51ª Corrida Henock Reis Filho

http://www.aparecida.sp.gov.br

 

Geral: 422ª corrida 2017: 29ª corrida

Data: 17/12/2017 – 9h59min (domingo)

Local: Praça Padre Vitor Coelho de Almeida – Aparecida/SP

Distância: 6,95 km (16ª)

Tempo: 38:11 (líquido) e 38:43 (bruto)

Velocidade: 10,921 km/h (3,03 m/s) Ritmo: 5:30 (12,23%)

Pontos (Tabela Húngara): 109

Temperatura: sol lascado, 29ºC

Valor da Inscrição: grátis

Número de peito: 42

Tênis: Asics Gel Equation 9 azul/amarelo (1)

 

Colocações:

Geral: 80º (de 148) 54,05%

Masculino: 68º (de 94) 72,34%

Categoria 45-49 anos: 10º (de 15) 66,67%

 

Geral – incluindo moradores: 104º (de 198) 52,53%

Masculino – incluindo moradores: 91º (de 136) 66,91%

Categoria 45-49 anos – incluindo moradores: 11º (de 16) 68,75%

 

Resultado na Web:

http://estounessa.com.br/asp/Resultados.asp?id=200

 

Medalha:

 

Camiseta:

 

Foto:

 

Relato:

São tempos difíceis para a corrida e os corredores de rua...

 

Provas tradicionais, com décadas de história, por pura e simples falta de apoio, vêm deixando de acontecer.

 

Outras, que nasceram gratuitas, abertas, realizadas por gente abnegada e que ama o esporte, sendo “privatizadas”, caindo na vala comum dos eventos comerciais.

 

Triviais encontros de amigos que gostam de correr juntos se transformando em superproduções (ou não!) e condicionando a participação neles ao pagamento de taxas. Os cada vez mais comuns “treinões” pagos. Boletos e mais boletos, além dos já tantos do dia-a-dia.

 

O pedestrianismo como eu conheci e pelo qual me apaixonei, mais de uma década atrás, encontra-se na UTI, moribundo, respirando por aparelhos...

 

Chico não curtiu isso

 

Mas ele é forte. E eu acredito que vá sobreviver por mais algum tempo. Enquanto existirem, ao menos, pessoas que veem nele não apenas cifrões — e não que eu considere errado trabalhar e ser remunerado por isso. À medida que ainda haja quem o veja como ferramenta de integração social, fomento da saúde e da qualidade de vida.

 

Já era começo de dezembro e nenhum ruído, nada se ouvira falar da realização de mais uma edição da corrida do aniversário de Aparecida, que completara meio século de existência no final do ano passado. Chegamos todos a temer pelo seu cancelamento. Mais um.

 

Felizmente, ainda que meio tardias, as notícias que vieram da terra da Padroeira foram alvissareiras. A prova iria não apenas continuar, como também voltar às suas origens. Depois de quatro anos seguidos sendo paga, ainda que com valores abaixo dos praticados pelo mercado, ela tornaria a ser um evento esportivo gratuito, promovido pelo poder público municipal, mas com inscrições online e não presenciais. Só faltou mesmo pedirem o tradicional quilo de alimento não perecível, arrecadação para fins beneficentes com que sempre colaboramos de bom grado.

 

Nem todas as mudanças, porém, seriam tão boas assim...

 

Pela primeira vez na história, ao menos da recente, de que tenho conhecimento, e contrariando tudo o que já havia sido dito antes, resolveram fazer a corrida num domingo de manhã. Dia e, mais ainda, época do ano em que a cidade está lotada, repleta de romeiros visitando o Santuário Nacional, às vésperas dos festejos de fim de ano.

 

E, para complicar um pouco mais, ainda arranjaram um horário de largada totalmente atípico e muito pouco recomendável, sobretudo com o calorão que demorou, mas finalmente resolveu chegar com tudo nos últimos dias. Começar a correr às dez da manhã, ali na região, eu já sabia bem o que era. Na vizinha e tórrida Guaratinguetá, uma vez, dez anos atrás, resolveram começar a Meia Maratona do Frei Galvão depois da missa... E quase provocaram outra, de sétimo dia, em memória dos participantes, vítimas da tentativa de genocídio em massa.

 

Correndo com 36ºC à sombra (que sombra?), já depois do meio-dia... E quase que a viola foi pro saco!

 

A vantagem, se houve, foi não precisar acordar tão cedo. Foi possível sair de casa depois das sete e meia da manhã e enfrentar uma Via Dutra até que com trânsito fluindo — tirando a área do pedágio escorchante, com filas consideráveis. Mesmo com o bloqueio da entrada principal, recorrente em dias mais movimentados, conseguimos chegar pouco antes das nove, ainda a tempo de retirar o kit. A lista, em ordem de número de inscrição, com os nomes fora da ordem alfabética, não ajudou muito. Mas deu para pegar a camiseta regata (simples, mas boa), o numeral e o chip descartável com tranquilidade.

