Curitibices e Curitibadas

Data: várias

Horário: vários

Distância: várias

 

Será que um dia, em uma galáxia muito distante ou nem tanto, eu vou conseguir terminar uma maratona e dizer olha, agora tá bom? A gente treina, se prepara, dedica bastante tempo e esforço à hercúlea tarefa que é a de tornar-se apto a largar para os nobres 42 km e uns quebrados. Mas quase sempre chega com a sensação de que poderia ter ido (ou feito) bem melhor. Nesse primeiro semestre do ano, eu sofri com as lesões, capenguei nos treinos e não consegui concluir a distância em São Paulo. E, apesar de todo o empenho, não haveria tempo hábil suficiente para me recuperar a contento no Rio de Janeiro. Terminar, eu até terminei essa prova; e raspei inclusive no recorde pessoal. Mas não fiquei satisfeito comigo mesmo, nem teria como ficar. Maratona é prova para se fazer na plenitude física; ou arcar, de caso pensado, com as consequências da falta dela. Passei longe disso na primeira metade de 2011. A busca recomeçaria na segunda.

 

De meados de julho para cá, portanto, venho lutando arduamente pelo reinício de um círculo virtuoso. Tentando reencontrar minha melhor forma, que não é e nem nunca foi das melhores, mas já me garantiu alguns bons (e modestos) momentos enquanto corredor. Fugindo das contusões e tentando conciliar os trabalhos de força e de resistência muscular nos bastidores. Procurando ler bastante e aprender sempre mais sobre os princípios de treinamento, já que continuo optando, por minha conta e risco, pelo caminho solo, porém intensivo e exclusivo. E experimentando, eterno empírico que sou, novas fórmulas que possam funcionar bem para mim.

 

A bola da vez é o F.I.R.S.T., sigla de Furman Institute of Running and Scientific Training, método criado pelos professores Bill Pierce, Scott Murr e Ray Moss, da Universidade de Furman, na Carolina do Sul, Estados Unidos. A ideia é bastante simples, muito embora pareça ir na contramão de tudo que se prega em relação ao tema. E é esmiuçada em detalhes no livro “Run Less, Run Faster”, título adaptado livremente para o português como “Treine menos, corra mais”.

 

O livro

 

Sem querer fazer nenhuma resenha literária, até porque alguns outros corredores já a fizeram com maestria em seus blogs, sites ou veículos similares, o método consiste em focar o treinamento de corrida em três sessões semanais, alternando as mesmas com cross-training, outras atividades físicas sem impacto, como natação, spinning ou, no meu caso específico, musculação. Ao invés de treinar muito, treinar com qualidade. É uma outra abordagem, bem diferente daquela que venho usando ao longo do tempo. Se isso vai funcionar ou não para mim, é uma outra história, algo que só vou comprovar na prática a médio ou longo prazo. Mas confesso que me interessei bastante por ela.

 

Assim sendo, minha semana ficou dividida da seguinte maneira:

 

·         um treino longo, de distância variável e ritmo abaixo do pretendido para a maratona em si, mas progressivo a cada semana;

·         um treino de ritmo, com 20’ de aquecimento, 10’ de desaquecimento e uma determinada distância em velocidade constante;

·         um treino de velocidade, com os mesmos tempos de aquecimento e desaquecimento acima e tiros de distância e ritmos variados;

·         duas sessões de musculação, uma voltada para força e outra para resistência muscular e;

·         dois dias livres.

 

Como duas folgas semanais, no meu entender, são muita coisa; assim como três dias de musculação também são, qual foi a minha decisão? Claro, aquela mesma que você pensou: deixar um dia livre na semana, de preferência os domingos, para aquilo que eu considero, mais que uma competição, uma celebração. As corridas passariam a ser, mais uma vez, os meus prêmios por bom comportamento. Mais um motivo para achar simplesmente ideal a tal planilha de treinos visando a nova prova-alvo.

