Não foi chover no molhado

Data: 27/04/2011

Horário: +/- 19h15min

Distância: 10 km

 

Ê, galera que gosta de uma novidade... Quando foi anunciado que teríamos (outra vez!) percurso novo para a quarta edição consecutiva da Unimed Run, corrida da qual participo desde a primeira edição em 2008, o alvoroço foi grande. “Namiuti, marca logo aí o simulado!” foi o que mais ouvi (virtualmente) desde então. Mesmo faltando mais de um mês para o evento, tratei de fazer o agrado para o meu “fã-clube”.

 

Tenho particular apreço pelos que não se contentam com pouco, não deitam eternamente em berço esplêndido. Essa prova foi a primeira a utilizar o percurso que, mais tarde, se tornaria praticamente um padrão na cidade, utilizado inclusive para a corrida que fizemos no último final de semana (e que será o mesmo de outras tantas próximas). Quando os promotores do evento viram que seu caminho foi imitado, optaram por diversificar. No ano passado, fui convocado “em segredo” (uma brincadeira que alguns entenderam bem, outros nem tanto) para conhecer em primeira mão o novo trajeto, tendo também como guardiões do mistério os amigos Michel e Jota Júnior. Dessa vez não, a coisa seria aberta a todos desde o princípio. Melhor assim. Provei que não sou X-9, mas a tortura foi grande.

 

O percurso 2011

 

No começo da semana, disparei a mala direta (um pouco mais restrita que o habitual, para evitar um acúmulo muito grande de gente em vias obviamente ainda não fechadas para o trânsito de veículos). Ficou tudo combinado para o começo da noite desta quarta-feira. Tendo um compromisso ali perto durante a tarde, aproveitei para dar uma passadinha de carro por lá para dirimir algumas dúvidas que o mapa divulgado me trouxera, principalmente no miolo do bairro Jardim Esplanada. Anotei mentalmente as referências e, chegando de volta à base, tratei de divulgar o roteiro detalhado. Ter mais gente a par, eu sabia, era garantia de um treino mais tranquilo à noite. Um corredor prevenido vale por dois...

 

Toda festa boa parece que tem que ter bicão. Ninguém chamou, mas a chuva veio assim mesmo... Quando fui buscar meu filho na escola, no final da tarde, era uma garoa fina (mas já trazendo uma boa queda na temperatura), que eu já sabia que ia tirar da parada uma parte dos candidatos. Um pouco antes de sair, olhei pela janela e parecia que tinha estiado de vez. Nada disso. Ela voltou, e bem mais forte, logo em seguida. Quando saí rumo ao shopping, fui pensando que seria o único presente. Ainda bem que estava enganado. Cheguei cedo e fui me abrigar do vento na entrada dos cinemas. Quando fui dar um rolezinho, já encontrei por ali, guarda-chuva em punho e em mangas de camisa, um valente Juarez, pronto para a batalha. Alívio geral. Maluco sim, mas não maluco solitário.

 

Gente corajosa

 

E, aos poucos, outros foram chegando ou sendo encontrados nos arredores do estacionamento, escondidos sob as árvores ou toldos. A bateção de queixos era generalizada, o pedido pelo início imediato, idem. Mas sou um cara de palavra. Se havia falado para o Bruno Narezzi, que trabalha mais longe que os demais, que iria esperar os tradicionais quinze minutos pela chegada dele, não seria o minuano que iria me fazer mudar de ideia. Quando ele chegou (com dois minutos de antecedência), completando o time de cerca de quinze integrantes (quórum surpreendente para condições climáticas tão rigorosas!), enfim pudemos dar a “largada”.

 

Tinha levado o mapinha impresso para uma pequena palestra pré-treino, a galera tinha jurado de pé junto que iria seguir em comboio para não se perder. Mas isso não durou nem até a primeira esquina. Deixando o estacionamento e pegando a Eduardo Cury sentido bairro-centro, viramos à direita no final dela, caminho comum de outras provas por ali, já com o grupo espalhado. Estava muito a fim de fazer um treino tranquilo, sem forçar. Mas vi que era voto vencido. Se rodasse no ritmo perto de 6’/km que tinha sido mais ou menos combinado antes, ficaria (ainda mais) na rabeira e não teria como servir de guia. Tive que acelerar um pouco. Nem olhei para o relógio para saber quanto exatamente, evitando o pânico.

 

Depois do trecho plano com cerca de quatrocentos metros, uma leve rampinha no início da Rua Ana Maria Nardo Silva. Contornamos pela direita a rotatória, bem atentos com o fluxo de veículos por ali. E seguimos pelo leve aclive da lateral da praça, rumo à Avenida Anchieta. Quando chegamos à esquina com a Rua Benedito Silva Ramos, o Seneval perguntou se era para virar à direita e subir, como tinha acontecido no percurso da corrida noturna de 2010. Fiquei contente em anunciar que não. Tudo bem que tinha outra rampa forte logo à frente, na própria avenida. Mas antes ela. A outra tinha sido meio dolorida no ano passado.

 

A altimetria

 

Até a subida, a tropa seguia mais ou menos coesa. Mas no trecho plano da longa (cerca de mil metros) e badalada reta, com seu bonito mirante e cheia de bares e restaurantes que eu só conheço de nome (quem manda não ser gente fina?), os mais ligeiros sumiram de vez no horizonte. Juntos, num trio um pouco menos elétrico, ficamos eu, Juarez e Bruno. Mas não necessariamente devagar. Apurando posteriormente os paces pelo GPS, vi que tínhamos feito os dois primeiros quilômetros mais ou menos de boa, na casa de 5’45’’. No terceiro, completado depois de virarmos à direita na esquina-cotovelo com a Avenida São João, o ritmo já seria de 5’28’’. E em franca aceleração, parecendo que o próprio percurso induzia a isso.

