Aleluia! (Ou como malhamos o Judas)

Data: 03/04/2010 (sábado)

Horário: a partir das 7h24min

Distância: aproximadamente 31,3 km (eu/F.Matheus), entre 18 km e 34 km (galera)

Tempo: aproximadamente 3h14min

 

Sábado de aleluia é, tradicionalmente, dia de malhar o Judas, de reflexão e vigília, de comer ovo de Páscoa escondido (para os mais afoitos), mas é também dia de treino. Para quem vai maratonar em Porto Alegre, faltam apenas 50 dias. Para quem corre a de SP, menos de 30. Nada como aproveitar o feriadão fazendo um bom longão, daqueles realmente longos, quase sempre meio inviáveis durante a semana. Terminei o relato do último, em Caçapava, deixando o convite para quem quisesse me acompanhar no próximo. Fabio Matheus, Luis Carlos, Michel, Mineiro (um dos nossos aniversariantes do dia, o outro é o meu pai, parabéns a ambos!) e, na véspera, Renny, foram os que toparam a parada. Outros amigos certamente gostariam de estar presentes, mas tinham compromissos para a data.

 

Meio traumatizado do tobogã taiada do final de semana passado, optei por montar um trajeto que evitasse subidas fortes. Não dava para ser totalmente plano, mas escolhi, entre as ladeiras, as mais suaves e menos dolorosas. Outra coisa que gostaria de evitar era o calor, presença marcante no domingo anterior. Desta feita, o dia amanheceu nublado. No horário marcado, estávamos eu e o Luis Carlos em frente ao meu prédio, local da partida. No que o Fabio Matheus apareceu, chegava a chover fraco, ele imaginou até que fôssemos abortar a operação. Como se não conhecesse os amigos que tem...

 

O percurso do treino

 

A altimetria do treino

 

O atraso acabou sendo meio grande, de mais de vinte minutos. A preocupação era com os demais corredores, que deveríamos encontrar pelo caminho. O Renny, por exemplo, combinara nos esperar na altura do km 3. E acabou, com a nossa demora, nos achando pouco depois do primeiro. Tínhamos começado pela Rua José Pedro Perotti, paralela à Av. Cidade Jardim e seguido pela descida forte da R. José Guilherme de Almeida, que leva às avenidas Mário Covas e Jorge Zarur, o popular Vidoca, ligação principal entre a zona sul e as outras regiões da cidade. Atravessamos a pista para encontrar o colega e transformamos o nosso trio inicial em quarteto. Cheguei, pela falta de costume de passar por aquele trecho, a quase confundir o caminho e subir o Viaduto Frei Galvão. Toc-toc-toc (batendo três vezes na madeira!).

 

A Avenida Mário Covas

 

A reta era longa e plana; e o pouco movimento da manhã de sábado nos permitia até correr no fluxo, sempre atentos ao movimento dos veículos, no entanto. Com meu sensor novamente se comportando mal e marcando tempos estranhamente altos, optei por deixar a apuração das parciais por conta do xará, me preocupando mais com os critérios subjetivos de percepção de esforço do que com os números que o relógio indicava. De longe avistamos um corredor vindo no sentido contrário e, quando pensávamos em convidá-lo a seguir conosco, nos demos conta de que era o próprio Mineiro, que deveríamos encontrar no km 5 e surgia, também dois quilômetros antes. Com o grupo aumentando, passamos por sob o viaduto da Dutra e continuamos no retão do Vidoca. A chuva tinha passado, deixando asfalto molhado, muitas poças e alguma lama na lateral da pista, mas com o friozinho inicial já dando lugar a um calor abafado, que me ensopara a camiseta antes mesmo da oitava parte do percurso chegar. A manhã prometia...

 

Aqui era para encontrar o Renny, mas quem apareceu foi o Mineiro

 

O malabarismo para evitar as subidas tinha tornado o percurso meio (bondade minha, na verdade bastante) intrincado. Para decorá-lo, levei algum tempo de estudo na véspera. No final do Vidoca, o aniversariante quis pegar a ladeira da São João, mas nada feito. Levei toda a galera para o lado oposto, dando uma pequena amostra de rampa, a da Av. Miguel Naked, ao lado do shopping e do condomínio Colinas. Só para quebrar a monotonia da planície. Virada à esquerda e pegamos a Via Oeste, que desde que estreada em um treino com o Toninho e o Jorge em maio do ano passado, virou roteiro compulsório em qualquer percurso que passe pela região centro-oeste da cidade. No começo do muro do Colinas estava o km 7, quase no final, o 8. Mais uma subidinha, com vista para a da Univap do Urbanova, bem maior e entramos à esquerda na Av. Campos Elíseos, no Jardim das Indústrias, também já mencionada em outros relatos de treinos coletivos. Fosse o Toninho o arquiteto do treino, seguiríamos reto no sentido Limoeiro e só iríamos voltar ao encontrarmos uma ladeira quase vertical, perto dos prédios em construção.

