Fazendo dezenove anos ... pela segunda vez!!!

Data: 29/03/2009 (domingo)

Horário: 8h10min

Distância: aproximadamente 15,6 km

 

É, amigos(as), a fila anda... Parece que foi ontem que eu fiz dezenove anos. Estava servindo o exército, procurando emprego depois de ter feito estágio de conclusão do curso técnico de informática industrial, dando aula no curso de computação como bico enquanto não pintava nada, fazendo cursinho pré-vestibular à noite, enfim, procurando abrir caminhos na vida. Dezenove anos depois, as coisas avançaram um pouco, a vida seguiu o seu curso, consolidei minha carreira profissional, me casei, me tornei pai, aprendi muita coisa, acertei, errei, tive problemas de saúde, abandonei o tabagismo (totalmente) e a obesidade (em parte) e resgatei a atividade física em busca de qualidade de vida, me tornei corredor de rua e encontrei no esporte um novo estilo de vida e muitos amigos. Na comemoração dos trinta e oito anos, dezenove pela segunda vez, portanto, que completei nesta última quinta-feira, 26 de março, reuni parte deles para fazer duas coisas de que gostamos bastante: correr e jogar conversa fora. Foi muito bom.

 

Nem todos os que foram convocados puderam comparecer, mas fiquei muito feliz com a presença de quem veio. Não seria um daqueles treinos com grande número de participantes, como haviam sido o simulado da General Salgado e o no percurso da Petybon, mas contar com companhia dos amigos Toninho (devidamente recuperado da crise de labirintite que o tirou do nosso treino anterior), Zebra, Edward e Michel já era um privilégio. Às 8 horas da manhã já estavam todos em frente ao meu prédio, conversando e acordando a vizinhança. Tomara que não venha multa no próximo boleto de condomínio, hehehe...

 

O percurso do treino

 

Quando comecei a cogitar este treino comemorativo, tínhamos três opções: novamente o trajeto do Telespark à Petybon, que havíamos feito no início do mês para celebrar o aniversário do Luis Carlos; o entre o Parque Santos Dumont e o Urbanova, que de certa forma tínhamos feito no domingo passado; e o do Satélite ao Interlagos. Descartando o ocorrido há tão pouco tempo, a escolha foi democrática e acabou triunfando o lobby do aniversariante. Sairíamos então da esquina das Avenidas Cidade Jardim e Cassiopeia e seguiríamos pela pista nova (Avenida Mário Covas) rumo à Rodovia dos Tamoios. No trecho mais antigo da avenida, eu já havia feito muitos e muitos treinos visando especificamente provas com altimetria relativamente complicada, como a São Silvestre. A subida inicial desse trajeto não era lá tão inclinada, mas era longa toda vida, no melhor estilo Brigadeiro. A temperatura desta manhã de domingo estava perfeita para correr, com o sol devidamente escondido por detrás de muitas nuvens. Quem não estava bem era eu, depois de ter rodado 25,3 km na noite de sexta-feira, pouco mais de um dia e meio antes deste treino. O cansaço deu o ar de sua graça já no comecinho da primeira (de muitas) subida.

 

O Toninho e o Edward se mandaram morro acima, abriram bastante distância. Mais para trás ficamos eu, o capitão Zebra e o Michel, em ritmo lento, conversando para não ver o tempo e nem a ladeira passar. Havia esquecido, não propositalmente, de colocar a faixa peitoral para marcar os batimentos cardíacos, mas acho que acabou sendo uma boa. Até aí ainda não, mas acho que ver durante o percurso o frequencímetro marcando 180 bpm ia ser um tremendo doping negativo. Passamos por sob o viaduto e vencemos a longa subida, chegando enfim à estrada que leva ao litoral norte de SP. Caímos para a direita para entrarmos em outra estrada, a Bezerra de Menezes, vicinal que leva aos bairros do Torrão de Ouro e Parque Interlagos. Logo no começo dela, vimos as placas indicativas do hospital psiquiátrico sediado mais à frente (Francisca Júlia). Nada combinando mais com integrantes de uma equipe de atletismo com o peculiar nome de 100 Juízo. 

