Botando o bloco na avenida

Data: 11/02/2010 (quinta)

Horário: 18h53min

Distância: aproximadamente 25,25 km

Tempos: entre 1h40min e 2h32min

 

É carnaval! Bem, tecnicamente, ainda não, mas tem gente que já está no clima faz tempo. Gente que não corre, em sua maioria. Existem, é claro, corredores-foliões, mas a maior parte da espécie com quem converso no dia-a-dia, acompanho nos blogs, Orkut, Twitter e congêneres, diz que vai aproveitar o reinado de Momo para colocar em dia e/ou intensificar seus treinos, visando essa ou aquela prova-alvo. Inclusive esse que vos escreve.

 

Para não deixarmos para domingo, um dia depois daquela prova que a gente até faz, mas não sai espalhando por aí, resolvemos em consenso adiantar o longão carnavalesco. A ideia, como de costume, surgiu em uma troca de e-mails envolvendo os tradicionais membros do nosso politburo (eu, Michel, Luis Carlos, Wilson, etc.), os que vivem tramando encrencas desse tipo e colocando os colegas em roubadas. A equipe 100 Juízo foi convidada de honra, junto com uma numerosa lista de amigos aptos a enfrentarem a distância planejada. Como opção, eu havia bolado um caminho alternativo, que cortava o trajeto em cerca de 7 km, dando a oportunidade tanto para os que estavam treinando para maratonas (SP, a galera, Porto Alegre, eu), como também para os que visam a estreia (ou repeteco) na Meia Internacional, já confirmada para o próximo dia 7 de março.

 

O percurso do treino

 

A altimetria do treino

 

Cheguei cedo ao local combinado como ponto de encontro. Fui tirar umas fotos para ilustrar o relato, mas me dei conta (outra vez!) de que não tinha carregado a bateria da câmera. Pra não passar batido, dá-lhe, Google Images... Dessa vez, por questões de praticidade (estacionamento), a escolha recaiu sobre o Parque Santos Dumont. Depois da abertura do Vicentina Aranha ao público, ele caiu um pouco em desuso como local de prática esportiva (ainda contando com vários caminhantes, mas poucos corredores), voltando às origens como opção de lazer para a criançada. Foi um lugar muito marcante na minha infância (faz tempo!) e tenho o gosto de dizer que está sendo também na do meu filho.

 

O Parque Santos Dumont

 

A galera demorou um pouco a aparecer, uns presos no trânsito, outros no trabalho, mas acabamos reunindo um bom grupo. Além do supracitado quarteto mentor do projeto deste treino, os nossos amigos Zebra, Manoel, Natanael, Wagner, César, Brazilino e Rafael. Faltaram alguns que imaginei que viriam, como o Mayke, o Seneval, o internacional Paulo Gallo e o Tonico. Com algumas explicações básicas a respeito do percurso (que eu havia esmiuçado em mensagem dirigida a todos) e quase meia hora de atraso, finalmente conseguimos começar, atravessando uma ultramovimentada Av. Dr. Adhemar de Barros e ganhando a calçada da Rua Prudente Meirelles de Moraes, endereço dos dois principais parques da região central da cidade, o próprio Santos Dumont e o Vicentina Aranha.

 

No cruzamento com a Nove de Julho, avenida paralela à do local da partida, uma nova parada forçada. Alguns, não querendo interromper o movimento, seguiram num vaivém enquanto o sinal não abria. O Brazilino, do meu time, disse “eu paro”. Bonequinho verde surgindo, atravessamos com segurança e pegamos a pista lateral externa do nosso point habitual de treinos, dessa vez, apenas ponto de passagem. Ali ganhamos a companhia de mais um corredor. O Zebra começou a bater papo e quando vimos, ele já estava correndo com a gente, contando tradicionais histórias de corredor, falando sobre sua participação em equipe no revezamento de Volta à Ilha (esse é show, hein?). Como eu sempre digo nos relatos e tuitadas, quem quiser pode chegar. Quanto mais gente correndo conosco, melhor.

 

A Rua Prudente de Moraes, ao lado do Vicentina

 

Até então, o grupo ainda era compacto. Não por equiparação de velocidades, mas porque nem todos conheciam o caminho. Sempre tinha gente querendo virar para o lado errado nas esquinas e os guias eram requisitados com frequência. Na chegada à São João, viramos à direita no sentido centro da cidade, atravessamos e entramos na primeira rua à esquerda. O “alvo” era a Av. Barão do Rio Branco, outro endereço marcante da minha história pessoal (estudei lá nos 80’s), mas de novo teve gente querendo seguir reto pelo caminho errado. E tome gritos de “volta”, “por aqui”, “direita” ou “esquerda”... Com fôlego ainda intacto, sem problema, ficava fácil dar o alerta. Difícil seria fazer isso mais pra frente.