 

A Via Oeste e o acesso ao Jardim das Indústrias

 

Após uma nova rampa, essa forte, mas curta, chegamos à Av. Cassiano Ricardo e, na padaria nela, o Renny sugeriu uma primeira parada para hidratação. Não foi má ideia. Ainda tínhamos pouco mais de dez quilômetros rodados, mas a sensação de calor já era forte. Dividimos um garrafão de 1,5l e sachês de gel. Atravessamos a pista e seguimos adiante, para encontrarmos no Jardim Aquarius, pouco mais à frente e com grande atraso em relação ao horário previsto, o último integrante da trupe, o Michel. Partindo do km 12, depois de passarmos por três das quatro laterais da Praça Ulysses Guimarães, seria o que rodaria menos entre nós. Cheguei a brincar com ele por e-mail, dizendo que daquele jeito ele não estava treinando para a maratona, mas para a Corpore Kids (na semana passada, ele poderia ter dito o mesmo, já que foi um dos que mais tempo correu!).

 

 

A Avenida Cassiano Ricardo

 

Depois de tantas pequenas subidas, que bom encarar finalmente uma descida. A da Cassiano Ricardo (ou ali já é São João?) é um belo espécime delas. Serviu para dar uma soltada nos braços e aliviada nas panturrilhas. O grupo seguia coeso e assim entrou à esquerda na pista oposta da Av. Eduardo Cury, seguindo pelo canteiro central gramado durante praticamente toda a reta de quase um quilômetro. No final, curva de 90º à direita e um leve aclive pela R. Ana Maria Nardo Silva, passando pela Praça Floripes Bicudo Martins, o popular “Maconhão” e chegando à ponte seca, sobre a linha férrea, que leva a mais um retão, o da Av. Jockey Clube, ladeando o condomínio Esplanada do Sol. Mineiro, que conhecia o trecho, perguntou se a gente seguiria por ela depois que o asfalto acabasse, com mais três quilômetros de pista de terra. Respondi que sim, mas só até o final da cerca do condomínio. O Fabio Matheus sugeriu deixar essa outra parte para o treino da tarde...

 

A Praça do “Maconhão”

 

No retorno pela mesma avenida, chegamos à marca teórica de metade do treino, que previa quase 34 km no total. Já não rodávamos em bloco, mas alguns conjuntos se formavam. O da frente tinha Mineiro e Fabio Matheus, o nosso contava, além de mim, com Luis Carlos, Michel e Renny. Na chegada à Av. Anchieta e, depois da bifurcação, à Borba Gato, acabei me desgarrando do pelotão e abrindo pequena distância. Antes da subida, a dupla da frente fez uma pausa para nos aguardar e seguimos novamente juntos, rumo ao centro da cidade. Pegamos a R. Luiz Jacinto, passamos pela famosa curva do “S”, onde o Renny se despediu e finalizou a sua participação e depois as avenidas Madre Tereza e São José, que ninguém sabe exatamente onde termina uma e começa a outra. Para evitar pontos de ônibus quase sempre cheios de gente, sugeri ao xará, que agora corria comigo, deixando o Mineiro mais à frente, que passássemos pelas pistas laterais alternativas, também usadas pelos ciclistas. Quando chegamos à Igreja Matriz e à Rodoviária Velha, com quase 21 km rodados, sugeri uma nova parada para hidratação. Tentei achar uma nova garrafa grande, mas no bar e na casa de sucos, só tinham mesmo da pequena. Aí fui direto para o bebedouro. E para o WC, em cuja escada meus joelhos falharam e quase me levaram ao chão. Ainda bem que ficou só no susto...

 

As avenidas Anchieta (direita) e Borba Gato (esquerda)

 

O Luis Carlos tinha ficado um pouco para trás e, quando deixávamos a rodoviária, o avistamos fazendo o retorno, sem conseguir contato com ele, no entanto. Mineiro e Michel falaram que iam mudar de toada, correndo mais forte a partir dali. Meu parceiro de ritmo seria o Fabio Matheus, generosamente sacrificando um pouco o próprio treino para me acompanhar, já que anda rodando bem mais forte que eu. Pegamos o mesmo trecho da ida, reencontrando o Luis Carlos antes da curva do “S”, mas, ao invés de viramos à direita para pegar de novo a Anchieta ou Borba Gato, seguimos reto pela São João. O trecho agora iria requerer atenção. Não com o trânsito, que era tranquilo. Mas para não errar o caminho, que era meio complicado. Antes de começar a descida, o trajeto tinha uma virada à direita, na Av. Barão do Rio Branco, seguindo em curva constante por ela até o final, retornando à São João em um ponto já passado. Na esquina o Luis Carlos, sentindo cansaço, optou por ficar, dizendo que nos esperaria no posto de combustível do outro lado da pista, onde passaríamos novamente depois de uma grande volta.