 

Região do Parque Interlagos

 

Este trajeto é conhecido de vários corredores joseenses, sobretudo os da zona sul da cidade. Já ouvi de bastante gente boa de pernada que era lá que faziam os seus treinos de rampas, visando ganho de condicionamento. O tobogã constante era o responsável por esse grau de dificuldade. Contrastando com o cenário agradável do lugar, com muito verde. Já havia feitos treinos semelhantes, só que no sentido inverso (passando na ida pelo Bosque dos Eucaliptos, bairro onde morei até o ano passado) com o Michel e o Luis Carlos, e também com o Toninho. Os novatos na área eram apenas o Edward e o Zebra. O primeiro seguia bem, lá na frente e com passadas firmes. O segundo, ainda nos acompanhando, mas, ao contrário de mim, esbanjando energia (como sempre, por sinal). Ameacei parar pela primeira vez já no começo do sobe-e-desce, mas fiz uma forcinha, pensei na descida longa e gostosa um pouco mais à frente e segui adiante. Valeu a pena. Quando ela veio, deu pra soltar bem o corpo, balançar os braços e esquecer momentaneamente o cansaço. A alegria não durou muito. A descida foi boa, mas breve. Logo estávamos chegando ao bairro, passando pelo trecho empoeirado, com carros e motos tirando fina da gente na estradinha estreita. Mandei o Edward e o Toninho seguirem em frente quando eles perguntaram de longe, mas na verdade era para viramos à direita novamente, para passarmos ao lado de um dos dois laguinhos que dão nome ao bairro. Eles disseram que tinha sido de propósito, só pra podermos alcançá-los. Não foi, mas foi...

 

Os lagos do Interlagos

 

Nas vezes em que eu havia treinado sozinho por ali, quase sempre dava uma parada para reabastecimento. Ou comprando uma água mineral no barzinho da praça, ou um suco no camarada do carrinho em forma de laranja. Desta vez, acompanhado da galera, não quis sugerir isso, ainda mais porque tinha levado na mão uma garrafinha com isotônico, da qual tomei o último gole logo que começamos a deixar o Interlagos e pegar a estrada rumo ao bairro vizinho do Dom Pedro I. O up & down começando tudo outra vez. Cansado, não só da primeira parte dele, mas mais ainda com os 25 km de sexta pesando nas pernas, comecei a diminuir, diminuir, até quase parar. Não estava ligado na mesma voltagem dos demais amigos e não queria atrapalhar o treino deles. Deixei-os ir.

 

Andei um pouco, retomei o fôlego e o trote, desanimei de novo ao encarar uma ladeira que já conhecia de outros carnavais, mas que dessa vez pareceu bem mais longa que de costume. O capitão Zebra, solidário como sempre, voltou para me buscar, e foi enfático ao dizer que eu tinha saúde o bastante para seguir em frente. Tentei. Na descida foi fácil, mas quando apareceu mais outra subida, quem acusou o golpe foi a panturrilha, que tinha entrado no gelo depois de sexta-feira, quando terminei o longão cansado e dolorido. Pensei na Meia da Corpore, daqui a uma semana e decidi me preservar para ela. Mandei o comandante ir e voltei a caminhar. Passou por mim uma turma num carro velho e falou, mas ouviu bobagem também... Quando o chão voltou a estabilizar, dei uma checada geral nas condições e vi que dava pra ir sem ter que pegar o busão. Menos mal. Na esquina com a Avenida Cidade Jardim, estavam todos os companheiros de treino me esperando. Acho que esses caras não vão querer mais que eu corra com eles, parece que de um tempo pra cá eu comecei a empatar treino de meio mundo...