 

Não está ainda 100% confirmada, já que a participação depende de alguns detalhes logísticos a serem acertados. Mas o objetivo é uma primeira participação na tradicional Maratona de Curitiba, com todas as suas subidas e célebres variações climáticas instantâneas (dizem que o termômetro começa quase congelado, mas ferve rápido à beça no decorrer da prova!), coisas que devem dificultar bastante o meu trabalho. Mas que, sinceramente, não me amedrontam. O percurso é forte, mas esse cara aqui também é um bocadinho...

 

O mapa da mina

 

Além das corridas, sobre as quais já falei bastante por aqui, aconteceram, de julho até agora, alguns treinos, uns coletivos, outros individuais, mas todos eles memoráveis, sobre os quais falo um pouco de cada na sequência.

 

Quarta, 27 de julho de 2011

Percurso: (Quase) Dez Milhas Joseenses

http://connect.garmin.com/activity/102209458

Distância: 15,630 km

Tempo: 1h32min

 

Comemorando o 244º aniversário da nossa bela e querida cidade (a corrida propriamente dita, agora que não é mais no Parque da Cidade, bem que poderia voltar a ser realizada no dia, hein?), convoquei todos os amigos e alguns poucos atenderam ao chamado. Num bonito e ensolarado final de tarde, ouvindo ao longe o som do Jota Quest embalando a festa, fizemos o trecho Anchieta – Esplanada do Sol – Urbanova – Via Oeste. Na ida, ritmo moderado, passadas largas e só alegria. A volta, em aclive suave e constante, é velha conhecida nossa, mas acaba servindo um pouco de tacógrafo. Ainda não dava para chamar de treino longo, mas, junto com uma boa prova na mesma distância imperial, poucos dias antes, marcou um bom início de novo ciclo. A animação era grande.

 

Os dez-milheiros


Álbum de Fotos do Treino

 

Domingo, 14 de agosto de 2011

Percurso: Volta da Zona Sul

http://connect.garmin.com/activity/106402040

Distância: 23,700 km

Tempo: 2h24min

 

A celebração agora era outra, a do Dia dos Pais. E novamente um pequeno, mas animado grupo se reuniu bem cedo na esquina das avenidas Cassiopéia e Cidade Jardim, pertinho aqui de casa, para um tour pela região sul da cidade, curiosamente arquitetado por um morador da zona norte, o onipresente Michel, de tantos outros treinos por aí. O trajeto começou no Satélite e passou por vários outros bairros das redondezas, foi marcado pela estreia do Bruno Narezzi nas distâncias acima da meia maratona e por uma infeliz lesão que fez o velho companheiro Toninho ficar pelo caminho, antes ainda dos 10 km de treino. E também por pirambeiras das boas, inclusive o paredão vertical da Av. Guadalupe / R. Urupês, já quase na volta ao ponto de partida, que me fez subir quase engatinhando, mas completando o percurso integralmente. Fizemos por merecer as (muitas) calorias do almoço que viria em seguida.

 

Os sul-voltistas


Álbum de Fotos do Treino

 

Quarta, 17 de agosto de 2011

Percurso: Simulado da Corrida de Eugênio de Melo

http://connect.garmin.com/activity/107383431

Distância: 19,460 km

Tempo: 1h58min

 

Quarta era dia de longão. Quarta era dia de simulado do percurso da corrida do aniversário do distrito. O que eu fiz? Tentei juntar as duas coisas numa só, começando antes e planejando continuar depois que todo mundo já tivesse feito a brincadeira. Claro que não deu muito certo. A gente agarra no papo e, depois que esfria, parceiro, querer voltar a correr é osso... Deixei o carro na Vila Industrial, fui correndo pela lateral da GM até onde a galera estava concentrada, dispensei até a carona do Capitão Zebra, que voltava de sua temporada europeia e parou o carro ao me ver ali perto do QG do Jardim das Flores. Mesmo inscrito para a prova de 5 km, segui ao lado da galera que queria conhecer in loco o trajeto dos 10 km (e gostei tanto dele que pensei até em mudar a minha inscrição de última hora!). Fizemos um belo passeio noturno pelos bairros do extremo leste da cidade, conhecendo quase todas as empresas que ainda patrocinam ou já anunciaram nas camisetas da nossa equipe. Mas, no retorno, não teve jeito. Supliquei um carreto para o companheiro Wagner e fiquei devendo 6,5 km na distância prevista. Sem problemas. Não seria isso que iria atrapalhar a minha preparação. Corrida não é ciência exata.

