100% Aprovado

Data: 17/01/2010 (domingo)

Horário: 8h53min

Distância: aproximadamente 14,6 km

Tempos: entre 1h13min e 1h30min

 

Estava sentindo muita falta de escrever sobre corrida. E é muito bom estar de volta. Passada a (boa) prova que fiz em dezembro em Aparecida, até tentei encerrar a temporada correndo mais uma, no final de semana seguinte em Campos do Jordão (Vila Sodipe), mas a combinação de panturrilha dolorida com percurso de subidas absurdamente íngremes acabou abortando o projeto. Fui, corri uns 600 metros e, assustado com o tamanho da encrenca, voltei trotando, preservando minha integridade física e evitando maiores problemas. Acabei apenas tirando umas fotos, ficando na torcida e aplaudindo os amigos da Equipe 100 Juízo que concluíram a prova, com direito inclusive a cinco troféus nas categorias.

 

Depois disso, vácuo (quase) total. Cumpri tabela até o Natal, com mais uns trotezinhos leves só para completar 2500 km rodados entre treinos e provas durante o ano (minha melhor marca de todos os tempos!). Cumprida a missão, uma (creio que) merecida folga de alguns dias, com canelas para o alto na última semana de 2009. Enquanto me preparava para torcer para os amigos presentes na São Silvestre, na manhã do dia 31 de dezembro, fiz algo que tinha vontade há bastante tempo, mas nunca havia tido a oportunidade: uma longa caminhada, que durou pouco mais de quatro horas e teve quase 23 km pelos bairros de São José. Serviu para aliviar um pouco a consciência da comilança das festas, mas também para dar início à preparação psicológica para o primeiro grande desafio de 2010, a Maratona de Porto Alegre, prevista para o dia 23/05. Não foi nada fácil, mas a sensação de concluir foi muito agradável.

 

Na virada do ano, fui para o litoral descansar mais alguns dias e aproveitei o início do período de base da minha planilha de treinos para fazer rodagens leves na região da praia de Tabatinga, entre Caraguá e Ubatuba. Foram só dois treininhos na casa dos 8 km cada, com mais que evidente perda de condicionamento pelos dias parados. Mas também muito gostosos de fazer. A areia fofa lembrou um outro caminho, bem mais longo, percorrido há não muito tempo... Mas sem sequelas.

 

De volta à vida real, o reinício dos treinos não foi dos mais fáceis. O regime de engorda funcionou bem, foram pelo menos 3 kg a mais, conquistados com facilidade nos dias finais do ano. Questo maledetto panettone! O jeito era queimá-los pista afora. As primeiras rodagens, na casa dos 6 min/km, fiz mesmo sozinho, nos arredores de casa e com notória dificuldade. Aos poucos, entretanto, distância e velocidade foram aumentando naturalmente. Não ainda ao ponto de voltar ao ritmo com que terminei o ano, mas com perspectivas disso. Aí, o convite para o primeiro treino coletivo do ano, que surgiu em uma e-conversa entre eu, Fabio Matheus, Michel, Fábio Vilhena e Bruno, foi se tornando irrecusável. A despeito de detalhes aterrorizantes descritos por quem já tinha feito o trajeto anteriormente.

 

O percurso do treino

 

2010 vai ser o ano da estreia de muitos dos meus amigos na distância mais desejada entre a maioria dos corredores: ela, a marvada da maratona. E o da minha quarta tentativa de encaixar bem uma. A preparação para as três anteriores foi praticamente solitária. Com honrosas exceções (como os históricos treinos Taubaté-Tremembé e na Fazenda Ronda), fiz a maior parte dos meus treinos longos by myself. A possibilidade de contar com a companhia de vários bons camaradas no caminho da próxima é alvissareira e certamente vai trazer muitas boas histórias para contar, como essa própria que começo agora.

 

A falta de eventos de corrida nessa época de começo de ano traz uma espécie de limbo para a rapaziada que curte o esporte. E a ideia de reunir a patota para um treino caiu como uma luva. Quando ela surgiu, imaginávamos a presença de três, quatro, no máximo uma meia dúzia de participantes. Mas, para nossa surpresa, praticamente todo mundo que foi convidado acabou topando. Alguns dias antes, contabilizávamos uns doze interessados. Encontramos-nos por acaso na sexta-feira no Vicentina Aranha e calculamos dezessete. Até quem não poderia correr, como o Wagner, se recuperando de uma dor no joelho; e o Bruno, que achou que a conjunção da distância com a altimetria era pouco recomendável, se dispôs a ir assim mesmo, para dar apoio aos amigos que iriam treinar.