 

A despeito da listinha ingrata, foi sossegado

 

Apesar da mudança do nome (não se chamava Três Corações a praça?), o lugar era o mesmo da edição anterior. Fora das cercanias da grande igreja e de todo o burburinho. Era nada menos que a minha décima segunda participação seguida — eu estivera presente em todas as provas desde 2006, minha segunda temporada de corridas. E, apesar de feliz, estava estranhando bastante não só o horário, como a falta do clima festivo, das luzes de Natal, da plateia se aglomerando para assistir à largada e torcer pelos corredores. Era como se fosse outra prova, totalmente diferente da que eu estava acostumado. Mais parecida com outra qualquer.

 

Ela faz parte da minha história... E eu da dela também

 

Mas não havia o que lamentar. Importante mesmo era estar ali, ao lado da minha esposa, com quem já estivera em diversas edições anteriores, e de alguns companheiros de Equipe 100 Juízo. Uma pena que boa parte da turma não tenha aparecido, talvez pela grande oferta de outros eventos — corridas e treinos — no mesmo dia. Ainda assim, aparentemente houve crescimento no número de participantes em relação às outras vezes. Somando todas as listas, afora os inscritos ausentes, seríamos algo em torno dos trezentos corredores.

 

Eu & ela

 

E se a hora escolhida não era das melhores, pelo menos atraso para piorar as coisas não teria. No meu relógio, adiantaram até em um minuto. Não havia nas redondezas nenhum termômetro daqueles de rua para nos contar, mas os aplicativos de celular diziam que a temperatura estava na casa dos vinte e oito, vinte e nove graus. A sensação térmica, apesar de um ventinho gostoso que batia de vez em quando, era de mais de trinta. Saí com medo, mas saí, junto com a turma do fundão.

 

Antes tarde do que mais tarde ainda

 

Nos primeiros metros a impressão foi de que havia uns três mil, e não apenas trezentos correndo pelas ruas estreitas da capital da fé. Logo à frente, menos de duzentos metros, contornamos a rotatória, deixamos a avenida e retornamos pela rua paralela acima, passando novamente ao lado do pórtico e de uma discreta torcida. Tentando achar espaço no asfalto sob os pés, mas, confesso, gostando até do fato de não conseguir ir rápido. De forte, já bastava o sol.

 

Não vi a primeira placa de quilometragem (as demais sim), mas o GPS apitou avisando que o primeiro quilômetro havia sido completado em altíssimos 5’52’’. Decidi, assim, que não mais olharia para a telinha do relógio até o final. Que faria uma corrida livre, como se fosse um treino, sem qualquer preocupação com desempenho ou resultados. Queria só chegar, inteiro, vivo e bem.

 

E iria, para isso, fazer uso da (ótima) estrutura de hidratação do evento. Era fundamental, mormente naquele clima, que houvesse bastante água disponível. E havia. Os postos foram suficientes, estavam bem distribuídos ao longo do caminho. E se não estavam geladinhos os copos, pelo menos não permitiram que virassem chá também. Teve até um plus inesperado: uma senhora que, de mangueira em punho, lavando a calçada, fazia a alegria — e a refrescância dos que passavam. Agradeci muito, como sempre o faço por qualquer ajuda.

 

Ao fim da longa reta, quase chegando ao limite da cidade, dividiram-se os participantes da distância menor (3,7 km), que seguiram em frente; e da maior, inclusive eu, que dobramos à esquerda. Era óbvio que eu preferia estar ali à noite, como em todos os outros anos. Mas não dava para negar que a vista para a serra, quando passamos por sobre o viaduto ferroviário, era muito bonita também. Tudo nesta vida tem suas vantagens e desvantagens.

 

A imagem talvez não faça jus, mas é um belo panorama

Foto: Google Street View

 

Mesmo sem aferir em tempo real, eu já percebia que estava correndo bem melhor, mais solto, tentando abstrair o verdadeiro terror que é, para mim, a prática do esporte em condições climáticas tão adversas. Se olhasse, saberia que minhas parciais dos quilômetros dois e três, quase idênticas (5’12’’ e 5’13’’), seriam as melhores da manhã. Parecido até com o que venho fazendo nos meus atuais dias “bons”.

 

O vaivém foi até perto de outro viaduto, pintado de azulão, por cima da linha do trem. Mas não chegamos a cruzá-lo. Aliás, outro handicap o do percurso praticamente plano, em uma cidade que, conheço bem, sabe ter umas subidinhas das boas em seus caminhos — como o clássico das provas anteriores, pela Avenida Itaguassu. Os colegas mais ligeiros já voltavam pela pista oposta, mas eu parecia em franca ascensão, buscando aos poucos alguns dos que haviam começado a prova bem à minha frente.

