Até breve, guerreiro!

Data: 17/11/2010 (quarta)

Horário: 19h31min

Distância: aproximadamente 10 km

 

Tenho o costume de dizer brincando, mas com um fundo de verdade, que corrida boa é corrida que conta com a presença de todos os amigos. Hoje em dia, graças a Deus, eles são tantos que não há uma prova sequer em que não esteja presente pelo menos um companheiro de batalhas. E, na prática, a possibilidade de reunir todos é próxima de zero, já que eles estão espalhados pelos quatro cantos do país, alguns até pelas gringolândias da vida.

 

Acostumamo-nos a ver, não de muito tempo, mas de forma bastante participativa e intensa, a figura marcante de um desses nossos bons camaradas. Presença constante nas corridas de rua das mais variadas distâncias e parceirão de treinos, daquele tipo que não recusa convite nem para uma sessão sob tempestade (e não é modo de dizer!). Que andou afastado das provas por uma séria contusão, quatro longos meses de gancho, que entristeceram não só a ele mesmo, claro, mas também a todos nós, seus companheiros de equipe 100 Juízo e amigos em geral. Mas, também como sempre digo, contusões, por mais sérias que possam ser, passam; a corrida continua. E assim, ele voltou a competir no final de outubro, fazendo a última etapa da Série Delta, a Oscar Running Night e sendo bravo representante dos malucos do asfalto no poeirão de Guararema, na Prova Pedestre Francisco Bueno. Imaginávamos todos que contaríamos com a companhia dele neste final de temporada de corridas no Vale e, sobretudo, na próxima, participando ativamente de mais uma preparação conjunta para uma maratona. Mas aí recebemos a notícia de que ele estava com outros planos...

 

Buscando novos horizontes profissionais (e seguir com a batalha do dia-a-dia de todos nós), o Sílvio anunciou que estava de mudança. Não uma qualquer, para cidades vizinhas, mas para bem longe, lá para o norte do país. Lamentamos muito a “perda”, mas compreendemos os motivos que levaram a essa decisão. A despedida ficaria marcada para a última prova do ano na cidade, a da Univap, prevista para o próximo domingo, dia 21. Como eu já tinha outro compromisso para a data, correr a Samsung 10k em SP, sugeri um treino coletivo de bota-fora. Algo que não tem o mesmo glamour e nem a competitividade de uma corrida de rua, mas que gostamos demais de fazer juntos e que tantas vezes repetimos nos últimos tempos. Com a anuência do homenageado, convoquei a galera. Durante todo o dia, a chuva foi e voltou, ameaçou transformar a brincadeira em coisa mais intimista, para uma meia dúzia de três ou quatro malucos. Mas, na hora prevista, a das sete da noite, o chão estava seco... Embora nuvens negras indicassem que era bom a gente começar logo!

 

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O percurso do treino

 

O ponto de encontro foi o mesmo de outras ocasiões, o nosso parque mais antigo, na região central da cidade. O estacionamento aberto e gratuito, com flanelinhas que não cobram vintão, ficando contentes até com singelas moedinhas, é uma mão na roda. Combinamos em frente à réplica do 14 bis, homenagem ao inventor que também dá nome ao local. Falei que definiríamos o trajeto do treino na hora, mas acabei optando por montar um como sugestão. Bonzinho, projetei um que fugisse das subidas mais fortes. E ainda coloquei uma bela descida, daquelas em que todo santo ajuda.

 

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A altimetria do treino

 

Não esperava, logicamente, a mesma repercussão do último treino coletivo, que teve quase quarenta participantes. Afinal, não estávamos simulando nenhum percurso de prova. O número de interessados naturalmente diminuiria, apesar da quantidade de “convites” enviados ter sido quase proporcional. Uns chegaram mais cedo, inclusive eu, que fui antes resgatar no trabalho o amigo Toninho, outros menos. Com pouco mais de meia hora de tolerância (viu como somos tolerantes?) e um bom grupo de quatorze corredores reunidos, finalmente partimos, virando à direita na Rua Prudente de Moraes rumo à Av. Francisco José Longo. Só mesmo sendo o “guia” para eu sair na frente de todos...

 

Galera reunida no 14 bis

 

O clima desses nossos treinos conjuntos é sempre do maior alto astral. Quem não fez nenhum até hoje, precisa conhecer. É aquele bom e velho papo furado quase o tempo todo, piadas de todo tipo, um sacaneando o outro (no bom sentido, claro!). A gente não sabe se corre ou se ri. Não poderia ser diferente nesse treino pra lá de especial. Laços de amizade que cultivamos, porque aprendemos que é assim que eles se reforçam, na convivência. Sempre que algum errava o caminho, tomava vaia... E o pobre do “organizador” que se virasse pra gritar, avisando o caminho certo. Ainda bem que, no começo, ele estava com todo o fôlego.

 

Seguimos pela avenida até a esquina dela com a Heitor Villa-Lobos, onde viramos à direita e pegamos outra longa reta. Apitinhos quase simultâneos indicaram que o km 1 estava bem sincronizado nos diversos gadgets. O ritmo estava bem tranquilo, perto dos 6’/km, para homogeneizar o grupo, que tinha diversos tipos de corredores. Continuava puxando a fila, junto com o Luis Carlos e o Gerson. Mas tinha gente mais ligeira já começando a ficar inquieta lá atrás. Ô, comichão!