 

A altimetria do treino

 

No domingo, no horário combinado nos reunimos no QG do Capitão Zebra. Em um dos carros do comboio, o próprio capita, eu, o João Carlos (que tinha me ligado na véspera para confirmar presença), o Seneval e o Rafael. No outro, Wagner, Tania, César, Natanael e Mayke. A lamentar, a ausência dos nossos companheiros de equipe, Manoel e Edward. No caminho, liguei para o xará Matheus para avisar que estávamos chegando. E lá em Taubaté nos reunimos com nosso anfitrião e os outros amigos que já tinham chegado: Michel, Luis Carlos, Gerson e Bruno Narezzi, Wilson, Vander Mineiro e Acacio (que já tinha vindo de casa pré-aquecido, correndo 3 km). Em seguida, se juntou a nós também o Fábio Vilhena. Dezenove pessoas fazendo o maior barulho, acordando a vizinhança do xará e fechando o trânsito local... Foi até difícil conseguir reunir todo mundo para a foto oficial. Se, além dos ausentes citados, também o Flávio e o Tonico, que disseram que vinham, tivessem aparecido, dava até pra jogar uma partida de futebol, com juiz e tudo...

 

Galera reunida antes do treino


Explicações dadas pelos nossos guias especializados no percurso, com uns vinte minutos depois do horário previsto (ih, começou a perder pontos na avaliação!) partimos antes mesmo do ponto inicial do mapa. Tínhamos combinado dois grupos de velocidades distintas, um puxado pelo Acacio e outro pelo Fabio Matheus, mas o que aconteceu na prática não foi bem isso. A maior parte do pessoal já começou forte, abrindo distância desde o começo. Longe da minha melhor forma, nem tentei acompanhar, claro. Fiquei mais para trás, à procura de um ritmo não tão forte quanto o dos amigos, mas também não fraco a ponto de perder contato visual logo de cara. No tobogã a caminho da Dutra, com boas subidas e descidas pela Av. Independência, eu corria junto com o xará, o César e a Tania (que teve de fazer uma parada para amarrar o cadarço, ainda bem que morro abaixo). Lá na frente, quem liderava o pelotão era o Nata. Wagner, de carro, e Bruno, de bike, nos acompanhavam de perto.

 

O tobogã da Independência


Com uns dois quilômetros de treino, deixamos a avenida, chegamos à estrada e atravessamos por sob a Dutra por uma passagem bem estreita. Do outro lado, acompanhando a pista, a via lateral com mais uma subida, que já começava a deixar meio de fôlego curto. No final dela viramos à esquerda e entramos em uma avenida bem menos movimentada (Álvaro Marcondes de Mattos), onde dava até para correr pelo asfalto, sem maiores preocupações com o trânsito. Com 17'30'' de treino decorridos, perguntei ao xará quanto tínhamos rodado e ele disse que eram pouco mais de 3,2 km. Pace abaixo de 5:30, forte para meu momento atual, ainda mais com o percurso que sabia que tinha pela frente. Já estava pensando em administrar. César e Tania tinham ficado um pouco para trás e, com uma parada do xará para um nº1 básico, fiquei momentaneamente correndo sozinho. Um pouco na frente, o Narezzi parecia ter sentido a panturrilha e andava, mas voltaria a correr logo depois.

O túnel estreito (ainda bem que hoje sem esses veículos todos)


Correndo sossegado, sem footpod e nem faixa peitoral, me senti um pouco melhor com a diminuição do ritmo e achei o que estava procurando, a velocidade de cruzeiro ideal para o trajeto. As subidas continuavam, junto com algumas descidas também; e a parte urbana tinha ficado para trás. O visual era outro, muito verde por todo lado, mas infelizmente um bocado de lixo espalhado na beira da pista também. De forma bastante generosa e amiga, Wagner e Bruno continuavam nos acompanhando e o apoio agora passava a ser ainda mais importante. O primeiro copinho de água caiu muito bem. A temperatura era agradável e ajudava, mas nada como não ter que parar para beber água. Alcançado pelo xará Matheus, voltei a correr ao lado dele e, provisoriamente, consegui acompanhar até bem, tornando a rodar em ritmo um pouco mais forte, mas dessa vez sem qualquer desconforto. O trecho mais ou menos plano entre o quinto e sétimo quilômetro do treino foi simplesmente delicioso. Mas o morro que dá nome a esse relato logo viria para separar homens de meninos e dar graça à coisa toda.

 

O xará e eu no retão


Uma nova guinada à esquerda e ele, o morro, apareceu. Não era do tipo que começa mansinho e faz você achar que vai encarar fácil. Ele já é encardido logo de cara, inclinado toda vida desde os primeiros metros. O xará, que já estava bem habituado a ele, começou tranquilo a subida. Eu engatei o passinho do urubu malandro que o amigo Ivo Cantor tão bem definiu e até achei que dava pra enganar com ele, mas quem estava redondamente enganado era eu mesmo. Logo na primeira curvinha senti os pulmões queimando e decidi que não ia tentar ser mais do que era atualmente. Seria reprovado no Morro do Aprovado, mas e daí? Não estava ali para medir minha capacidade aeróbica... Em melhores condições, o enfrentaria de peito aberto. Autoconhecimento é o que tem me garantido já alguns anos de corrida com pouquíssimas contusões mais sérias.