 

A Avenida São João

 

Depois de contornarmos o arco da Barão, voltamos à São João, já no início da descida dela. Todo mundo despinguelou ladeira abaixo... Alguns, talvez, já pensando que teriam que subi-la horas depois. Nesse ponto o trajeto ficou idêntico ao de outro treino coletivo, o de 16 km, feito no final de janeiro. No final da rampa, curva à direita e pegamos a pista plana e reta da Av. Eduardo Cury. Dessa vez, no entanto, já pensando em poupar articulações (entenda-se joelho!), alguns sugeriram pegar o canteiro central, todo gramado. Embora reformado recentemente, meio irregular, escondendo alguns buracos traiçoeiros. Mas, com o dia ainda claro, até dava pra arriscar. Chegamos ali à marca dos 3 km de treino. Os grupos começavam a se formar. O meu tinha o César, o Luis Carlos e o Michel. Um pouco mais à frente, Zebra, Rafael e o corredor-convidado-de-última-hora. Logo adiante, Nata e Wilson. E, pedindo informações para depois sumir no horizonte, o Manoel. Ao final da avenida, perderíamos a companhia do Wagner e do Brazilino, que tinham optado pelo trajeto menor e, com isso, ao invés de seguir pela Via Oeste, entrariam direto na Av. Lineu de Moura sentido Urbanova. 

 

Mais um trecho longo com chão “estável”, em uma das mais novas avenidas da cidade, que tínhamos estreado no ano passado, em um treino pós-Maratona de SP com o Jorge e o Toninho Corredor. E que passou a ser, desde então, parte dos meus percursos habituais de rodagens. Só que a alegria duraria pouco. Depois que acabava o muro branco do Jardim das Colinas, vinha a primeira subida do treino, não muito íngreme, mas bastante longa, exigindo um pouco mais de esforço de quem vinha até então totalmente na maciota. Ao final dela, um pequeno platô, no trecho que não aparece ainda nem nas imagens de satélite do Google Earth, utilizadas como base para o MapMyRun, site no qual faço as medições dos meus percursos de treinos. Uma nova guinada à esquerda, um novo morrinho enjoado e chegamos ao Jardim das Indústrias, pegando a Av. Campos Elíseos. Trecho sugerido pelo Michel. Pelo meu projeto original, o percurso passaria pela Av. Jockey Clube, seguindo até o final da área do condomínio Esplanada do Sol. Ficou melhor e mais urbanizado, é bem verdade, embora tenha incluído inclinações não previstas. Que enfrentamos todos bem.

 

A Via Oeste

 

O nosso parceiro-surpresa de treino ia bem, acompanhava o capitão Zebra em seu ritmo forte, não os tradicionais 4’ por 1 das provas, mas mantendo boa distância à frente. Enfrentou bem uma nova rampa no final da Campos Elíseos, curta, mas bem inclinada. Só que virou para o lado errado na chegada à Av. Cassiano Ricardo. Paulistano e há pouco tempo na cidade, quase foi parar lá pelos lados da Dutra. Voltou meio esbaforido e retomou o trajeto certo, indo novamente se posicionar no grupo da frente. Wilson e Natanael fizeram um movimento quase de nado sincronizado e voltaram para nos acompanhar. Passando em frente ao local de trabalho do Michel, perguntei brincando se por acaso ele tinha algum isotônico por ali. De preferência um que não fosse 12 anos red label.

 

Depois de passarmos ao lado do monumento e do jardim típico, construídos em homenagem ao centenário da imigração japonesa, vinha uma nova boa descida. Na maior parte dos treinos conjuntos já feitos, principalmente os arquitetados pelo “maquiavélico” Toninho, a passagem por ali era quase sempre no sentido inverso, rampa acima. E tome calcanhar no glúteo! Com quase 10 km percorridos, uma nova injeção de ânimo e velocidade caiu bem.

 

O monumento e o jardim japonês na Cassiano Ricardo

 

Na chegada à Av. Major Miguel Naked, de um lado a portaria do condomínio Colinas, da outra, o shopping de mesmo nome. O Wilson voltou novamente para dar um aviso: o Natanael tinha sido obrigado a uma daquelas paradas forçadas que acontecem, infelizmente, com quase todo corredor. É, por aquele motivo mesmo. Solidário com o colega, ele esperou e disse que depois nos alcançariam. Conhecendo bem as feras, tinha certeza disso. Agora o Zebra corria com a gente e, por acaso, perguntou se o Michel tinha ficado. Na reta da Cassiano Ricardo sim, ele estava na rabeira da tropa, mas mantendo pouca distância do nosso grupo. Agora ninguém o via. Também, o cara tinha atravessado a pista, corria agora pela lateral do shopping e parecia que tinha sido ligado em 220 Volts. Acelerava e deixava todo mundo para trás. Mostrando que começou forte a temporada!