 

Depois de todo o burburinho com o controle de trânsito na recente corrida noturna, até que os motoristas joseenses hoje se redimiram parcialmente. Nos cruzamentos, mesmo alguns abertos para eles, nos respeitaram enquanto grupo de corredores e deram passagem. Não sei se o fariam individualmente (e nem vou pagar para ver!). Passamos sem susto pela 9 de Julho, onde o Toninho levou o dele tempos atrás, sendo abalroado por um veículo e ficando fora de combate por algumas rodadas. Seguimos pela Madre Paula até a São João, a atravessamos e entramos no arco da Barão do Rio Branco, até a ETEP, onde viramos à esquerda e descemos a nossa Avenida Paulista, bem mais estreita (ainda mais com o monte de carros estacionados em 45º) e menos imponente que a original. Ali, com três quilômetros de treino, teve gente despinguelando de vez morro abaixo e esquecendo que era só brincadeira.

 

Pista do “Maconhão”

 

Contornamos a lateral do Maconhão (também no bom sentido) e pegamos um trechinho do percurso da corrida noturna. Houve até quem quisesse seguir por ele, pegando a forte subida que derrubou meio mundo naquela noite. Eu, hein? Em um projeto assinado por mim, dificilmente elas, as rampas assassinas, existiriam. Seguimos reto até o começo da subida da Anchieta, mas, ali à esquerda, tem a alegria dos preguiçosos, a Borba Gato, uma subida só para baixinhos, que eu uso, como diria o carteiro Jaiminho, para evitar a fadiga. Já deixando a liderança do grupo para quem a merece, foi nesse trecho que corri e conversei um pouco com o homenageado da noite, que disse o quanto estava contente pelo fato de voltar a correr sem dor. E não tinha sido unha encravada, não. Uma bela de uma fratura por estresse na tíbia, isso sim. Não era à toa o contentamento.

 

Igreja Matriz de São José

 

Chegamos então à região do centro da cidade. Passamos pela curva do “S”, chegamos à orla do Banhado e seguimos reto até a rodoviária velha, onde retornamos, passando pela Igreja Matriz, marca do km 7 do percurso. Trechos de outro treino chuvoso e marcante, relembrado pelo Wagner, pelo “Centro Histórico” de São José. Os quatro integrantes dele estavam firmes, ali entre o grupo. O Michel, inclusive, querendo dar uma paradinha para uma gelada. Uma água gelada, claro...

 

O trajeto seguiu pelo centro da cidade, passando pela comercial Rua XV de Novembro, a não muito bem frequentada Praça Afonso Pena e um pequeno trecho da bancária Av. Nelson D’Ávila. Viramos à direita no cruzamento dela com a João Guilhermino, pegando ali uma leve subida, que não se percebe ao passar de carro, até porque o sentido do trânsito é o contrário. Passamos pela faculdade de direito, entramos na R. Euclides Miragaia e viramos à esquerda no Tênis Clube para pegar a 9 de Julho. O grupo já estava mais disperso, alguns disparavam na frente e o Mineiro tinha voltado para buscar o Rodrigo, que tinha ficado um pouco mais para trás. Corria agora junto com o Bruno, meu parceiro habitual de ritmo em provas; e com o Wagner, que é da turma da frente, mas estava se poupando. Estava satisfeito de ouvir de vários dos amigos ali presentes que o percurso escolhido tinha sido bastante agradável.

 

A Avenida 9 de Julho

 

Já era quase o final do treino. E a chuva anunciada tinha finalmente vindo, descendo forte. Se fosse antes, ela talvez tivesse impedido o treino, mas, durante, era de lavar a alma. Na esquina do Vicentina Aranha viramos novamente à esquerda, para pegar outro trecho da rua onde tínhamos começado. Meu GPS não chegou a registrar 10 km, dando uma pequena diferença a menos, mas outros o fizeram. Em ritmo bem tranquilo, passamos a régua em pouco menos de uma hora. Os cumprimentos de sempre, a gostosa sensação da missão cumprida, mesmo que não seja missão oficial. Dá pra ver na cara de cada um a pergunta “quando é que vai ser o próximo?”. Gosto demais disso. Não fiquei para a “celebração”, porque ainda tinha que levar o Toninho até a casa dele. Mas os amigos sabem que estarei em outras.

 

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Guerreiro Sílvio, nosso grande camarada

 

Fica aí, portanto, a nossa singela homenagem a esse grande amigo, que vai fazer muita falta no nosso grupo. Acredito que ele tenha curtido bastante (correu bem à beça!) esse passeio. E tomara que isso possa ser repetido em outras oportunidades futuras. Desejo a ele todo o sucesso nessa nova etapa da vida e da carreira. E que ele seja muito feliz nela, porque é pleno merecedor disso. Boas e firmes passadas na floresta, Silvião! Um grande abraço, desse e de todos os amigos que você fez por aqui.

 

Fábio Namiuti

 

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