 

Os simuladores

 

Sábado, 20 de agosto de 2011

Percurso: Pista do Estádio do Morumbi

http://connect.garmin.com/activity/107984870

Distância: 4,030 km

Tempo: 21min

 

Isso não foi treino longo, não estava previsto, aconteceu logo depois de uma das sessões de tiros na pista do João do Pulo e logo antes da corrida de Eugênio de Melo, fazendo até com que eu chegasse ao dia da prova em condições não lá muito adequadas. Mas foi divertido demais. Quando o amigo Luis Carlos me ligou durante a semana, convidando para conhecer as instalações da academia Companhia Athletica no interior do estádio são-paulino, eu topei de imediato. Fomos dois agentes alviverdes infiltrados no “território inimigo”. Tendo que sair de madrugada, quase perdi a hora e o ônibus. Ainda bem que não, porque a brincadeira foi bacana... Coisa de outro planeta, deixando a mim e à minha modesta academia de bairro com cara de mundo. A pista de atletismo não era oficial, nem nas medidas e nem na quantidade de raias, mas deu gosto de pisar no chão emborrachado, coisa que não temos (ainda) por aqui. Valeu até fazer aqueles alongamentos e exercícios educativos dos quais não gosto nem um pouco...

 

Os tricolores por um dia (e olhe lá!)


Álbum de Fotos do Treino

 

Quarta, 24 de agosto de 2011

Percurso: Banzé no Oeste 2

http://connect.garmin.com/activity/109170399

Distância: 30,690 km

Tempo: 3h15min

 

Tirando aquele inesquecível caminho entre Taubaté e Aparecida (e a maratona propriamente dita, claro!), eu não conseguira passar nenhuma vez dos 30 km nesse ano. Não por falta de tentar. Lógico que havia a previsão disso nas planilhas, mas alguma coisa, fosse ela lesão, dor, sol a pino ou cansaço puro e simples mesmo, sempre atrapalharia a programação. Impagável a sensação de conseguir isso logo na primeira tentativa, dessa vez. E o melhor: com tranquilidade, sem nenhum dramalhão ou contorno épico. Um treino gostoso, agradável, abreviado por escolha própria dos 32 regulamentares para pouco menos de 31 km, por achar isso precoce, faltando ainda quase três meses para o dia D. Começando mais cedo, ainda em pleno horário de batente, para não terminar tarde demais e forçar a volta para casa. Num percurso sem qualquer planejamento prévio, montado ali mesmo na hora sem critérios preestabelecidos, improvisando caminhos, usando livremente cenários da cidade como parte do trajeto. Um daqueles “brincar de correr” a que todo corredor, competitivo ou não, deveria se dar o prazer de vez em quando. São os treinos de que mais gosto.

 

banze2.jpg

O banzé

 

Quarta, 31 de agosto de 2011

Percurso: Escalada da Antena de TV

http://connect.garmin.com/activity/111025910

Distância: 29,010 km

Tempo: 2h59min

 

Se o treino anterior já tinha sido sem lenço e sem documento, esse então, nem se fala. Saí com um número, 29 km, mas nenhum mapa ou roteiro na cabeça. Partindo de casa, peguei primeiro o caminho do centro da cidade e, dali, depois o da zona norte, mas sem saber direito por onde ir. Talvez atraído pelas luzes, tomei o rumo das antenas das emissoras de TV, lá no alto do morro no Jardim Guimarães, sem sequer conhecer o caminho até elas e nem tomar conhecimento da inclinação matadora (mais de cinquenta metros de desnível em relação à beira do rio, também por ali). Durante o dia, o visual lá do alto deve ser bem bonito, porque até à noite, no maior breu, dava para perceber isso. Só não fui até o final porque bateu uma certa preocupação com o lugar meio ermo e o horário já começando a ficar avançado. Correr é bacana, virar notícia nas emissoras das antenas, não muito... Um dia eu repito a dose, de preferência com “escolta” e iluminação natural. A volta foi ardida, teve umas paradas forçadas para reabastecimento de H2O e O2. Mas acabou sendo um treino bastante proveitoso, feito em ritmo bem melhor que o do primeiro longão na casa das três horas de duração.

