O Desaf(r)io da coruja

Data: 25/05/2011

Horário: 0:03 (!)

Distância: +/- 5 km

 

Em um mundo cada vez mais adepto do carro e do controle remoto, toda e qualquer iniciativa no sentido de promover a atividade física é sempre bem-vinda e digna de aplausos. Uma delas é o Challenge Day, que surgiu no Canadá em 1983, foi trazido para o Brasil pelo SESC-SP em 1995 e por aqui ganhou o nome de Dia do Desafio. A ideia, inicialmente apenas de realizar quinze minutos de uma atividade qualquer (originalmente, a caminhada), de forma individual ou coletiva, ganhou caráter de competição ao se tornar uma disputa amigável entre cidades, em nível internacional, por todo o continente americano. Cada morador que cumprir a sua cota e comunicar à coordenação local, conta um ponto para sua cidade. Totalizam-se os pontos ao fim do dia e a cidade vencedora tem posteriormente a sua bandeira hasteada na adversária. Uma brincadeira divertida e muito válida, porque serve de incentivo para correr... Inclusive do sedentarismo!

O logo do Dia do Desafio

 

Um dos grandes baratos desse dia são as atividades em grupo. Em escolas, empresas, entidades, enfim, diversos tipos de lugares, as pessoas se reúnem para praticar, por pequeno tempo que seja, uma atividade esportiva e defender as cores de sua cidade. Algumas onde o esporte já está mais incorporado à paisagem, como Santos e Porto Alegre, por exemplo, já tinham sacado que uma corrida de rua é uma maneira das mais eficientes de atrair um bom número de praticantes (e garantir vários pontinhos). Mais legal ainda se não for uma corrida qualquer, mas uma em horário diferenciado, no qual a maioria de nós não está habituada a correr. Como o Dia do Desafio cai sempre na última quarta-feira do mês de maio, aproveitou-se o inusitado horário da virada do calendário. O quêêêê? Correr à meia-noite, ainda mais numa friaca dessas? Ah, vá! Até parece que você não conhece essa galera daqui...

 

O percurso

 

Quando eu fiquei, através do Michel, sabendo da ideia, já me interessei bastante logo de cara e tratei de divulgar pra todo mundo também. No (belo) treino realizado no percurso da Unimed Run no último domingo, o próprio coordenador regional do evento (Olympio) apareceu para convidar pessoalmente o nosso grupo de amigos a participar. O único problema das corridas noturnas é que parece que o dia custa a passar... Já era sempre assim na Henock Reis Filho de Aparecida, única prova da região que acontece sempre nessa parte do dia (começa às 20h). Imagine então outra bem mais tarde. Parecia que dava 1h do dia seguinte, mas não dava 23h do próprio...

 

Alguns dos valentes

 

Quando cheguei ao estacionamento do Parque Santos Dumont, local marcado para a concentração, com bastante antecedência (e olha que nem chip e número precisava pegar!), imaginei que iria ter que dar uma volta para não ficar com fama de mineiro apressado. Que nada! Já tinha bastante gente por lá, uai! Toninho (que conseguiu arrastar a Ana e a Suelen!), Juarez, Silas e até o meu antigo vizinho, André “Maizena”. Aos poucos, foi chegando a galera em peso. Menos que uma noite quente de verão (ou, pelo menos, uma que não tivesse batente na manhã seguinte!) atrairia, mas mais que a minha previsão pessoal. Era dia, comentei no Facebook, de confirmar quem é que não bate mesmo bem dos quengos, no bom sentido da expressão. Logo estava reunido um numeroso e animado grupo, recebendo as últimas orientações e a aulinha de alongamento coletivo. Saí de fina e fui fazer um trotinho nos arredores pra aquecer. Haja coragem pra tirar o pijama, digo, o agasalho!

 

Bota a mão na cabeça que vai começar...

 

Além do SESC na organização, o evento contou também com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes (representados ali pelos nossos amigos Sandra e Prof. Ito). Aí, além de caprichada, a coisa toda ficou bem mais segura. As ruas estavam quase vazias, até pelo avançado da hora, mas poder contar com os batedores de moto (além de uma ambulância, felizmente não utilizada) foi bem interessante. Fiquei tão empolgado que resolvi “largar” até no pelotão da frente, junto com os flechas Nata e Manoel e o nosso Capitão Zebra. Lógico que só de farra. Pra acompanhar os caras por mais de duzentos metros, só mesmo fazendo transplante de carcaça. Logo de cara, na Adhemar de Barros sentido bairro, passamos em frente a um badalado bar com mesas na calçada. A galera do boteco não botou fé naquilo que estava vendo, um monte de doidos correndo no meio da avenida em plena madrugada. Teve gente achando até que era delirium tremens, prometendo que ia parar de beber ali mesmo.