 

Não chegou a haver um grande público, mas a passagem pelas ruas do bairro pareceu chamar a atenção de alguns pequenos grupos. E é sempre um atrativo a mais, em qualquer corrida, receber o incentivo dos moradores, principalmente da criançada. Aqueles olhinhos que brilham ao verem correndo os de hoje, amanhã podem ser os dos futuros campeões. Eu acredito firmemente nisso, no poder do exemplo.

 

Sentindo bastante o calor, cada vez mais forte, tive de administrar, dosar o ritmo para não quebrar. Mas procurei me manter focado na missão. Sem precisar diminuir muito e menos ainda apelar para a caminhada, cruzei de volta aquele mesmo primeiro viaduto, agora no sentido contrário, e dei a voltinha no pequeno quarteirão para pegar novamente a avenida. O trânsito não estava fechado, mas não teríamos quaisquer problemas com os motoristas. O controle dos principais cruzamentos foi eficiente e manteve-nos em segurança.

 

Emparelhei ali com o Raí e juntos faríamos todo o trecho final, um procurando incentivar, ainda que em silêncio, o outro a não deixar a toada cair. E até que deu jogo. Cruzamos praticamente juntos a linha de chegada, com um tempo razoável na casa dos 38’ altos, 5’30’’ de pace médio. Longe dos meus melhores desempenhos na prova, que para mim sempre teve distância maior, dez quilômetros (nem sempre precisos). Mas bem melhor do que o esperado para o dia em específico, tão pouco adequado para correr. Ficou de bom tamanho. Senti uma pontinha de orgulho pela minha regularidade, diria até alguma bravura.

 

Valeu teimar e não pensar (muito) no calor

 

Para uma corrida gratuita, o lanche pós-prova foi generoso: teve banana, maçã e até isotônico. Algumas provas (bem) pagas não têm esses itens. A medalha, que chegou a não existir nas primeiras das minhas participações, na década passada, dessa vez veio bem bonita, com fita decorada e tudo. Poderia ter, no verso, a data do evento, algo que sempre gosto de ver e relembrar depois. Pequenos detalhes sempre podem ser observados.

 

Mas foi, sem dúvida, senão a melhor, uma das melhores edições em termos de organização. Bem longe das quase mambembes e folclóricas primeiras vezes, feitas com notória boa vontade, mas muitos erros primários também. Valeu bastante estar lá. Pretendo seguir marcando presença por muitos anos ainda, enquanto seguir sendo um corredor de rua.

 

E com a 100 Juízo presente também

Foto: Angélica Guimarães, Facebook

 

Temporada 2017 quase no fim... Agora falta só o encerramento com chave de ouro — mais uma tradição que cresce a cada ano e se consolida como a festa dos corredores do nosso amado Vale do Paraíba. Que não precisam de trocentas mil pessoas, fora os pipocas, se acotovelando para aparecerem por alguns instantes na Globo.

 

Seis eu já tenho... Que venha a sétima!

 

Dia 31 de dezembro tem a 7ª Corrida da Virada Joseense... E é claro que eu vou estar lá!

 

Percurso:

 

Altimetria:

 

Gostei:

da manutenção do evento, em tempos de sumiço das corridas tradicionais; da prova ter voltado a ser gratuita, do percurso fugindo da área da muvuca, da (importantíssima) estrutura de hidratação

 

Não gostei:

do horário — por favor, voltem a fazer à noite; da lista “mata-ceguinho”, de ter tapete na largada e não divulgarem (nem classificarem por) tempo líquido

 

Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 5 (formulário de inscrição meio confuso, mas ligaram de lá pedindo o que faltava)
- Retirada do kit pré-prova: 4 (poderia ter lista em ordem alfabética e ser até mais próximo da hora da largada para quem vem de fora)
- Acesso: 5 (já mais conhecido, com estacionamento gratuito e bem próximo)
- Largada: 4 (o horário não foi adequado, mas pelo menos não atrasaram)
- Hidratação: 5 (postos suficientes e bem distribuídos)
- Percurso: 4,5 (gosto mais do clássico, mas a solução foi criativa)
- Sinalização: 4 (não vi a primeira placa, as demais estavam bem visíveis e com pequena diferença em relação ao GPS)
- Segurança/Isolamento do percurso: 4,5 (sempre dá aquele medinho de correr junto com o trânsito, mas o controle foi eficaz)
- Participação do público: 4,5 (menos gente que de costume na arena, mas alguns espectadores e apoio pelo caminho)
- Chegada/Dispersão: 5 (tranquila)
- Entrega do kit pós-prova: 5 (sem problemas)
- Qualidade do kit pós-prova: 5 (para uma prova grátis, acima da média)
- Camiseta: 4 (não se compara às melhores, mas só de ter, já é um mérito)
- Medalha: 4,5 (bonita, de bom tamanho, poderia ter data e distâncias)
- Divulgação dos resultados: 3,5 (vi no dia seguinte; se tinha tapete, por que não divulgaram também o tempo líquido?)

Média: 4,5

Viagem:
85 km, 1 pedágio (Moreira César)
BR-116 (Dutra)


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