 

Nesse ponto, quem quase comeu mosca fui eu... Vou pagar de GPS, olha no que dá. Se o César não me avisa, eu ia pegando de novo a Via Oeste. Mais uma volta pelo bairro e o percurso ia para 32 km. Vai ver é querer antecipar os longões que inevitavelmente virão, mais pra frente. Corrigido o desvio, entramos à direita, atravessamos a pista e fomos pegar o caminho por onde Wagner e Brazilino tinham seguido no começo do treino. Projetando onde iríamos provavelmente encontrá-los, já de retorno (o que acabaria não acontecendo) .

 

Aí o trajeto virou conhecido de todos. A Lineu de Moura já foi mencionada em vários outros relatos de treinos, é muito boa pra correr, principalmente depois da reforma que lhe deu uma ciclovia e uma pista lateral de caminhada. Não é plana, tem uma subida meio camuflada no trecho delimitado entre os clubes aquático e de campo. Mas é um lugar tranquilo e seguro para treinar. Quase no final da avenida, já chegando à curva a partir da qual a calçada fica bem mais estreita, ganhamos mais um companheiro de treino. Era o Leonardo, que já tinha feito o Urbi et Orbi semanas atrás e, nos esperando na passagem pela Barão do Rio Branco e não nos encontrando, tinha começado a correr atrás a partir do posto na esquina da São João com a Jorge Zarur. A dupla virou trio, eu e o César ficamos certamente contentes em ter no grupo um corredor de sangue novo, o que nos ajudaria a manter o ritmo. O conjunto relógio e footpad marcava paces na casa dos 5:30 aos 5:45, mas dava a impressão de estar nos superestimando. O feeling era de estar correndo abaixo dos 6’, mas não muita coisa.

 

Agora a noite já tinha caído há algum tempo e tínhamos que prestar ainda mais atenção, principalmente nas muitas sombras e penumbras do caminho. A chance de topar com algum “obstáculo” era real e imediata (o Wagner diria depois que até cobra eles tinham visto por ali). Felizmente, sem ocorrências, passamos intactos pelas duas rotatórias e pela perigosa calçada de pedras que dá as boas vindas a quem chega ao Urbanova. Seguimos novamente pela pista da direita após a ponte e pegamos o começo da Av. Possidônio. O trecho mais acidentado nos trouxe de volta a companhia do Luis Carlos. Com ele seguimos por todo o tobogã dessa avenida, velho conhecido de outros treinos e até da minha primeira prova em São José, disputada em outubro de 2005, mas que ainda tem no chão, como lembrança, algumas marcas de quilometragem. Passamos pela simbólica “placa” do km 15 com um tempo melhor que as minhas duas São Silvestres. Ilusória ou não, foi mais uma pequena alegria.

 

No treino anterior eu tive uma imensa vontade de andar naquele trecho, mas resisti. Dessa vez, já um pouco mais condicionado, subi na boa, endireitando a passada e usando a velha técnica dos braços para impulsionar ladeira acima. Como prêmio, ganhei duas belas descidas, uma em frente à igreja, outra ao lado da universidade. Sempre tem ali alguém que pergunte se a gente vira à direita pra pegar a subida. A resposta é sempre a mesma, a do comercial de presunto. Nem a pau, Juvenal...

 

Panorâmica do Urbanova

 

Aquele é um ponto que sempre me anima em qualquer treino. A hora de parar pra molhar a goela. Dessa vez, para alagá-la, praticamente. Primeiro parou o nosso grupo com quatro corredores e enxugamos duas garrafas (d'água, óbvio!) de 1,5 litros na Adega. Depois, vindos de propósito ou não da subida que eu evitei, Zebra e Wilson, o nosso cabrito montês. Desce mais duas, comandante, capitão, tio, brother, camarada... Ali eu sempre ressuscito. Posso até sentir à beça as pernas pesadas depois que esfriam. Mas a sensação de transformar de novo a “lixa” em garganta é renovadora. Com a pausa,  todo mundo decidiu seguir em ritmo de trotinho. Até o Wilson disse que ficaria mais pra trás até reesquentar. Pela Av. Shishima Hifumi seguimos de volta, rumo à rotatória por onde tínhamos entrado no bairro. O Luis já tinha dado uma banana para os patrocinadores e corria sem camisa. A nossa sorte era a temperatura, que andou na casa dos 28ºC nesse horário, ter caído um pouco justo hoje. Quente estava, mas podia ser bem pior. Ufa!