 

As torres

 

Domingo, 11 de setembro de 2011

Percurso: Centro – Paratehy / Jaguary

http://connect.garmin.com/activity/113552931

Distância: 32,350 km

Tempo: 3h24min

 

Receber o jungle man Silvio Lima por aqui, além de uma satisfação, é uma responsa e tanto. Eu não sei bem que tipo de treinamento de guerrilha na selva o cara anda fazendo por lá, mas cada vez que volta pra cá, aparece mais ligeiro e com o apetite por quilômetros redobrado. Já havia feito ótimos treinos e provas conosco à época da maratona paulistana e, nesta nova aparição-relâmpago, ainda mais fininho, esmerilhou nas corridas em São Francisco Xavier e São Sebastião. Faltava só marcar um longaço-aço-aço, daqueles que afugentam até os mais destemidos. O que ouvi de “desculpa esfarrapada”, da galera que não apareceu dessa vez, não foi brincadeira. Só faltou mesmo gente dizer que ia aproveitar o final de semana para fazer uma operação de mudança de sexo, hehehehe...

 

Mas, apesar das justificativas, plausíveis ou não, conseguimos reunir até um bom quórum à beira do Banhado nesta providencialmente fria manhã de final de inverno, depois de outras bem menos gélidas ultimamente. Contando com o Zé Roberto, que seria o autor da foto abaixo, éramos quinze a começarmos o trajeto partindo do centro rumo à zona oeste da cidade. O bate-papo era animado. Pena que duraria pouco. Logo os primeiros amigos começavam a retornar, em diferentes pontos do bairro do Urbanova.

 

No fim das contas, antes mesmo de uma hora de treino, o grupo numeroso acabaria reduzido a uma mera, mas valente dupla. Todas as subidas do caminho de ida ficariam apenas para mim e para o Silvião. Vocês não sabem o que perderam, galera! As placas dos nomes das ruas dão uma ideia do que enfrentamos. Tinha até a Avenida Corcovado! Passamos, na volta, pela Via Oeste, interditada para a realização de uma prova de duathlon. Se aceitassem inscrições na hora e para quem estava sem bike, a gente até participava. Mas foi gostoso, de qualquer maneira, conhecer o miolo da avenida, já que, até então, eu só tinha corrido ou na calçada ao longo do muro do condomínio, ou na pista de caminhada que segue a ciclovia.

 

No meio da subida da Anchieta, encontramos o Paulo Gallo, que tinha perdido a hora e começado a treinar bem mais tarde, mas que nos acompanhou pelos dois quilômetros e poucos finais, registrando em imagens a satisfação da chegada após uma longa e difícil jornada.

 

Quinze partiram, dois chegaram


Álbum de Fotos do Treino

 

Por enquanto é isso. Mas vem muito mais por aí, daqui até novembro. Com Curitiba ou sem Curitiba na alça de mira, seguirei treinando e curtindo bastante mais um ciclo de preparação para uma maratona. A prova em si é fantástica, mas o caminho até ela talvez seja ainda mais gratificante.

 

Abraços,

 

Fábio Namiuti

 

P.S.: A propósito, a quem interessar possa, já tem outro treininho bacana previsto. Um longuinho de 21 km, marcado para a próxima quarta-feira, dia 14/09, com largada/chegada no estacionamento do Santos Dumont e percurso abaixo:
http://classic.mapmyrun.com/run/brazil/sao-jose-dos-campos/371131578114470642

 


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