Aquamen

Data: 02/12/2010 (quinta)

Horário: a partir das 19h30min

Distância: aproximadamente 10 km

 

De tradição está virando mania. Quando a gente não marca, a galera cobra. Treino coletivo é bom demais! Pode até não ser tão proveitoso quanto um daqueles mais rígidos, seguindo a planilha ao pé da letra. Mas é diversão garantida. Eu gosto; e meus amigos corredores também.

 

O legal está sendo constatar não só que o número de interessados em participar conosco das atividades vem crescendo a olhos vistos, mas também que estamos nos cercando de gente de ação, que arregaça as mangas e não fica simplesmente esperando as coisas acontecerem. Um desses novos integrantes da nossa Equipe 100 Juízo, que já vem mostrando trabalho e muita vontade de colaborar desde as primeiras participações com a gloriosa farda, é o Ronnie. São de autoria dele, por exemplo, os vídeos das últimas corridas que temos divulgado na internet. E foi dele também a ideia de marcarmos um novo coletivo, desta vez aqui na nossa quebrada. Numa noite dessas, nos esbarramos na rua, eu terminando e ele no meio de um treino. E deixamos mais ou menos acertadas as coisas. Faltava só combinar a data, a hora e o percurso.

 

O percurso do treino

 

Eu até já fui parar em outra parte da cidade por uns tempos, mas aqui, mano, nóis é ZS e não tem jeito. Tá no DNA. Moro aqui na região sul desde que ela nem tinha asfalto ainda. E posso até sair daqui um dia, mas isso aqui não sai de mim mais não... Meu bairro, o Jardim Satélite, cresceu, ficou movimentado à beça, cheio de estabelecimentos comerciais e mais ainda de carros. É uma cidade dentro da cidade, tem quase tudo o que se pode imaginar em um bairro. Mas, de forma até surreal, é também ainda um lugar tranquilo, onde se pode jogar bola nas ruas, bater papo na calçada até tarde da noite. E, melhor, até correr! Dentro de um polígono de cerca de sete quilômetros que o rodeia, tem de tudo um pouco... Longas e planas retas, subidas e descidas fracas ou fortes, asfalto, paralelepípedo, concreto da ciclovia ou das calçadas, pista de atletismo, grama e até terra (se bem que estão mexendo agora no último reduto onde ela ainda existe). Praças bonitas e arborizadas para correr longe dos carros ou avenidas que não deixariam os mais ferrenhos paulistanos com saudade de casa, para disputar espaço com eles. Foi em duas delas, a Andrômeda e a Cidade Jardim, que o companheiro de equipe baseou o seu traçado. A concentração ficou combinada para as sete horas desta noite (ou final de tarde) de quinta-feira no shopping, o maior da cidade.

 

A altimetria do treino

 

Faltando poucos minutos para sair de casa, tuitei um será que a chuva vai deixar a gente treinar? As nuvens negras na janela do meu escritório, com vista para a zona leste da cidade e a rodovia que vai para o litoral, eram pesadas e ameaçadoras. Parecia que o mundo estava desabando lá para os lados da fábrica de aviões. Saí assim mesmo, cheguei pouco antes da hora marcada e por lá já encontrei o Juarez e seu filho, o nosso organizador do treino e o Cezinha. Aos poucos, foi chegando toda a galera. A tolerância é marca registrada, a gente aproveita aqueles minutinhos a mais enquanto os retardatários não chegam para colocar as fofocas em dia. E olha que corredor tem assunto, parece comadre... Mas, dessa vez, acho que a gente acabou esperando demais. Quem acabou vindo, quando parecia que já tinha até indo embora, foi a dona chuva. E que chuva!

 

Galera reunida antes do treino

 

Achei que era brincadeira quando parte da rapaziada falou que ia assim mesmo, mas não é que eles foram? O frio de bater queixo que eu menciono no vídeo é brincadeira, a temperatura estava bastante agradável, principalmente diante do calorão brabo que temos enfrentado nos últimos dias. Mas o problema que é a dita cuja foi tão forte que logo alagou tudo. Só ouvi os blosh, blosh quando a turma resolveu sair pisando nas poças que mais pareciam piscinas. Um foi chamando o outro, que criou coragem e arrastou mais um. No final das contas, ficamos eu e o Adriano, que não somos feitos de papel e nem de açúcar, mas preferimos apostar numa mudança repentina do tempo. E ela até pareceu que veio. Quando o toró virou garoa, lá fomos nós, como Lucas di Grassi e Christian Klien atrás das Red Bull, das Ferrari e das McLaren...

 

A aposta pareceu até ter sido boa, mas que nada! Primeiro que não havia a menor condição de cumprirmos o roteiro original. Atravessar a rua da ACM para seguir reto pela Andrômeda, só se fosse de balsa... Sugeri então que fizéssemos o caminho no sentido inverso, de forma que, ao encontramos o pessoal voltando, pudéssemos retornar com eles. Seria uma versão compacta com os melhores momentos do treino, mas ainda assim era melhor que ficar morgando no shopping, esperando o povo voltar. Mas bastou a gente pisar na Cidade Jardim para o céu voltar a despencar. Castigo completo: além de encharcar tudo, principalmente tênis, do mesmo jeito, ainda teríamos que subir a rampa ardida e bastante conhecida dos corredores locais e dos participantes da Oscar Fashion Running (a diurna).