 

O pé do Morro do Aprovado


O César e o Mayke (que, com treinos fortes previstos para o dia seguinte, tinha voltado do grupo mais rápido e optado por acompanhar a galera do fundão) me alcançaram. O primeiro continuou trotando, o segundo me acompanhou na caminhada. Logo acima, estávamos os três andando, conversando e admirando o belíssimo visual, porque era o melhor a fazer ali. Lá ao longe dava para ver de onde a gente tinha vindo e ter uma ideia do desnível. A Tania tinha deixado momentaneamente o treino e optado por subir de carro com o Wagner. Peguei mais um providencial copinho e garanti a minha hidratação para quando voltasse a correr. A ladeira tinha pouco mais de mil e trezentos metros, segundo o Acacio, que a conhece de olhos fechados. Andar atrasou bastante o nosso lado, mas voltar a correr quando o chão novamente ficou reto foi bem gostoso. Melhor ainda quando ele inclinou no outro sentido. Para baixo, todo santo ajuda...

Nosso grupo agora tinha cinco corredores. Além dos três "caminhantes" do Aprovado, a Tania desceria do carro e voltaria a correr; e o xará Vilhena, em grande forma e se preparando para novos desafios no triatlo, tinha voltado e também nos acompanhava no retorno à urbanidade. Ao final do sobe-e-desce, pegamos a Estrada do Barreiro. Agora era hora de voltar a prestar atenção máxima com o trânsito, bem mais pesado. Corremos em fila indiana pelo acostamento descaído para a esquerda, que chegou a me deixar de tornozelo dolorido. Com o fôlego devidamente recuperado, eu corria em ritmo não exagerado, mas forte para os meus padrões. Não tenho nem ideia de qual era o pace exato momentâneo, mas esse trecho, uma (quase) reta de uns três quilômetros foi, sem dúvida, o mais agradável de todo o treino para mim. Ora pelo asfalto, ora pela calçada, quando havia. Perguntando se eu sabia o caminho dali até a volta, o Fábio Vilhena voltou ainda mais e foi acompanhar o César e a Tania que tinham ficado um pouco para trás. Chegamos, para atravessar por sobre a Dutra pelo viaduto, eu e o Mayke.

Subir é bom, descer é ótimo


Dali pra frente faltava bem pouco. Entramos na Av. Assis Chateaubriand e voltamos, ao final dela, para a Independência, contornando à esquerda a rotatória. O César tinha acelerado e voltado a nos alcançar. Ele e o Mayke estavam inteiros e ditavam um ritmo bem forte, que eu tentava seguir acompanhando. Passamos pela blitz que iria parar o nosso carro de apoio (bandido, que é bom, nada, né?), pela ponte e viramos à direita, para voltar ao bairro de onde tínhamos começado a jornada. O mapa original, gerado pelo GPS do xará Vilhena, indicava a chegada na esquina. E eu optei por parar ali mesmo, deixando os dois amigos seguirem adiante. A galera que já tinha chegado acenava e me chamava para chegar, mas eu já tinha me dado por satisfeito. Faltando cinquenta metros, fiz aquela velha brincadeira do sprint, só pra tirar onda. Nesses tirinhos curtos eu sempre fui bom, tenho até medalha de revezamento 4 x 100m da época de moleque... Fechei o trajeto com 1h28min, média alta, acima até dos 6 min/km, mas sabendo que isso só se deveu ao morro que não me aprovou. De resto, corri até bem e, melhor, com muito gosto.


O que se seguiu foi uma confraternização entre amigos, que felizmente vai se tornando cada vez mais comum conosco. Os xarás tinham preparado um belo kit pós-treino self-service, superior a muitos pós-prova que recebemos por aí. Sanduba no capricho, frutas à vontade, água, refrigerante e o imperdível doce de banana. E como tudo caiu bem! Mais, muito mais importante que isso, no entanto, foi o clima de total descontração e camaradagem, que esteve presente na última vez em que nos reunimos, antes, durante e depois da prova de Aparecida. E que voltou a aparecer nesse primeiro treino coletivo do ano. Era nítida a satisfação no rosto de cada um dos corredores que esteve lá presente. Fazer um treino desafiador, agradável e certamente muito proveitoso para os objetivos de todos; e além de tudo, ao lado de gente tão bacana, é, sem sombra de dúvida, uma dádiva. Obrigado a todos que estiveram presentes, treinando ou como apoio. Que possamos repetir isso muitas outras vezes, neste ou em outros cenários. O próximo, inclusive, já está em negociação, para depois do Carnaval, com organização e patrocínio do futuro maratonista Michel. Não sei vocês, mas eu nessa...

A disputa feroz pelo kit pós-treino


Álbum de Fotos do Treino

   
Abraços

Fábio Namiuti

 

Veja meu livro de visitas | Assine meu livro de visitas | Contato

 

Topo da Página Volta | Página Principal Volta | Treino Anterior Volta | Próximo Treino Volta

PUBLICIDADE