorge estava acostumado a correr do outro lado do muro. Eu, nem isso, estava me sentindo, como já tinha sido no treino com a rapaziada no Altos de Santana em março, um visitante dentro da minha própria cidade. Correr, já descobri faz tempo, é uma bela maneira de conhecer novos lugares.

 

A Via Oeste – 1

 

Muito bonito o visual dali. Cheio de contrastes. Do lado esquerdo, a cidade, os prédios, um landscape urbano de uma cidade em amplo crescimento, que traz os confortos e a comodidade da vida moderna, mas felizmente ainda com um ar interiorano, que quem nasceu aqui ou a adotou para viver, traz dentro de si. Do lado direito, o Banhado, nosso patrimônio ambiental, pulmão da cidade e colírio para os nossos olhos, cansados e vermelhos da fumaça de escapamento que vem do lado oposto. Que privilégio poder praticar o meu esporte tendo como cenário um lugar como esse. A gente até esquece que o trecho plano acaba e que vêm mais subidas por aí...

 

 

A Via Oeste – 2

 

A primeira delas era uma daquelas enganadoras, que nem parecem subidas, só quando as panturrilhas chiam é que a gente se dá conta. Seguíamos em ritmo confortável, permitindo conversas de frases inteiras. Mas os morrinhos já exigiam um pouco mais. Chegamos ao entroncamento onde virar à esquerda significava sair de volta na Cassiano Ricardo, já no final da subida dela. Mas continuamos em frente, com a placa indicando o caminho do Limoeiro. Apareceram ao longe a fábrica da Monsanto (lugar de feras da corrida!) e o bairro do Urbanova, cenário comum de tantos outros treinos, solo ou em conjunto. Entramos então no Jardim das Indústrias, vizinho ao Aquarius de onde saímos, mas na parte interna do bairro. A característica dele é o formato de ferradura, apelido dado inclusive à sua avenida principal, cujo nome é o terror dos programadores de computador, que se veem obrigados a aumentar o campo “endereço” nos cadastros de clientes: AVENIDA DOUTOR JOÃO BATISTA SOARES DE QUEIROZ JÚNIOR. Difícil até de falar depois de uma maratona. As ruas depois dela seguiam o formato, só que ainda mais abertas, atravessando o bairro praticamente de ponta a ponta. Os lugares por onde passávamos, seguindo as indicações do nosso guia, eram até ligeiramente familiares. Mas não de treinos anteriores. À pé, tudo seguia sendo novidade. Novidades agradáveis. Só um pouco de medo dos muitos cachorros soltos pelo bairro. Canelas cautelosas.

 

O Jardim das Indústrias

 

Já estávamos correndo há mais de uma hora quando chegamos ao ponto de retorno. Apareceram as torres em construção, pegamos a rua à esquerda. A lomba ao lado delas foi curta, acho que nem cem metros tinha. Mas queimou tudo. Deu vontade de andar, de pedir água, de ligar para o disque-resgate até. Mas o jeito era subir e continuar, porque a recompensa estava ali à frente, mais boas e planas retas para trotar. Ao final da rua, já aparecia a grande área de estacionamento de uma das empresas que davam nome ao bairro (e praticamente a única que restou, o resto faliu ou foi parar na Zona Franca). Na calçada dela, passamos por um monte de latas de refrigerante, cheias e fechadas. Não eram diet, mas quase parei e enxuguei as cinco. Brincamos que podia ser despacho ou coisa parecida, que talvez o refri no atacado estivesse mais barato que a boa e velha cachaça.

 

A partir dali, o cenário já não era mais bonito, mas ficava bem mais tranquilo para correr. Chegamos à Avenida da Ferradura, um pequeno trecho dela e já saímos na marginal da Dutra. Depois do trecho de paralelepípedos dos dois grandes postos de combustível, chegamos ao de calçada e ciclovia, longo e plano, ótimo pra dar uma estilingada. Já tinha feito isso inclusive em outros treinos sozinho por ali. O Jorge seguia firme, tinha resmungado um pouco (hehehehe...), mas resistido bem às subidas. O Toninho, inteiraço, com disposição de garoto, se chamassem pra mais uma volta, tenho certeza de que ele topava. Eu, sabendo o que vinha logo mais pela frente, doido pra chegar, começando a sentir as dores da maratona voltarem, felizmente em escala beeeem reduzida. A gente podia até virar à esquerda e sair praticamente ao lado do ponto de partida, fechando com distância menor que a planejada e sem mais variações altimétricas. Mas seguimos o plano à risca. Veio a descidinha gostosa, depois da portaria do outro hipermercado à beira da rodovia. Mas passando por ele e, na avenida da parte baixa do Aquarius, à beira do Anel Viário, passamos uma, duas esquinas, o Fórum Trabalhista em eterna construção e, finalmente, a subida matadora de volta à praça onde agora, só o pessoal do staff da corrida da academia ainda estava. O Jorge quis andar, incentivei para que ele trotasse pra chegar mais rápido. Passamos pela lateral da praça, pela meia-lua gramada em frente ao antigo CEFAM e viramos novamente à esquerda, para a última reta, chegar de volta à praça esportiva, nosso ponto inicial, e encerrar esse belíssimo treino nesta manhã de sábado. Mais de 15 km percorridos, sem paradas para abastecimento, sem gel de carboidrato. Como diz um comercial recente já famoso entre os corredores, sem aplauso, sem torcida, sem medalha, sem troféu, sem pódio... Então, por quê? Quem corre, sabe.

 

O Anel Viário, com o Jardim Aquarius ao fundo

 

Como não podia deixar de ser, depois do treino, um belo café da manhã, com direito ao bate-papo animado de sempre. Ser recebido com aquele suco de laranja, bolo e rocambole, numa casa onde sou sempre tratado como um filho. Não poderia ser melhor e mais especial esse retorno aos treinos. Vem muita coisa boa pela frente, espero que sempre ao lado de amigos queridos como esses. E sempre curtindo ao máximo o simples fato de poder correr. Valeu, Jorge! Valeu, Toninho!

Jorge e Toninho

Os dois companheiros de treino

 

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