 

A Avenida São José

 

Talvez por vontade de chegar logo, acabei me atrapalhando e falando para o Fabio Matheus, um pouco à frente, para entrar à direita antes do tempo, sem correr a avenida inteira. Tive que puxar da memória tempos remotos onde passava por ali, como estudante, mas acabamos conseguindo reencontrar a avenida, só que não na altura prevista. O que apareceu foi a grade do Parque Vicentina Aranha, onde havia um providencial conjunto de bebedouro e torneira, para refrescar por dentro e por fora. A pausa foi breve, mas salvadora. Teve quem me viu, de dentro da pista, retomando com dificuldade um trotezinho leve, e deve ter pensado “que corredorzinho de m...”. Paciência. Não seria eu que iria explicar que já tinha feito 25 km. Abri meu segundo gel e garanti o restante do percurso, nem que fosse por conta do efeito placebo.

 

A Avenida São João

 

Os passos hesitantes e meio travados da retomada logo viraram um trote leve, mas consistente. Seguimos, eu e o xará, pela 9 de Julho e Madre Paula de São José, imaginando encontrar na esquina dela novamente com a São João, o amigo Luis Carlos devidamente refeito e pronto para o trecho final do treino. Mas ele não estava mais por lá. Imaginamos que teria encontrado com o Michel e o Mineiro e ido embora com eles, a 5’/km or below. Descemos embalados a avenida, ainda decididos a encarar o requinte de crueldade de uma volta a mais pelos arredores do shopping, indo pela Eduardo Cury e retornando pela Miguel Naked. Na ponte sobre o córrego, encontramos o Mineiro (que acabaria sendo o bambambam do dia, rodando 34 km ou mais!), dizendo que o Michel já tinha ido e o Luis Carlos não tinha visto. Olhamos para o relógio, para o sol que brilhava forte, um para o outro e, em consenso, decidimos: retão do Vidoca direto, sem escalas. Cortaríamos cerca de 2,5 km do trajeto, mas, sem com isso, deixar de dar por cumprida a missão. Pegamos a pista no sentido do tráfego, usando calçadas onde existiam e laterais de pista onde não.

 

Encontro da São João com o Vidoca

 

Passamos por sob o viaduto do Anel Viário, onde a sombra deu vontade de parar, depois novamente a Dutra e voltamos ao bairro onde tudo tinha começado, Satélite velho de guerra, horas antes. Agora era uma reta só, toda planinha, a ser percorrida em ritmo confortável, mais ainda que o do começo, na pista do outro lado do riozinho, no início da manhã. A vontade era de acelerar, fazer um longo sprint, mas a sensação de voltar a passar dos trinta quilômetros era, apesar do forte cansaço, muito agradável. O GPS do xará, no começo da curva da R. Antônio Aleixo, marcava 31,3 km rodados a um ritmo médio de 6:10/km. A subida fechou o treino, era forte e não dava para encará-la. E nem precisava. A caminhada final, de quase um quilômetro morro acima, foi um bom desaquecimento, devolveu o fôlego e os batimentos cardíacos ao seu devido lugar. Luis Carlos seria reencontrado assim que chegamos de volta ao prédio, mal deu tempo de chegar em casa e o interfone avisou da presença. O “kit pós-treino”, dessa vez por minha conta, foi singelo, mas imagino que tenha servido para ajudar na recuperação do esforço. E que esforço!

 

A reta final do Vidoca

 

Mesmo não tendo cumprido a meta de rodar distância e nem tempo (3h30min) previstos, me dei por satisfeito. Faço agora uma breve pausa nos longões para voltar a “competir” no próximo final de semana (refazendo, depois de três anos, a deliciosa Meia Maratona Trilheira de Ribeirão Pires). Pretendendo voltar na semana seguinte, em dia útil e à noite, a fazer uma nova tentativa de chegar à meta que era para hoje. Como de costume, a ideia inicial é partir sozinho, mas companhia em aventura é sempre muito bem-vinda. Deve ser na quinta-feira, 15/04. Quem quiser, que anote na agenda.

 

Abraços e FELIZ PÁSCOA a todos,

 

Fábio Namiuti

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