 

Hoje não deu pra ver, mas o visual daqui é bonito

 

Na nova avenida, mais um trecho plano e comprido (com quase mil e quatrocentos metros), passando ao lado do nosso templo esportivo que é o Parque Vicentina Aranha. Quem estava treinando lá dentro, se é que tinha alguém, deve ter pensado em parar de dar voltas e acompanhar os ainda mais doidos que eles. No trajeto do ano anterior, também passávamos por ali, mas a virada era à esquerda na chegada ao bairro da Vila Ema. Desta feita, seguiríamos pelo outro lado, pegando o arco da Avenida Barão do Rio Branco, no sentido contrário à passagem por ela no ano passado. Por ali, o trio viraria quarteto, ganhando como novo integrante o glorioso Tonico, que começara junto com a elite, mas agora se juntava à plebe. E as novidades não parariam por aí.

 

Era justamente essa parte do trajeto, o início da segunda metade, a que eu tinha ido estudar à tarde. Quase no final da avenida onde passei quatro anos fazendo o mesmo em meados da longínqua década de oitenta, iríamos virar à direita no muro da escola de francês (oui, mon ami!) e pegar um trechinho da Rua Pascoal Moreira, em direção ao interessante e diferente trecho contornando uma praça oval, a Sinésio Martins. Lá estava um grande companheiro nosso, em fase final de recuperação de sua lesão. Não podendo correr conosco hoje, o Ronnie providenciou do próprio bolso uma caixa de água mineral e, num belíssimo gesto de amizade e solidariedade, se dispôs a entregar a cada um dos participantes do treino o seu salvador copinho. Obrigado (e parabéns), parceiro! São atitudes como essa sua que me fazem acreditar que as coisas nesse mundo ainda têm jeito...

 

A praça Sinésio Martins

 

Depois da voltinha pela praça e a reposição hídrica, outro ponto que demandou um pouco mais de atenção para evitar erros: pegamos não a mesma rua por onde tínhamos vindo, mas uma paralela antes, a Pandiá Calógeras. Viramos à esquerda no final dela, que muda de nome para Vital Brasil. E fomos sair de volta na avenida, cruzando, pegando a esquerda na rotatória e entrando num belo trecho em leve declive, na Rua Benedito Silva Ramos que nos tinha feito sofrer à beça da outra vez.  Logo que viramos à esquerda para entrar na Rua Dr. Fernando Costa, o relógio soou e alguém declarou “só faltam três”. O ritmo tinha melhorado um pouco mais, já batendo nos 5’15’’, sem esforço exagerado. E o melhor ainda estava por vir...

 

A nossa Avenida Paulista genérica não tem mar de prédios, nem MASP, nem São Silvestre, nem peladões de bike e muito menos paradas de orgulhos diversos, mas, em compensação, tem um morro abaixo (ou acima, ainda bem que dessa vez não!) de dar gosto. Muito cuidado aqui: se você não tiver joelhos fortalecidos, vá na boa, porque são uns 380 metros de total despinguelamento. Mesmo controlando e não alargando muito a passada, baixaríamos naturalmente o pace para 4’52’’ neste oitavo quilômetro do trajeto. No final da rampa, chegando de volta à praça do km 1, duas dobradas rápidas à esquerda e uma à direita. Para passar na rua que fica bem detrás da reta de chegada, a Maria Demétria Kfuri. Um pequeno calombinho ali, quase imperceptível no gráfico, mas que dá pra sentir na cacunda, no encontro dela com o final da descida da São João. É cair para a direita e entrar no retão da Dr. Eduardo Cury enfiando o pé.

 

Ali o Tonicão mostrou que está com o condicionamento em dia. Tentei emparelhar, mas o máximo que consegui foi não deixar a distância aumentar muito. Mantendo, nos dois quilômetros finais, médias bem próximas de 5 por 1, que eu não tenho conseguido fazer nem em finais de corridas recentes. Bom sinal! Ganhei ali mais um copinho d’água entregue pelo Ronnie, que tinha seguido acompanhando o cortejo depois da passagem dos últimos pela pracinha. Contornei a pontezinha no sentido contrário ao da ida e entrei na reta final avistando o Wagner (já voltando para o "resgate") e a Odila, nossa única guria valente a marcar presença no treino, chegando de volta ao shopping praticamente junto com eles. Alguns já tinham chegado faz tempo, outros foram chegando logo depois. Mas, independente do ritmo aplicado no treino, acho que todos ali  estavam bem satisfeitos com a missão de reconhecimento cumprida.

 

Recebidos pelo nosso amigo Sylvio, um dos organizadores do evento, que veio prestigiar o final do nosso treino informal, gravamos um vídeo com depoimentos sobre o percurso (quando for publicado, anexo aqui). Apesar de ensopados e do frio de gelar ossos, ainda ficamos por ali um bom tempo (eu e o Mineiro), batendo papo e dando pitacos diversos sobre essa e outras provas do nosso calendário local. O bacana é não só termos essa abertura, mas sobretudo o privilégio de termos nossas opiniões levadas em conta. Já vimos muitas das nossas sugestões serem colocadas em prática e é assim, juntos, que temos trabalhado pelo crescimento e melhoria das corridas na nossa cidade e região. Digo sempre: sou formiguinha, mas tenho orgulho disso!

 

Resumo da ópera: a prova promete! O novo percurso, apesar de escuro e escorregadio nessa noite não muito própria para treinar (alguns mostraram que são MALUCOS DO ASFALTO SECO, hehehehe...), já deu mostras de ser bastante propício a boas marcas. Testado e aprovado por todos que nele estivemos. Chegando mais perto do dia da corrida, marcamos um bis. Quem aí topa?

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti

 


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