 

A rampa (finalzinho dela) da Cidade Jardim

 

Mas, se em corrida já não deveria existir motivo para estresse, imagine então em treino. A gente estava lá para se divertir! Fomos conversando, eu e o Adriano, descobrindo que frequentamos a mesma universidade (e os mesmos botecos também!) nos saudosos anos noventa. Mal deu pra notar a rampa. Só o meu joelho, que parou de doer, mas não de incomodar, é que resmungou um pouco. Mas deve ficar bom de novo até domingo, quando vai comigo pegar a subida dos boxes em Interlagos. Tem que ficar!

 

De olho vivo para não darmos uma bela topada nas calçadas bem irregulares, ou uma senhora escorregada naquele chão liso feito quiabo, seguimos em ritmo tranquilo pela parte plana da avenida, passando em frente ao meu prédio (não, não deu vontade de entrar!) e ouvindo comentários pouco elogiosos das pessoas abrigadas nos pontos de ônibus e marquises. Foi de maluco pra baixo... Não sem motivo! Já imaginando topar com os ponteiros do treino, atravessamos as duas pistas e seguimos pelo outro lado, ganhando a pista de caminhada e corrida que margeia toda a frente do condomínio bacana, onde começa o bairro vizinho do Bosque dos Eucaliptos. Não tardaram a aparecer os ligeiríssimos Rafael e Cezinha. Haja perna e pulmão pra acompanhar, os dois juntos não têm a minha idade!

 

A pista de caminhada da Cidade Jardim

 

Ainda faltava um bocado para chegar ao ponto previsto para o retorno, a primeira esquina depois da sede do Serviço Social da Indústria, além de um breve ziguezague pelo Jardim Estoril. Mas ao encontrarmos os próximos “retornantes”, um trio composto pelo capitão Zebra, o Ronnie e o Thiago, achamos por bem seguirmos com eles. Não que fosse fácil... Os caras são ariscos até mesmo brincando! Mas seria um bom incentivo para uma segunda metade de treino bem mais veloz que a primeira. Aceleramos um pouco (ou bastante!) para tentar acompanhar, ou pelo menos não perder muito contato com os três. No trecho plano foi meio complicado, a impressão é que eles iriam desaparecer no horizonte a qualquer momento. Mas quando veio a rampa abaixo, até que simplificou a tarefa. Ela deu uma boa igualada nas condições. Dizem até que existe uma lei de Newton que explica o porquê...

 

Aí bastou um esforcinho extra para encarar a peneirinha, no vocabulário peculiar do nosso líder da equipe, que liga as duas avenidas, por onde tínhamos passado à força na ida para não sermos obrigados praticar nado crawl. Bom demais ali, no final da subida, foi contar com o apoio logístico providenciado pelo promotor do evento. Tinha um posto de água (móvel, no carro pilotado pela mãe do Ronnie) e, olha, o copinho caiu bem à beça! Pelo outro que também estava disponível na ida só não passei porque retornei com o Adriano antes. Muito capricho e consideração para com os companheiros de treino. Muito obrigado!

 

O shopping

 

Ao invés de retornarmos direto ao shopping pela mesma entrada, para completar os dez quilômetros, o Ronnie propôs uma “emenda” no percurso, seguindo reto pela Andrômeda até outra portaria seguinte. Eles aceleraram e nós fomos alcançados também pelo Wagner e de novo pela dupla (que não é sertaneja) Cezinha e Rafinha, que não sei por onde foram para chegar até ali. Aí pintou a cena mais engraçada do treino. No ponto de ônibus cheio de gente, tinha uma garota toda perfumada e bem-vestida, que simplesmente entrou em pânico quando viu aquela turba enfurecida de corredores ensopados de chuva (e suor) crescendo para cima dela... Desviamos, claro. Mas a cara de nojo da luluzinha valeu o dia, ou melhor, a noite.

 

O atraso na largada impediu um papo mais prolongado pós-treino. Foi a conta de chegar, cumprimentar os já ali presentes, esperar quem ainda estava por vir, tomar mais uma aguinha gelada, parabenizar o Ronnie pela iniciativa, desempenho e apoio prestado a todos nós e logo em seguida dispersar, porque já eram quase nove horas da noite, os trajes estavam parecendo de mergulho e os seguranças do estabelecimento comercial estavam em polvorosa. Quando passamos pela portaria, ouvimos até pelo rádio comunicador: “são os atletas”. Caras, fiquei todo orgulhoso... ;-)

 

Valeu, galera! Valeu, Ronnie!!!

 

Brincadeiras à parte, foi mais uma bela festa, com a marca da amizade e união que permeia a nossa equipe 100 Juízo e também aqueles que não fazem parte de fato, mas o são de direito. Obrigado a todos que estiveram conosco em mais essa e até as próximas.

 

Abraços!

 

Fábio Namiuti


Álbum de Fotos do Treino

 

Vídeo:

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