 

O percurso original previa seguir adiante por essa longa avenida, uma das maiores de São José dos Campos, até chegar de volta ao meu prédio. Mas a subida logo adiante nela me fez decidir por uma mudança estratégica de planos. Logo depois de passarmos pela barreira do exército, que continua procurando os sete fuzis roubados do 6º BIL de Caçapava, entramos à esquerda e pegamos a Avenida Salinas. Descidinha leve, mas contínua, até o Satelão velho de guerra. A longa pista de terra do chamado Parque Senhorinha, não muito bem cuidada em alguns trechos, com pedras e areia misturada em outros, mas bem mais confortável para correr do que na lomba da outra avenida. E com direito a dois bebedouros providencialmente disponíveis. Passamos batido pelo primeiro, logo no comecinho, mas não pelo segundo. Mesmo sem calor, a hidratação era necessária depois de encarar tantos paredões pelo caminho.

 

A Avenida Salinas

 

Faltava pouco. Mais uma subida leve, a divisa entre o Bosque e o Satélite, a Avenida Perseu, a esquina com a outra ponta da Cassiopeia. Agora era só subir a avenida e chegar novamente ao ponto de partida. O Zebra tinha sumido na frente de vez, com o Michel no encalço. Quem me fazia companhia era a dupla Toninho e Edward. Juntos, fizemos esse trecho final, primeiro plano, depois em descida e com uma derradeira subida até chegarmos à Praça Mário Cesare Porto, onde resolvi encerrar, ansioso por mais um gole d’água. O Michel e o Zebra seguiram adiante. Quem viu o cara começar, não há muito tempo atrás, não poderia nunca imaginá-lo nessa perseguição a uma fera como o Capitão. Está dando gosto de ver o quanto ele tem evoluído, não só por estar treinando com o Jota Júnior, mas principalmente por estar se dedicando mais. Vai longe, literalmente...

 

Nem marquei o tempo final e, para ser sincero, não me preocupei muito com isso. O relógio continuou acidentalmente correndo quando fui ao bebedouro da praça e, quando fui pará-lo, ele já passava de 1h39min. Como treino de ritmo, para quem tinha hoje na planilha correr na casa dos 5:10 min/km, acabou não valendo, mas foi uma belíssima rodagem. Encerrou uma semana importante, a primeira com volume acima dos 65 km no ano. Faltando apenas dois meses para a Maratona de SP, é hora de crescer e decidir de uma vez se a coisa vai ou fica... Dá pra ver nitidamente que tenho muito o que melhorar, mas também que estou no caminho certo pra isso. Fácil não vai ser, como nem poderia... Mas eu acho que dá sim pra eu estar, no dia 31 de maio, alinhado para partir para os meus segundos 42 km.

 

Melhor do que tudo, foi sentar na mesa do salão de festas do meu prédio, reunir os amigos que terminaram o treino e mais outros que foram chegando (Fabio Matheus, que felizmente já está melhor da contusão que o tirou da General Salgado; Guilherme, que merecia mesmo um descanso depois de 76 km só de provas em março; Luis Carlos, que veio direto do torneio de futebol) e, juntamente com meus familiares, celebrarmos todos a ocasião. Espero que todos tenham apreciado o almoço, que a Janete certamente preparou com todo carinho. Não foi comidinha leve e nem específica para corredor, mas eu, particularmente, achei que a feijoada estava uma delícia. Sobre o bolo, a minha mãe manda avisar que aceita encomendas para festas (ih, olha o merchan, hehehe...). Ganhei cada presente bacana, precisavam ver. Até o meu chinelo desaparecido na viagem para Itu... Papo agradável, cervejinha gelada, enfim, um complemento perfeito para um dia que já tinha começado muito bem. Muito obrigado a todos que estiveram comigo hoje, no treino, na comemoração ou em ambos. Obrigado também aos que não puderam vir hoje, mas certamente vão estar presentes nos próximos treinos. Foi um aniversário memorável, esse meu de 2 x 19 anos...

 

Os amigos

 

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