 

O ritmo tinha claramente diminuído, aparecendo agora no relógio como estando na casa de 5:55. Parecia até mais alto, na verdade. Atravessamos a ponte novamente, pegamos de novo o trecho escuro e estreito do começo da ciclovia e seguimos em bloco. As conversas, antes de frases inteiras, agora se restringiam a uma ou outra palavra mais curta. Mas estávamos todos muito bem para quem já tinha passado dos 20 km. A marca da meia maratona chegou com interessantes 2 horas. A apuração dos “resultados” reais indicaria que não era mesmo bem assim, mas novamente serviu como um bom incentivo. Eu me sentia muito bem, treinando com satisfação, sem nenhuma vontade de “chutar o balde”, como seria comum àquela altura em treinos solitários. A companhia dos amigos fazia bem. Um deles, que já tinha começado depois, terminaria antes. Passando perto de casa, o Leo preferiu fechar ali a sua participação especial. Muito bem-vinda, por sinal. Entramos de volta no retão da Eduardo Cury em formação de trio, que seguiria junto até o final. Apesar dos desafios que ainda tínhamos a enfrentar.

 

O retão da Eduardo Cury

 

Como eu digo sempre pro Jorge, o Toninho é o carrasco, mas eu sou o carrasquinho (dupla sertaneja?). Todos que acompanham os meus relatos sabem do meu pouco gosto por subidas, mas, de vez em quando, sabe-se lá por quê, resolvo incluir umas no caminho, principalmente quando tem mais gente na parada. Sobretudo quando é gente que gosta menos ainda que eu das lombas. Mas ali não tinha muito jeito. Depois de termos ido para a várzea do Rio Paraíba, não havia outra forma de voltar à região central senão subindo. Podia ser pela São João, caminho mais curto e óbvio. Ou por qualquer outro, também inclinado e bem mais longo, como pela Anchieta/Borba Gato ou pela Estrada Velha. Preferi o atalho. No treino de janeiro, corri uma parte e depois tive que andar. Dessa vez, nada me faria repetir aquilo. Fui pelo meio da pista, colado à mureta que divide a avenida em duas. O César chegou a esboçar uma caminhada, mas eu e o Luis não deixamos. Subimos todos juntos. Eu, estranhamente inteiro, chegando inclusive ao posto na esquina com a Madre Paula um pouquinho à frente dos companheiros. Cena bem rara.

 

E isso me deu um gás adicional para seguir pela leve, quase imperceptível descida a partir dali. Mesclada com trechos planos pela continuação, que muda de nome para Heitor Villa-Lobos após a esquina com a Serimbura e a Nove de Julho, ela nos levou de volta à primeira avenida percorrida no treino, a Adhemar de Barros. O entusiasmo era visível na passada dos colegas. Eu acompanhava com gosto, não deixando nenhum deles abrir grande distância. Chegamos de volta ao Parque e mantivemos a aceleração pelo trecho final, já no estacionamento. Ali nos esperavam a maior parte dos amigos, que já tinham concluído o treino. Manoel, o primeiro a chegar, fechou próximo a incríveis 1h40min, pouca coisa a menos que a dupla Wagner e Brazilino, que tinham feito um ótimo treino com cerca de 18 km. Todos cansados, alguns mais doloridos e ávidos por um bom e útil relaxante muscular. Mas a sensação coletiva e geral era de missão cumprida. A alegria e satisfação que sempre acompanham o final de um treino longo, em especial um como aquele, feito ao lado de tão bons camaradas. Refrescamos-nos solidariamente compartilhando água, isotônicos e refrigerantes trazidos por alguns de nós. E bananas e bolachas, trazidas pelo sempre prestativo Wagner, foram sumariamente devoradas. Se alguém ligasse para o disque-pizza, como chegou inclusive a ser cogitado, melhor ainda. Merecíamos, enfim. O Wilson, com quem tínhamos ficados preocupados pelo chá de sumiço, acabou reaparecendo, dizendo que tinha sentido a panturrilha. A torcida é para que tenha sido apenas um susto e que não o impeça de dar continuidade aos seus treinos e preparação para a maratona e todos os desafios que virão. O Capitão Zebra é que ficou questionando se estava preparado para fazer uma maratona. Justo ele, que não vai fazer (será que não mesmo?) uma, olha só... Como eu fiz questão de frisar na hora: não está mesmo, como ninguém ali está ainda. Mas estamos nos preparando, e bem!

 

A galera do treino

 

Mais um belo treino, afinal. Unindo, como de costume, o útil ao agradável. Dando até, aos que participaram dele, o direito de curtir uma boa folia. Que venham os próximos!

 

Abraços,

 

Fábio Namiuti

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