 

A massa seguiu pela reta inicial até quase a esquina com a Heitor Villa-Lobos. Pelo mapa, eu tinha achado que era para virar à direita uma antes, mas foi na ruazinha que segue paralela logo ao lado, rumo à 9 de Julho sentido centro. Não adianta sonhar com um grupo coeso, correndo todo junto em movimento retilíneo uniforme. Cada qual em sua cadência própria, o máximo que dava para imaginar eram os tradicionais bloquinhos de ritmo. Ué, mas cadê o meu? Não sei se comecei meio forte demais (e acho que sim, porque cheguei perto do Vicentina Aranha com o reloginho apitando aos 4’42’’). Vi os ligeirinhos de sempre sumirem no horizonte, mas fiquei ali, num bloco do eu sozinho intermediário. Ganhando inclusive algumas posições numa disputa amistosa e extraoficial. Nada dos companheiros habituais.

 

Nada como uma avenida (quase) vazia

 

A sensação era muito gostosa. A avenida plana e muito boa pra correr, mas normalmente infestada por carros e todos os seus poluentes, agora era só nossa... Dobramos à esquerda na grade do parque e depois novamente na São João, igualmente reta, flat e deserta. Meu ritmo já tinha caído um pouco e estabilizado na casa dos 5 x 1, bem mais confortável que a sangria desatada do começo. Alguns “adversários” aproveitaram a deixa e devolveram a ultrapassagem. Se já não sou de esquentar a moringa com isso nem quando tem lista de classificação, imagina sem. Tudo era diversão. E diversão das boas.

 

Uma nova guinada à esquerda na Madre Paula e um bom trechinho em leve declive por ela até a volta à Heitor Villa-Lobos (e uma pequenina rampa na esquina dela com a Serimbura e a 9 de Julho). Com fôlego mais curto, baixei um pouquinho mais o ritmo para adequá-lo ao momento (ou será à encarnação?). Mas seguia aproveitando muito bem o passeio noturno, curtindo a oportunidade mais que rara e desfrutando de cada instante dela. A nova virada à esquerda para pegar a Francisco José Longo denotava que o trajeto era bem curto e já estava chegando ao fim. O quarto e último bipe seria ouvido no viaduto por sobre o Anel Viário. Quase dei meia-volta e peguei o caminho contrário, só pra brincadeira durar um bocadinho mais...

 

Tive duas oportunidades, primeiro com o Elizeu e depois com o Juarez, de retomar um ritmo mais forte para o quilômetro final, mas minha total falta de treinos decentes recentes cobrou a conta e eu preferi administrar. Deixei os coelhos irem embora e entrei na rua da lateral do parque quase no ritmo do aquecimento inicial. De volta ao estacionamento, aumentei um pouquinho a passada e, só de palhaçada, incentivado pelo capita e para apreciação do amigo velocista Góes, dei aquele tradicional microsprint de trinta metros. Meu GPS ficou devendo 110 metros, o do Wagner deu 5k cravados. Números eram o menos importante. Bacana mesmo era ver todo mundo ali com cara de “meu, fiz um negócio muito legal!”.

 

Ceia no capricho!

 

Se não teve kit pós-prova (e quem aqui corre só por isso?) com medalha e camiseta, fomos muito bem recebidos com uma bela e farta mesa, com água, barras de cereal, bananas e até um delicioso e muito oportuno chocolate quente. Houve quem sugerisse, para a próxima edição, “postos de hidratação” com conhaque no percurso (hehehehe...). Já passava da meia-noite e meia, mas ainda deu tempo de curtir um bom bate-papo, naquele clima agradável de confraternização que sempre marca qualquer ocasião onde nosso grupo estiver presente. Quem não foi, perdeu uma bela festa. Que eu espero, sinceramente, que vire tradição na cidade e que volte a se repetir todos os anos, com cada vez mais gente e animação. Agradecemos ao SESC, à Secretaria de Esportes e a todos que trabalharam para fazer dessa madrugada mais uma página marcante da história do nosso esporte.  

 

Foto da saideira

 

Aproveito para convocar todos os meus conterrâneos para que participem do Dia do Desafio, não se esquecendo de comunicar posteriormente a sua participação pelo telefone 156. Vamos pra cima da tal de Ensenada (que, pelo nome, não é de nada), São José!!!

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 

Vídeos:

Veja também:
O relato do Michel

 


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